Vencendo a desconfiança

  • por Henrique Souza
  • 7 Anos atrás
Foto: Reprodução -Marcelo Martelotte no Sport: evolução com a chegada do novo técnico.

Foto: Reprodução – Marcelo Martelotte no Sport: evolução com a chegada do novo técnico.

Com a perda do Campeonato Pernambucano e a eliminação na Copa do Brasil, as perspectivas para o Sport não aparentavam ser das melhores. Além da demissão do técnico Sérgio Guedes, a saída de atletas importantes no elenco, como Cicinho e Reinaldo, dentre outros, contribuiu para agravar ainda mais a situação. A derrota na estreia da Série B parecia mostrar que o acesso à primeira divisão era um sonho distante.

A diretoria rubro-negra foi buscar o novo técnico no rival Santa Cruz, apesar da resistência dos torcedores. Marcelo Martelotte, que havia derrotado o Sport na decisão do Campeonato Pernambucano duas semanas antes, chegou com desconfiança à Ilha do Retiro. Agora, dois meses depois de sua contratação, o Leão mostra ter encontrado um rumo e projeta uma luz no fim do túnel em uma temporada que parecia perdida.

Desde sua chegada ao comando do Sport, o rubro-negro disputou nove partidas, com sete vitórias e duas derrotas. A evolução do time é visível, com a equipe ocupando a terceira posição na Série B e dando mostras de que vai brigar pelo acesso até o fim. Martelotte soube dar um padrão tático mais definido ao Leão, enquanto o seu antecessor testou diversas mudanças no time e não conseguiu dar uma cara ao Sport.

Marcelo Martelotte começou sua carreira como técnico no Taubaté, seu primeiro clube também nos tempos de jogador. Treinou a equipe sub-20 do Palmeiras e chegou ao Santos como auxiliar, onde chegou até a dirigir o time paulista interinamente em algumas oportunidades. De lá, foi para o Ituano e acabou se tornando técnico do Santa Cruz em 2013.

No tricolor pernambucano, Martelotte encarou a responsabilidade de substituir um dos técnicos mais vencedores da história recente do Santa Cruz. Bicampeão pernambucano e tendo conseguido o acesso à Série C em 2011, Zé Teodoro foi responsável por voltar a tornar o Santa Cruz uma equipe respeitada pelos rivais.

Mesmo com a eliminação nas quartas-de-final da Copa do Nordeste para o Fortaleza, chegando a ter seu trabalho posto em dúvida, Martelotte se manteve no cargo e conquistou o tricampeonato estadual com o Santa Cruz. Consolidado no cargo, o técnico agora tinha a confiança do torcedor e o respaldo da diretoria, com um grupo comprometido nas mãos. Quando tudo se encaminhava para a permanência do treinador, o Sport assegurou a contratação de Martelotte.

Com sua saída para o Sport, Marcelo Martelotte passou a enfrentar a raiva dos tricolores pela ida para o rival e a suspeita dos rubro-negros de que não estaria qualificado para o cargo. E o desafio não era dos menores. Time desacreditado, com crise de confiança, cobrado pelos torcedores e necessitando de reforços. Por outro lado, uma equipe precisando de renovação como o Sport possibilitaria uma maior autonomia de Martelotte, que poderia montar o time como desejasse e atuar junto à diretoria na contratação de novos jogadores, como Anderson Pedra e Vinícius Simon, indicados pelo treinador.

Desde sua chegada, algumas modificações foram feitas na forma do time atuar. Tobi, por exemplo, foi de vez para a zaga. O Leão passou a atuar com dois volantes, dois meias de criação e dois atacantes. Esse padrão tático é uma das marcas do trabalho do treinador. A continuidade na escalação da equipe pode ser apontada como uma das razões do sucesso de Martelotte à frente do Sport. Outro ponto a ser destacado é a postura do time fora de casa, que é muito mais ousada em relação à equipe de Sergio Guedes. Marcação no campo do adversário, aposta na velocidade e com a chegada de Rithely, em grande fase, e dos meias à frente, fizeram o Sport um visitante temido na Segundona.

Marcelo Martelotte vem fazendo um belo trabalho. A exigente torcida rubro-negra começa a se render ao treinador graças ao estilo ousado e aguerrido que ele busca imprimir na equipe. A margem de evolução ainda é grande, já que o elenco ainda está sendo montado, pois jogadores como Chumacero, Patrik e Diego Maurício têm tudo pra brigar por uma vaga entre os titulares. Em todo o caso, as perspectivas animadoras para o fim da temporada mostram a parcela vital de responsabilidade de Martelotte no bom momento do Sport.

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Doente por futebol desde que se conhece por gente. Formado em Educação Física e estudante de jornalismo. Apaixonado por jogos e times clássicos. Considera Zidane, Ronaldo, Romário e Messi os maiores que viu jogar.