Cristóvão e o Racismo no futebol

  • por Osmar Júnior
  • 7 Anos atrás

Por Bráulio Silva de Fátima

Vira e mexe, atos de racismo no futebol tomam conta dos noticiários. Atitudes reprováveis, levam o esporte ao mais baixo nível que possamos imaginar.

Foto: pictures.zimbio.com | Uruguaios e ganeses exibem faixa contra o racismo na Copa de 2010

Foto: pictures.zimbio.com | Uruguaios e ganeses exibem faixa contra o racismo na Copa de 2010

A prática mais comum é o racismo velado. Aquele que é praticado nas atitudes mas que não é escancarado. Talvez seja o que mais machuca a vítima. Um exemplo, é a ausência de treinadores negros no futebol brasileiro. 

Quando saiu do Flamengo, em 2002, Lula Pereira disse que era vítima de preconceito. Afirmação que tornou a fazer em março de 2013, em entrevista para a revista Placar. Vítima de racismo ou não, Lula, que fez estágio em grandes times da Europa e que rodou por diversos clubes do Brasil, está desempregado desde março de 2012.

Outro treinador que não teve oportunidades foi Andrade. Eterno auxiliar no Flamengo, o ex-meia teve a chance de dirigir o rubro-negro em algumas ocasiões. Na mais significativa delas, comandou a equipe até o improvável título do Brasileirão de 2009. Mesmo sendo ídolo da torcida e após tirar o time de um jejum de 17 anos sem a sonhada conquista, foi demitido em abril de 2010. De lá pra cá, dirigiu Brasiliense, Paysandu e Boavista.

No campeonato Brasileiro deste ano, o treinador que chama a atenção é Cristóvão Borges. Negro, Cristóvão jogou profissionalmente por 17 anos, iniciando no Bahia em 1977 e encerrando a carreira no Rio Branco de Americana no ano de 1994. Após a aposentadoria, foi ser auxiliar técnico de Ricardo Gomes, com quem trabalhou na seleção Pré-Olímpica de Futebol, no Coritiba e também no Vasco.

Quando o ex-zagueiro sofreu um AVC durante uma partida contra o Flamengo, Cristóvão assumiu o comando da equipe interinamente. Com bons resultados, chegou a figurar entre os líderes. A vaga na Libertadores já estava garantida com o título obtido na Copa do Brasil daquele ano.

O treinador foi mantido no cargo, mas todos os elogios eram direcionados para Ricardo Gomes. O Vasco fez uma boa campanha no estadual, quando foi vice-campeão nos dois turnos. Na Libertadores, caiu num duelo equilibradíssimo diante do Corinthians, que se tornou o campeão da competição. Em crise, o time cruz-maltino começou a perder bons jogadores e o treinador foi demitido com o Vasco em 4º lugar, após uma derrota em casa para o Bahia.

Foto: lancenet.com | Cristóvão Borges, o grande responsável pela bela campanha do tricolor baiano em 2013

Foto: lancenet.com | Cristóvão Borges, o grande responsável pela bela campanha do tricolor baiano em 2013

Demitido, o treinador procurou se aprimorar. Fez cursos, pesquisou e o convite para retornar a um clube da elite surgiu em outro time em crise: o Bahia, que vive uma crise política e que o revelou como jogador nos anos 70 foi o caminho escolhido pelo técnico. No começo, insegurança. Após a pausa para a Copa das Confederações, o time acumula três vitórias seguidas e cinco jogos sem perder, o que alavancou a equipe para a quinta posição no campeonato.

Daqui a pouco Cristóvão poderá não estar no Bahia. Como que irão agir os grandes clubes? Darão outra oportunidade ao promissor treinador?

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Nascido e residente em Araxá/MG. Apaixonado por esportes em geral, dedica boa parte de seu tempo acompanhando futebol. Tem um carinho todo especial por histórias de equipes alternativas e times de divisões inferiores. Nas horas vagas, relaxa praticando mountain bike.