Dez novelas para acompanhar com atenção

1. E o zagueiro do Barcelona?

A única certeza: não dá para contar com Puyol sempre em boas condições físicas.

A única certeza: não dá para contar com Puyol sempre em boas condições físicas.

 

Não é normal, numa semifinal de Champions League, um placar agregado de 7×0. Menos normal ainda se a vítima desse verdadeiro estupro é o temido e poderoso Barcelona, o clube de Xavi, Iniesta e Lionel Messi, o melhor jogador do mundo. No entanto, foi esse o tamanho da derrota sofrida pelos culés. Um quatro a zero duro na ida, e um três a zero inapelável na volta, em pleno Camp Nou, fizeram desmoronar a fantasia do time que tem encantado o planeta nos últimos anos. Pela primeira vez em muito tempo, o Barça era vaiado pela sua própria torcida.

Isso não significa, porém, que o encanto tenha acabado: a eliminação foi sofrida e até mesmo surpreendente, pela forma como ocorreu. Mas qualquer análise das circunstâncias apontará para um fator comum: as carências do elenco azul-grená, principalmente no setor defensivo. Puyol, o leão indomável e capitão supremo, já não conta mais com sua plena condição física, enquanto Piqué tem caído de rendimento (por questões individuais e coletivas). Afora os dois titulares da zaga, tudo de que o Barcelona dispunha para o setor eram os serviços do combalido Abidal, do inexperiente Bartra e dos improvisados Mascherano e Adriano. A situação de penúria defensiva (além, é claro, da lesão de Messi) transformou em um passeio o que prometia ser um confronto equilibrado entre as duas melhores equipes do mundo, e escancarou as enormes deficiências da retaguarda barcelonista. Desde então, a contratação de um zagueiro se tornou uma obsessão para a diretoria do clube.

Entretanto, o Barcelona certamente não esperava lidar com tantas dificuldades no mercado. O alvo preferencial era Thiago Silva, logo descartado pelos altíssimos valores do negócio. Marquinhos, promissor zagueiro brasileiro que atuava pela Roma, foi durante muito tempo especulado pelos jornais catalães, mas terminou optando pelos petrodólares do PSG. Agora, os nomes em pauta são os de David Luiz e Daniel Agger, do Liverpool. Enquanto o brasileiro parece cada vez mais distante de Barcelona, após os rumores de que o Chelsea só aceitaria negociá-lo por € 50 milhões, o dinamarquês do Liverpool parece um alvo mais acessível, que poderia ser contratado por um investimento de cerca de € 20 milhões. Luiz Gustavo, apesar de volante, é outro brasileiro cujo nome tem sido ventilado, graças à sua versatilidade e, principalmente, à sua disponibilidade em se transferir.

Pode até mesmo não chegar zagueiro nenhum – e foi esta a solicitação do técnico Tata Martino para o caso de não haver no mercado um defensor dentro das condições econômicas do clube. David Luiz, Agger, ou mesmo os canteranos Bagnack e Bartra: seja qual for a solução escolhida pelo Barcelona, a certeza da torcida é que o clube terá grandes dificuldades para alcançar mais uma vez o topo, enquanto não resolver as carências de seu elenco.

ATUALIZAÇÃO – 02/09 – O REFORÇO É PUYOL: Essas foram as palavras do próprio treinador Martino, que desistiu de contratar um jogador para a posição após as recusas de Thiago Silva, David Luiz e Agger. O clube não pode afirmar, no entanto, que não havia opções no mercado: faltou criatividade para buscar uma solução, um traço já bastante característico do Barcelona na gestão Rossell. A iminente volta do veterano zagueiro, somada às boas atuações de Bartra e Bagnack na pré-temporada, deve provocar um fim de janela tranquilo na Catalunha.

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Jornalista recifense, sócio-diretor do Doentes por Futebol, editor da Revista Febre. Curioso observador de tudo o que cerca o futebol brasileiro e internacional.

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