No Grenal 397, Renato Gaúcho buscou construir e Dunga destruir

  • por João Vitor Poppi
  • 6 Anos atrás

No primeiro Grenal da Arena do Grêmio, Tricolor domina com força pelas alas, mas homem a mais pelo centro dá o empate ao Colorado

Sem Zé Roberto e Vargas, a escolha de Renato Gaúcho pelo terceiro zagueiro, para formar o 3-5-2, foi correta. Com Rhodolfo junto a Bressan e Werley, o Grêmio teve sobra sobre os dois atacantes do rival, Forlán e Damião, que jogam abertos. Adriano colou em D’Alessandro. 

Com a marcação acertada na retaguarda, os alas do Tricolor tiveram liberdade para atuar dentro do campo adversário, sufocando os laterais do Inter. Com Elano e Riveros realizando a marcação pressão no meio, o Grêmio teve volume de jogo, pois roubava a bola próximo ao ataque, proporcionando rápida retomada ofensiva. Os atacantes buscavam a movimentação e encostar nos alas, para depois afunilar.

Os alas do Tricolor espremendo os flancos do rival

Os alas do Tricolor espremendo os flancos do rival

O Inter, posicionado no 4-3-1-2, com um triângulo de base alta no meio, teve o jogo lateral comprometido pelo posicionamento agressivo dos alas adversários. O time mandante teve mais volume de jogo, posse de bola e atuou no campo ofensivo, o que possibilitou Riveros a superar Jorge Henrique, adiantando a marcação sobre o ex-Corinthians, no embate dos homens da saída de bola pelo centro. Sem espaço pelos lados e saída pro jogo comprometida, a transição ofensiva do Internacional era lenta e, muitas vezes, findava em desarmes do rival.

A superioridade do time treinado por Renato Gaúcho foi expressada no placar aos 19 minutos, com pênalti convertido por Barcos. Mas apenas dois minutos depois o empate chegou, mostrando qual era o caminho para o time de Dunga. Willians, com ótima arrancada, desceu pela direita e cruzou para Damião, livre na segunda trave, completar para o gol.

O jogador a mais que o Colorado possuía no meio campo era a melhor alternativa para o time responder ao domínio Tricolor. E foi utilizado para o empate, o que não vinha acontecendo anteriormente. A surpresa, com a ultrapassagem de quem vinha de trás (na jogada do gol foi Willians, cabeça de área) não recebia acompanhamento e encontrou espaços nas costas dos alas.

Após o marcador ser igualado, o time comandado por Dunga conseguiu equilibrar o clássico. Mais pela quebra da força lateral do Grêmio, do que pela ofensividade. Sua postura tática, na dinâmica, se tornava uma linha de quatro pelo meio. Quando era atacado em seu setor esquerdo defensivo, o Inter tinha Jorge Henrique se posicionando por aquele lado, com Willians e Josimar pelo centro; já pelo outro lado, Josimar se desprendia para o flanco, com D’ale vigiando por ali e Willians e J. Henrique trancando o meio. Para o Grêmio, faltou fazer a bola sair de um lado para o outro com velocidade, realizar a inversão, para essa falsa linha de quatro do rival ser descompactada.

O 3-5-2 do Grêmio teve mais força contra o 4-3-1-2 do Inter, que ficou restrito as  ultrapassagens por dentro

O 3-5-2 do Grêmio teve mais força contra o 4-3-1-2 do Inter, que ficou restrito as ultrapassagens por dentro

Para a segunda etapa, Dunga substituiu Ednei por Fabricio, que entrou pelo meio, deslocando Jorge para a lateral direita. Josimar e Willians inverteram funções, com este tendo mais liberdade pela direita. O time visitante ganhou em movimentação e deslocamento, com as descidas alternadas dos volantes abertos, forçando a superioridade numérica a fazer diferença com o ”homem surpresa”. 

Com a expulsão de J.Henrique, aos 77 minutos, a estratégia do Inter foi desarticulada. O Grêmio não conseguiu trabalhar a bola no chão, pecou em deixar o clima ferrenho do Grenal tirar a consciência do time, que fez ótimos 20 minutos iniciais, mas depois sentiu a falta de um camisa dez, de Zé roberto.

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Acadêmico de Jornalismo. Analista Tático. Redator na DPF e na Vavel Brasil.