Eles não aprendem

  • por Doentes por Futebol
  • 8 Anos atrás

Texto Original de: Futebol Espanhol (autoria de Pedro Pedroso)

Pela nona vez em sua história o Atlético de Madrid vai disputar a UEFA Champions League. Os colchoneros terminaram a temporada espanhola em terceiro lugar, obtendo a vaga direta para a maior competição interclubes do mundo. A melhor campanha foi realizada em 1974, quando o Atlético dominava o cenário espanhol e fez a final contra o Bayern de Munique. Após o empate no primeiro jogo, com os espanhóis tomando o gol de Schwarzenbeck no último minuto de jogo, os alemães massacraram por 4×0 na partida desempate.

Foto: dailymail.co.uk | Atlético de Madrid perde a final da UCL de 1974 para o Bayern de Munique

Foto: dailymail.co.uk | Atlético de Madrid perdeu a final da UCL de 1974 para o Bayern de Munique

Incrivelmente a equipe tem o costume de gastar muito dinheiro – nem sempre muito bem – mas diminuir estes gastos quando chega para a disputa da UCL. Repassaremos as últimas campanhas e contratações dos rojiblancos.

Na temporada 2008/2009, o Atlético voltava à Champions após mais de uma década fora da competição. Com a base montada em 2007, quando foi um dos clubes que mais gastou na Europa, o Atléti foi ao mercado com a missão de reforçar apenas alguns pontos da equipe. Para a zaga o eleito foi Heitinga, uma das promessas que ainda restavam no Ajax. O holandês não vingou no Vicente Calderón, onde durou apenas uma temporada. Ujfalusi chegou para a lateral direita, um dos poucos a se firmar na equipe. Paulo Assunção veio a custo zero do Porto. Coupet, Banega e Maniche (este último retornava de empréstimo da Internazionale) completaram o pacote de contratações para a Champions. O Atléti caiu no grupo D, juntamente com Liverpool, Marseille e PSV. Obteve a classificação para a fase seguinte, onde enfrentou o Porto, e após dois empates ficou de fora pelos gols marcados pelo Porto na Espanha. Acabava nas oitavas de final a aventura europeia dos índios.

Foto: pictures.zimbio.com | Cléber Santana disputa lance com o 'luso-brasileiro' Deco

Foto: pictures.zimbio.com | Cléber Santana disputa lance com o ‘luso-brasileiro’ Deco

No ano seguinte, a equipe voltaria a se classificar para a UCL. Novamente contrataria abaixo do que deveria. Com a lenda Abel Resino no comando da equipe, o Atléti buscou Juanito no Bétis, na tentativa de tornar a equipe experiente. Trouxe Asenjo e Cabrera, jovens que demonstravam potencial, assim como Salvio, trazido na tentativa de repetir o sucesso de Aguero. Para o centro do campo foram contratados Tiago Mendes e Cléber Santana. Os erros continuaram a acontecer durante a competição, quando na fase de grupos, após uma derrota por 4×0 perante o Chelsea, demitiram Abel Resino e contrataram Quique Sánchez Flores. A equipe sentiu o baque, e terminou em terceiro no grupo, com apenas três pontos e nenhuma vitória. O Atléti terminaria a temporada com seu primeiro título da Europa League.

Na temporada 1996-97 mais um dos casos que tornaram o Atlético um “pupas”, apelido para café com leite, numa tradução mais grotesca. O Atléti era o atual campeão espanhol e vinha da histórica temporada do doblete. Terminou a fase de grupos em primeiro, à frente do Borussia Dortmund, que se consagraria campeão. Mas nas quartas de final encontrou o Ajax. Após o empate em 1×1 na Espanha, os colchoneros perderam por 3×2 em Amsterdam. Detalhe para o gol que deu a classificação aos holandeses: Carlos Aguilera, histórico lateral direito da equipe perdeu sua lente, deixou o campo para poder recolocá-la, e exatamente na faixa de campo onde ele estava se originou o gol. Naquela temporada o Atléti havia contratado o próprio Aguilera, que passou três temporadas no Tenerife, o argentino Esnaider, que estava no rival de Madrid, Pablo Alfaro, que mais tarde faria sucesso no Sevilla, o tcheco Radek Bejbl do mítico Slavia Sofia da metade dos anos 90, e Daniel Prodan, romeno que veio do Steua Bucarest.

Nas outras temporadas aconteceram eliminações marcantes. O Ajax já havia aparecido antes no caminho do clube de Manzanares, na temporada 1970-71 quando os holandeses tinham um dos melhores times do mundo. O encontro aconteceu na semifinal, após vencer o primeiro jogo por 1×0 na Espanha, o Atlético não pôde segurar o embrião da laranja mecânica e, com um acachapante 3×0, viu o sonho ir embora mais uma vez. Naquela temporada a única contratação foi a do meio campista Joaquin Peiró, um dos maiores jogadores da história do clube, mas que já estava em fim de carreira após oito temporadas na Itália. Já na temporada 1966-67, o Vojvodina barrou os espanhóis nas oitavas de final.

Foto: Reprodução | Demichelis chega para reforçar o setor defensivo do Atlético

Foto: Reprodução | Demichelis chega para reforçar o setor defensivo do Atlético

Na atual temporada, o clube também peca nas contratações e corre o risco de não reforçar a equipe tão bem para a disputa da Champions. O brasileiro Léo Baptistão chega após boa temporada no mediano Rayo Vallecano, mas não parece pronto para segurar a barra numa competição como a UCL. Chegou também Martín Demichelis vindo do decadente (financeiramente) Málaga, este sim com experiência para acalmar os nervos em momentos de apuros. A grande expectativa está depositada em David Villa, vindo do Barcelona, que possui a responsabilidade de substituir ninguém menos que o ídolo Radamel Falcao García. Futebol de craque o atacante possui, apesar de parecer esquecido há algumas temporadas.

O Atlético quer ser grande, mas não sabe como lidar com a grandeza.

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