CBF e seu descaso com o calendário brasileiro

  • por Claudemir Padilha Jr
  • 8 Anos atrás

“Mais uma vez, o calendário prejudica os times. É impossível manter um futebol de qualidade com um jogo atrás do outro. E penso que, se neste ano está assim, no ano que vem, com a Copa do Mundo, será ainda pior”, profetizou acertadamente Márcio Della Volpe, presidente da Ponte Preta. Pouco depois de anunciar que alguns clubes terão que enfrentar uma maratona de jogos em sequência, a CBF ameaça tirar a pré-temporada dos clubes no ano que vem por conta da Copa do Mundo.

José Maria Marin, presidente da CBF (Foto: Reprodução)

José Maria Marin, presidente da CBF (Foto: Reprodução)

Segundo o blog do jornalista Rodrigo Mattos, o início previsto dos campeonatos estaduais está entre os dias 5 ou 8 de janeiro para conseguir encaixar as competições regionais, a Libertadores e o Brasileiro antes do recesso do Mundial. Para se ter um comparativo, em 2013, os elencos dos clubes brasileiros se reapresentaram para a pré-temporada por volta do dia 3 de janeiro. Os campeonatos paulista e carioca tiveram sua primeira rodada nos dias 20 e 19 de janeiro, o que lhes deu, aproximadamente, 16 dias de treinamento antes de uma partida oficial (tempo já considerado curto pelos clubes).

A última rodada do Campeonato Brasileiro de 2013 está marcada para 8 de dezembro, um mês antes da provável estreia dos estaduais.

Agendamento das partidas adiadas

A CBF anunciou, na terça-feira passada, as novas datas das partidas adiadas por conta das excursões internacionais de Santos e São Paulo e da disputa da fase final do Atlético-MG. De acordo com esse agendamento, Atlético-MG, Internacional, Náutico, Ponte Preta, Santos e São Paulo terão que encarar uma sequência de jogos com apenas um dia de intervalo entre uma partida e outra.

O único clube que não se pronunciou contra foi o Atlético-MG, que sabia das consequências quando pediu para a CBF que seu jogo contra a Ponte Preta fosse adiado. Isso não isenta a instituição de culpa, uma vez que o time campineiro nada teve a ver com a final da Libertadores e também está sendo prejudicado.

A Fenapaf (Federação Nacional dos Atletas Profissionais) foi acionada para entrar na Justiça comum contra a medida. O argumento que será apresentado é que, segundo a norma orgânica do futebol brasileiro, de autoria da própria CBF, deve haver um intervalo de no mínimo 66 horas entre uma partida e outra, que pode ser reduzido para 44 horas caso haja consentimento de ambos os clubes envolvidos. No regulamento do campeonato brasileiro, há a reprodução desse texto, com exceção da parte em que é necessária a aprovação dos clubes.

“Tem que cumprir as 66 horas. A lei orgânica é superior ao regulamento de competições. Já tivemos problemas sérios com a CBF porque a mudança acontece de última hora e não tivemos tempo de explicar para o juiz a norma. Mas vamos procurar os sindicatos locais e vamos buscar juridicamente essa questão”, afirmou o vice-presidente da Fenapaf, Alfredo Sampaio.

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Do interior de SP e com 21 anos nas costas, é apaixonado por futebol desde os 8.