As armadilhas da primeira rodada

  • por Victor Mendes Xavier
  • 8 Anos atrás
O Atlético de Madrid derrotou o Sevilla no Pizjuán. Os andaluzes, no entanto, exibiram bom futebol, apesar da derrota (AS)

O Atlético de Madrid derrotou o Sevilla no Pizjuán. Os andaluzes, no entanto, exibiram bom futebol, apesar da derrota (AS)

 

As rodadas iniciais de um campeonato nacional costumam ser uma bela armadilha para os profetas do apocalipse. Três meses de férias, elencos renovados e treinadores estreantes. Diante dessas condições, é natural que a primeira rodada de qualquer campeonato europeu receba uma importância desproporcional. Na Espanha, a repercussão dos resultados é enorme, como se uma vitória na estreia resolvesse todos os problemas ou uma derrota causasse danos permanentes. Mas, na prática, não é assim. 

Exemplos recentes são o que não faltam. Em 2008/2009, o Barcelona de Josep Guardiola começou seu ciclo vencedor em âmbito nacional visitando o Numancia, que havia subido à elite, à época. O resultado foi uma derrota por 1×0, que colocou em xeque o trabalho de Pep logo na primeira rodada. O que veio depois todos sabem: três títulos consecutivos e uma hegemonia no futebol espanhol. Em 2010/2011, o Hércules, a sensação das rodadas iniciais, acabou a temporada rebaixado à Liga Adelante. 

O caso do Sevilla é bem curioso. No domingo, em Sevilha, o time apresentou uma nova imagem em relação às temporadas anteriores. É uma equipe que preza mais pela bola, centraliza à exaustão o jogo, mas sabe imprimir um ritmo mais veloz com seus ponteiros. Sem Jesus Navas, as jogadas pela linha de fundo não funcionaram em demasia, mas foram substituídas pela classe do estreante Marko Marin, que levou muito perigo à meta de Courtois. Durante um tempo e meio, o Sevilla deixou o Atlético de Madrid em um cenário de desconforto. No entanto, a experiência de uma equipe mais rodada e melhor trabalhada pesou no final. Os gols de Diego Costa e Cebolla Rodríguez mataram os nervionenses e decretaram a vitória colchonera por 3×1 no Pizjuán. Nada, porém, que abalasse Unay Emery. O treinador sabe que tem muito a trabalhar, mas também sabe que tem um elenco bem promissor em mãos, capaz de fazer uma boa temporada, após duas inócuas.

No sábado, o novo Málaga saiu do Mestalla derrotado pelo Valencia. A equipe de Schuster mostrou em apenas um jogo que o time de Manuel Pellegrini é definitivamente passado. O time de 2013/2014 não tem o talento de Isco, Joaquín, Toulalan, Júlio Baptista e Saviola. Comparando o onze habitual da temporada passada com o que estreou na Comunidade Valenciana, é um time totalmente novo. Taticamente, Schuster foi a campo num 4-1-4-1 bem compacto, substituindo inclusive o estilo de jogo ofensivo e leve por um mais pragmático, decorrente dos novos jogadores. A grande ironia ficou por conta de Willy Caballero. O melhor goleiro da temporada passada saiu mal do gol após uma cobrança de escanteio e deixou a bola livre para Ricardo Costa marcar e definir a vitória magra dos blanquinegros. O que se viu nos 90 minutos, porém, foi uma boa atuação blanquiazul, ao seu estilo, claro. 

Outro andaluz, o Bétis teve atuação notável no Santiago Bernabéu. A defesa adiantada e a pressão na saída de bola merengue (que mostra a falta que Xabi Alonso faz à equipe) surpreenderam o Real Madrid, que foi amplamente dominado na primeira etapa. Para sair da emboscada preparada pelo competente Pepe Mel, Ancelotti mudou radicalmente após o intervalo. Abriu o time colocando Di María no lugar de Ozil, deslocou Cristiano Ronaldo, preso à área verdiblanca nos primeiros 45 minutos, à sua posição natural pela ponta direita e deu liberdade para Isco chegar à área. O resultado foi uma grande atuação do jovem espanhol, autor do gol da vitória. O Bétis não tem muito o que lamentar: se comportou relativamente bem em sua primeira prova de fogo, saiu de Madrid com a moral alta e encontrou em Verdu um jogador capaz de substituir Beñat. A atuação de Cedric, que levou o sistema defensivo merengue à loucura no primeiro tempo, ilusiona.

Por outro lado…
Já é possível cravar que a temporada do Osasuna promete ser bem longa, novamente. Os rojillos foram dominados pelo Granada no Reyno de Navarra e evidenciaram um problema que dura desde a temporada passada: o fraco sistema ofensivo. Desde a saída de Pandiani e Aranda que o Osasuna não conta com um atacante confiável. O time carece de um meia cerebral no meio-campo e, consequentemente, encontra problemas para criar situações perigosas de gols. Quando a ocasião aparece, esbarra na falta de poder de fogo de seus finalizadores, quase sempre Ariel Nuñez ou Armenteros.

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Jornalista, carioca e apaixonado pela Liga Espanhola desde a época em que Rivaldo, Zidane, Figo e Raúl foram seus professores. Colaborou para o programa [email protected] da Rádio Globo São Paulo falando sobre o futebol do país das touradas. Repórter da Super Rádio Tupi.