Botafogo de Futebol e Fatia$

  • por Matheus Mandy
  • 7 Anos atrás

Sem grana, Glorioso fatia jogadores e ganha menos de 50% do que deveria.

Foto: reprodução - A jovem sensação do Botafogo acertou sua saída para o Futebol Russo.

Foto: reprodução – A jovem sensação do Botafogo acertou sua saída do clube.

Sensação da temporada do futebol brasileiro neste ano, o Botafogo sofreu um duro golpe nesta segunda com a saída do meia-atacante Vitinho para o CSKA Moscou, da Rússia. O Doentes Por Futebol fez um levantamento das negociações do Glorioso com o exterior nesta temporada, e constatou que elas poderiam ter sido bem mais benéficas ao clube se não fosse forma de lidar com os direitos dos atletas que o time vem adotando.

Com a política de fatiar atletas para obter recursos e assim tentar manter a casa em ordem, a medida faz com que o Alvinegro ganhe menos da metade do que deveria de fato. Não entendeu? A gente explica.

Em janeiro, o clube negociou Elkeson com o Guangzhou, da China por R$ 17 milhões. Em fevereiro, o segundo titular foi negociado: o lateral Márcio Azevedo rumou ao Metalist, de Ucrânia por aproximadamente R$ 7,2 milhões. Com o título carioca e a boa campanha na temporada, o volante Jadson também saiu e com destino à Udinese, da Itália, foi negociado por R$ 8 milhões.

Durante a parada para a Copa das Confederações, foi a vez dos meias Fellype Gabriel (Sharjah, dos Emirados Árabes) e Andrezinho (Teeda, da China). O primeiro saiu R$ 13 milhões e o segundo por R$ 8,8 milhões.

Foto: Lance! - Andrezinho ainda no Botafogo.

Foto: Lance! – Andrezinho ainda no Botafogo.

Agora, nesta segunda, o então vice-líder do Brasileirão perdeu uma das maiores revelações do time nos últimos anos. Por uma tentadora proposta de R$ 31 milhões, foi impossível segurar o meia Vitinho, que acabou indo para o CSKA Moscou.

Olhando por alto, o Botafogo teve uma receita absurda: R$ 85 milhões em transferências.

Mas, por causa do fatiamento, o clube nem sempre fica com a maior parte. Nos casos de Elkeson, Márcio Azevedo e Jadson, o Botafogo era minoritário e faturou 35% na primeira negociação e 25% de cada uma das duas últimas.

Nos casos de Andrezinho e Fellype Gabriel, apenas metade ficou com o time carioca. Na negociação de Vitinho, o Glorioso era o “sócio-majoritário” e ficará com 60%.

Foto: reprodução - Fellype Gabriel, um dos jogadores que saiu do Botafogo este ano.

Foto: reprodução – Fellype Gabriel, um dos jogadores que saiu do Botafogo este ano.

Somando os ganhos nas negociações, R$ 39,3 milhões. Nem mesmo metade do que o clube poderia ter recebido se não tivesse fatiado os atletas a troco de alguns mil para tentar botar a folha salarial em dia.

Para se ter ideia de como a política é nociva ao clube, o atacante Caio, atualmente no Internacional, tinha apenas 4% de seu passe preso ao Botafogo.

Comentários

Nascido em Santo Antônio de Pádua, Mandy começou com jornalismo em 2004 e em 2010 se formou na área. Trabalhou na Inter TV da Globo em Campos, TV Record e foi editor de esportes da Folha da Manhã, maior jornal do interior do rio. Também trabalhou na assessoria de imprensa do Instituto Federal Fluminense e de clubes do Rio de Janeiro.