Botafogo minou a criatividade do Galo, mas não suportou pressão aérea

  • por João Vitor Poppi
  • 8 Anos atrás

O Atlético-MG buscou o empate por duas vezes. Dois gols em jogadas de bola parada – um deles uma pintura de Ronaldinho. A baixa criação de jogadas e a pressão na base do abafa e das bolas aéreas foram constantes do time mineiro no jogo. Algo que não é estranho para os adversários do Botafogo de Oswaldo de Oliveira.

Marcelo Mattos não deu trégua para Ronaldinho. Gabriel saía para combater Josué, quebrando a organização e a fluidez por trás da linha de três do 4-2-3-1 de Cuca. Como sempre faz quando adota uma estratégia de contragolpear, o alvinegro carioca se compactou com a volta dos meias-extremos, formando duas linhas de quatro. Os dois jogadores mais adiantados pelo centro voltavam bem próximos à segunda linha do meio. 

Rafael Marques e Vitinho, abertos pela esquerda e direita respectivamente, combatiam os laterais adversários. Lodeiro e Elias, pelo centro, apertavam a marcação sobre Pierre e os zagueiros. A ideia era realizar uma marcação preventiva, ou seja, não marcar a partir de Ronaldinho, mas sim da bola direcionada a ele e dos pontas Luan e Tardelli.

Botafogo se defendeu com duas linhas de quatro e apertou a marcação pelo centro com Lodeiro e Elias

Botafogo se defendeu com duas linhas de quatro e apertou a marcação pelo centro com Lodeiro e Elias

O gol de Elias, aos 15 minutos, permitiu que Botafogo se apoiasse sobre sua postura tática, baseada no 4-4-2 com linhas e voltada para o contra-ataque, que não encaixava. Lodeiro jogou na posição de Seedorf, o segundo homem mais adiantado por dentro, e conseguiu dar ao time movimentação semelhante, mas faltou a cadência do holandês após os desarmes. Com isso, a troca de passes e triangulações para armar os contragolpes foram ficando de lado, dando lugar aos passes longos. Estes só foram dar resultado efetivo na segunda etapa, quando o jogo já estava empatado.

No segundo tempo, o Galo adiantou ainda mais o posicionamento. Soltou totalmente os laterais, aumentou a frequência das jogadas de linha de fundo, mas ficou com os setores descompactados.

Vitinho e Lodeiro inverteram o posicionamento. A cria da base botafoguense jogou por dentro, colocando mais velocidade, drible e verticalidade na bola longa, que começou a encaixar. 
Lodeiro recebeu de M. Mattos pela direita e fez um belo gol. O empate do Atlético-MG só chegou nos acréscimos, com Luan. 

O Botafogo fez boa partida. Se posicionou na retaguarda e realizou ótima marcação sobre o adversário. Minou todo sistema de criação do time mineiro. Sentiu falta de Seedorf (muito menos do que o esperado) para reter mais a bola e quebrar a pressão na base da bola aérea do time de Cuca, que, de tanto insistir, conseguiu pontuar na tabela.

Novamente, o Galo ficou devendo futebol. Consequência da conquista da Libertadores, mas também mérito do Botafogo e dos outros adversários, que coloram antídotos nas principais características do alvinegro mineiro. Com Marcos Rocha pressionado, ficou claro que faltaram ultrapassagens e aproximação pelos lados; quando Josué recebe o combate ainda na raiz das jogadas, não tem quem organize o jogo do Galo por trás e fure defesas fechadas se projetando à frente, o que Cuca tentou modificar com a entrada de Rosinei no segundo tempo. As poucas jogadas na diagonal deixaram o time mineiro muito previsível. Bernard, vendido ao Shakhtar-UCR, era quem dava esse tipo de movimentação com muita qualidade ao time. Luan precisará buscar mais o jogo e Tardelli flutuar entre os setores dos adversários e ser o homem de infiltração. Fernandinho, recém-contratado, poderá dar mais mobilidade ao 4-2-3-1, caso seu futebol se assemelhe ao apresentado no Grêmio Barueri, mas isso fica no campo das hipóteses.

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Acadêmico de Jornalismo. Analista Tático. Redator na DPF e na Vavel Brasil.