A magia do número 43 na história do Flamengo

  • por Igor Leal da Fonseca
  • 8 Anos atrás

Números e futebol caminham juntos desde que o esporte foi inventado. Seja para contar artilharia, para usar em estatísticas, para aquele famoso “faltam 5 minutos” que todo treinador fala aos seus comandados quando o time está vencendo o jogo.

A primeira vez que os números foram usados em camisas para identificar jogadores foi na Austrália, em 1911. Em 1928, o lendário Herbert Chapman adotou a medida no seu time, o Arsenal. O treinador visava uma melhor identificação dos seus comandados para poder passar instruções específicas durante o intervalo e nos treinamentos. Em 1933, praticamente todas as equipes da Europa já usavam o expediente, mas foi apenas em 1939 que isso virou regra do esporte, após determinação da International Board. A Copa do Mundo de 1950 foi a primeira competição FIFA na qual a numeração se tornou obrigatória.

Daí em diante, surgiram várias situações de números relacionados a jogadores. Pelé e a camisa 10 no Santos e na Seleção Brasileira, Cruijff com sua lendária 14 jogando por Ajax, Barcelona e Holanda, Garrincha com a 7 pelo Botafogo, Maradona com a 10 do Napoli e da Argentina, entre milhares de outros exemplos. O personagem mais vencedor da História das Copas do Mundo, aliás, é um eterno fascinado pelo número 13.

No Flamengo, a camisa 10 sempre foi a mais reverenciada do clube. Depois de passar por Zizinho e Dida, virou um símbolo no corpo de Zico. Qualquer jogador que chega ao clube e que pode envergar a 10 cita o tamanho da responsabilidade.

Mas na noite dessa quarta, outro número definitivamente entrou para a história do Flamengo: o 43. A torcida já tinha fascínio por ele desde o lendário gol de falta de Petkovic, que deu ao clube o Tricampeonato Estadual contra o Vasco, marcado aos 43 minutos do segundo tempo. Como se não bastasse, o próprio Petkovic voltou ao time em 2009 e, usando a 43, liderou o Flamengo na conquista do Campeonato Brasileiro daquele ano, depois de 17 anos de jejum. A 10 estava sendo utilizada por Adriano, outro pilar da conquista.

Se o número 10 ainda é o mais importante da história do Flamengo, após o confronto contra o Cruzeiro, o 43 passou a ser o mais sagrado: foi exatamente no minuto 43 que Elias sacramentou a classificação rubro-negra à próxima fase da Copa do Brasil, num confronto que era dado como definido a favor do Cruzeiro.

Sugiro que a torcida do Flamengo passe a aplaudir o minuto 43 de todo o segundo tempo quando o time for mandante, como faz a torcida do Espanyol com o minuto 21 do jogo, homenageando o jogador Dani Jarque, que faleceu após um ataque cardíaco. Jarque usava a camisa 21 do clube. Se para eles 21º minuto é um momento triste e de luto, para nós, o 43º sempre será um minuto de alegria e boas lembranças.

Obrigado, futebol, pela quarta-feira que você proporcionou a 35 milhões de torcedores. Muito obrigado, Flamengo.

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33 anos, morador do Rio de Janeiro. Rubro Negro de coração, apaixonado pelo Maracanã, tem no Barcelona o exemplo de clube para o que entende como futebol perfeito, dentro e fora do campo. Estudioso da memória do futebol, tem nessa sua área de maior atuação no site, para preservar a memória do esporte. Dedica especial atenção aos times mais alternativos, equipes que tiveram grandes feitos, mas que não são tão lembradas quanto as maiores do mundo. Curte também futebol do centro e do leste da Europa, com uma coluna semanal dedicada ao assunto. Um Doente muito antes de fazer parte desse manicômio, sua primeira memória acadêmica é uma redação sobre o Zico, na qual tirou 10 e a mesma foi para o mural da escola. Nunca trabalhou com futebol dessa forma, mas adora o que faz junto com o restante do pessoal e se pergunta o porquê de não ter começado com isso antes. Espera recuperar o ''tempo perdido''. Acha Lionel Messi o melhor que viu jogar e tem em Zico, Petkovic e Ronaldo Angelim como heróis.