DPF Entrevista: Fabiano “Chokito”, técnico de futsal do Sport Recife.

  • por Henrique Souza
  • 7 Anos atrás
Foto: Reprodução - Chokito é um dos maiores técnicos de futsal de Pernambuco.

Foto: Reprodução – Chokito é um dos maiores técnicos de futsal de Pernambuco.

Fabiano Souza é um dos treinadores de futsal mais conceituados de Pernambuco. Chokito, como é conhecido, também atuou como jogador antes de se tornar técnico. Com passagens por equipes como Náutico, Universo, Seleções Pernambucanas de diferentes categorias e Tigre, onde chegou a disputar a Taça Brasil, é também professor na Universidade de Pernambuco. Desde o início do ano no comando do Sport, Chokito fala sobre sua carreira, visão sobre o futsal e a situação do esporte em Pernambuco nesta entrevista exclusiva do Doentes por Futebol.

Doentes Por Futebol: O que mudou no futsal da sua época de jogador para a de técnico?

Chokito: De 20 anos atrás pra hoje, a forma de treinar mudou. Hoje, ocupando a posição de treinador, procuro ministrar os treinos dentro de algumas situações que compreendo mais atualizadas, mais contextualizadas no que é o jogo em 2013, diferentemente do que era o jogo em 1993, há 20 anos. E outra situação que muda é do ponto de vista da própria concepção de jogo. Tínhamos uma regra que fazia o jogo de outra forma, hoje a regra leva ao jogo de outra maneira, os interesses das pessoas que vão praticar a modalidade também mudam, o nível de compreensão, de inteligência de quem joga, que vai sofrendo influências também dessas mudanças. São mudanças históricas, naturais, e precisamos estar atentos e sensíveis a essas situações, senão o seu exercício profissional acaba não sendo pleno, não sendo tão bom.

DPF: Como está o quadro atual do futsal profissional em Pernambuco? Quais as principais dificuldades que o futsal em Pernambuco vem enfrentando no momento?

Chokito: Eu teria inclusive muito cuidado sobre essa situação de chamar de “profissional”. Infelizmente não temos em Pernambuco hoje uma estrutura profissional para trabalhar. Temos algumas instituições, e eu vejo o Sport como uma destas, que se propõem a construir essa estrutura. Uma estrutura não apenas relativa à presença de recursos financeiros, eles são necessários, mas também é preciso ter uma estrutura física, é preciso ter uma condição material, é preciso ter fundamentalmente uma postura profissional por parte de comissão técnica, de dirigentes, de atletas, todas essas pessoas que acabam compondo esse sistema humano que faz parte do futsal.

DPF: Como fazer para conciliar a carreira de treinador com a de professor?

Chokito: Na verdade, eu tento fazê-las complementares, porque, inclusive, estamos tentando estudar e pesquisar sobre algumas coisas referentes à tática, à tomada de decisão, como é que as informações se processam, discutir isso também na sala de aula, quando tentamos trazer uma contribuição para a formação profissional. E o espaço de quadra é onde podemos aplicar todas essas situações, então eu diria que é um laboratório vivo, um espaço onde todas as situações que podem acontecer quando o conhecimento está sendo colocado à prova acontecem efetivamente. Então, na verdade ao invés de identificar como uma dificuldade, eu vejo isso como uma grande oportunidade e procuro estar atento para que essa oportunidade seja aproveitada pra que eu exerça melhor a condição de treinador e exerça melhor a condição de professor. Essa é uma busca.

Foto: Reprodução - Chokito é treinador de futsal e professor.

Foto: Reprodução – Chokito é treinador de futsal e professor.

DPF: Fale um pouco sobre o estilo de jogo que você busca imprimir nas suas equipes.

Chokito: Uma situação que precisa ficar clara é que os conceitos de jogo, como falamos antes, vão sofrendo alterações e precisamos estar atentos à essas alterações, mas não se pode desprezar a característica do grupo que temos. Hoje, o que se tem jogado é um jogo mais alongado, uma defesa mais agressiva no sentido de brigar constantemente pra recuperar a bola. Esse é um conceito que tem mudado, porque antes se achava que a defesa era pra proteger e não levar gols, e na verdade o primeiro objetivo da defesa tem que ser a intenção de recuperar a bola, então tentamos levar como proposta de jogo para a equipe uma situação de muita dinâmica, onde os atletas têm a possibilidade de tomar decisões, que os nossos ataques sejam feitos com os 5 jogadores participando, inclusive os goleiros, com a perspectiva de uma dinâmica grande onde todos possam desenvolver diversas funções. E do ponto de vista defensivo, é necessário que efetivamente tenhamos a materialização dessa situação de recuperar a bola, e ao recuperá-la tenhamos uma rápida organização pra tentar pegar a defesa adversária desequilibrada.

DPF: Pensa em trabalhar em outro estado?

Chokito: Não vou te dizer que isso não é algo que habite meus pensamentos e meus desejos, claro que sim. Neste momento, eu preciso dar conta de alguns projetos profissionais e pessoais que estão em andamento, por exemplo, a continuação da minha formação profissional, minha vida acadêmica como docente, então vejo que essas situações acabam me deixando mais preso aqui em Pernambuco. Mas não estou reclamando, ao contrário, vejo isso com muito prazer, porque gosto muito do que faço. Surgindo a oportunidade, obviamente pensaria com carinho, se ela eventualmente surgisse, porque todos nós que trabalhamos com treinamento gostaríamos de disputar uma Liga Nacional, por exemplo. O Brasil é o atual heptacampeão do mundo, então poderíamos projetar que a nossa liga nacional está entre as melhores competições de clubes do planeta. Então eu tenho esse desejo, mas agora um desejo pé no chão, sabendo que há esses outros elementos e que, se eventualmente surgir uma oportunidade, terei que pensar com carinho, estabelecer uma relação de prioridades, pra daí seguir adiante.

DPF: Qual o momento mais marcante da sua carreira?

Chokito: Um dos momentos mais marcantes da minha carreira como treinador foi a primeira conquista, em 1991, com a equipe infantil do Santa Cruz. Nesse momento eu ainda jogava, e tive a oportunidade (eu estava no curso de Educação Física e o colega que dirigia a equipe no 1º turno se afastou) e os atletas fizeram uma opção por eu comandá-los naquele momento, e foi uma coisa muito legal, porque houve uma harmonia, uma energia muito positiva que resultou na conquista daquele campeonato. O primeiro passo de uma caminhada é algo muito marcante, então esse foi um momento muito marcante na minha carreira. Inclusive hoje, eu estou tendo a oportunidade de dirigir aqui no Sport Club do Recife, na equipe adulta, um dos atletas que esteve compondo aquela equipe de 1991 no Santa Cruz, Manoel Henrique.

DPF: Quais as perspectivas do Sport para o 2º semestre de 2013?

Chokito: Bem, nós tivemos uma mudança grande no elenco da Copa Pernambuco pra cá, competição que vencemos. Oito atletas que saíram, chegaram outros tantos, e esses outros que chegaram são oriundos das categorias de base, do sub-17 e do sub-20. Então primeiro temos um desafio grande de recuperar uma condição mais equilibrada, mais homogênea de jogo. Mas é uma garotada com muito potencial, então não vejo isso como um problema. Entendo como algo que precisa de um pouco de trabalho, mas com o passar do tempo, até porque essa primeira fase é longa, tendemos a conseguir essa situação. Obviamente que nossos objetivos passam por, ao atingir essa competitividade, brigarmos pelo título do estadual e assim, em 2014, poder disputar as competições regionais e nacionais, representando o estado de Pernambuco.

DPF: Quais os planos para a sua carreira no futuro?

Chokito: Eu gostaria na verdade, de solidificar essa condição aqui em Pernambuco. Se você me perguntar qual seria a opção, seria continuar no estado e termos aqui uma estrutura cada vez mais profissional e competitiva fora da quadra com relação às equipes de fora. Porque dentro da quadra, a forma como jogamos, conseguimos estabelecer conceitos muito próximos daqueles que são praticados no sul e no sudeste do país. Então os planos passam por solidificar essa condição profissional em Pernambuco. Nesse momento, a bola da vez é o Sport e eu estou plena e inteiramente dedicado ao clube, do ponto de vista do treinamento; e dar sequência com relação à minha formação acadêmica. Estou cursando o mestrado em neuropsiquiatria na UFPE. Concluir esse curso, ingressar no doutorado e seguir também com a vida acadêmica, pra tentar trazer alguma contribuição para a formação profissional e disseminar, talvez, uma forma de trabalhar, uma concepção de treinar cada vez mais apurada, que possa realmente facilitar pra garotada que vem vindo aí em Pernambuco, que é realmente de muito potencial.

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Doente por futebol desde que se conhece por gente. Formado em Educação Física e estudante de jornalismo. Apaixonado por jogos e times clássicos. Considera Zidane, Ronaldo, Romário e Messi os maiores que viu jogar.