História da Bola de Ouro – Parte IX

  • por Igor Leal da Fonseca
  • 7 Anos atrás

Aqui você encontrará todos os vencedores das edições anteriores.

No fim dos anos 80 e durante quase toda a década de 90, o Calcio foi a liga nacional dominante na Europa. Foram nove finais de Liga dos Campeões e outra nove finais de Copa da UEFA, atual Liga Europa. Tal domínio se refletiu também nas premiações individuais, com oito Bolas de Ouro sendo conquistadas por jogadores que atuavam em clubes na Itália. Vamos aos premiados no período 1988-91.



1988

1 – Van Basten

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Van Basten ergue o troféu da Euro 88

2 – Gullit

3 – Rijkaard

Mantendo a tradição de dar grande peso à disputa da Eurocopa, a Bola de Ouro foi entregue a Van Basten, que foi artilheiro e campeão da competição disputada na antiga Alemanha Ocidental. Van Basten decidiu a semi contra os donos da casa com um gol aos 88’ e na final fez um dos gols mais bonitos da história ao acertar um chute sensacional com pouco ângulo e matar o jogo contra a U.R.S.S. Em segundo lugar, outro holandês, também do Milan: Gullit ficou com a segunda posição. Rijkaard terminou em terceiro, estabelecendo um recorde que dificilmente será superado: os três primeiros lugares foram ocupados por jogadores do mesmo país e do mesmo clube.


1989

1 – Van Basten

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Van Basten e Gullit levantam o troféu da Liga dos Campeões 88/89

2 – Baresi

3 – Rijkaard

Voando pelo Milan (artilheiro na conquista da Liga dos Campeões), não foi difícil para Marco garantir o Bi. O segundo colocado foi outro italiano, também do Milan: a lenda Baresi. Desde Ivo Viktor, em 1976, que um defensor não figurava entre os três primeiros na renomada premiação – lateral de origem, Breitner foi o segundo em 1981, mas já havia migrado para o meio-campo. Em terceiro, novamente Rijkaard, também do Milan. Eram anos dourados para o Rossonero e para o Calcio.

1990

1 – Matthaus

Matthaus 1990

Capitão da Alemanha em 1990, Matthaus foi o Bola de Ouro do ano.

2 – Schillaci

3 – Brehme

Ano de Copa do Mundo, existia uma enorme expectativa pela atuação da Holanda por conta da presença mais que confirmada do trio do Milan. Mas a Holanda decepcionou na competição, sendo prematuramente eliminada pela Alemanha, nas oitavas de final. O time de Van Basten terminou a Copa sem qualquer vitória em 4 jogos e o lendário atacante saiu “zerado” da competição. Com a péssima performance da Holanda, o prêmio foi conquistado por Lothar Matthaus, que liderou a Alemanha rumo ao título da Copa do Mundo. Em segundo terminou o italiano Schillaci, artilheiro da Copa do Mundo com 6 gols marcados. Brehme – autor do gol do título da Copa do Mundo – completou o pódio, mais uma vez formado apenas por jogadores que atuavam na Itália.

1991

1 – Papin

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Artilheiro da Liga dos Campeões 1900/91, o francês levou a Bola de Ouro

2 – Savicevic, Pancev, Matthaus

Depois de quatro anos de jogadores de times da Itália levando o prêmio, finalmente alguém de outra liga levou a Bola de Ouro. O premiado foi o francês Papin, que foi artilheiro da Liga dos Campeões 1990/91, competição em que terminou com o vice, após o Olympique de Marselha perder para o Estrela Vermelha nas penalidades. Em segundo lugar, uma situação curiosa: três jogadores terminaram empatados, com 42 pontos cada: os iugoslavos Savicevic e Pancev e o alemão Matthaus. Savicevic e Pancev foram fundamentais na conquista da Liga dos Campeões pelo Estrela Vermelha, sendo o último o responsável pela cobrança de pênalti que garantiu o título. Matthaus foi indicado pela brilhante temporada pela Internazionale, quando anotou 23 gols e foi o principal responsável pela título da Copa da UEFA (atual Liga Europa) conquistado pela Inter, título esse que quebrou um jejum de 26 anos sem conquistas continentais do time de Milão.

Semana que vem seguimos com o domínio dos clubes italianos e traremos o primeiro título de um não-europeu na história. Até lá!

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33 anos, morador do Rio de Janeiro. Rubro Negro de coração, apaixonado pelo Maracanã, tem no Barcelona o exemplo de clube para o que entende como futebol perfeito, dentro e fora do campo. Estudioso da memória do futebol, tem nessa sua área de maior atuação no site, para preservar a memória do esporte. Dedica especial atenção aos times mais alternativos, equipes que tiveram grandes feitos, mas que não são tão lembradas quanto as maiores do mundo. Curte também futebol do centro e do leste da Europa, com uma coluna semanal dedicada ao assunto. Um Doente muito antes de fazer parte desse manicômio, sua primeira memória acadêmica é uma redação sobre o Zico, na qual tirou 10 e a mesma foi para o mural da escola. Nunca trabalhou com futebol dessa forma, mas adora o que faz junto com o restante do pessoal e se pergunta o porquê de não ter começado com isso antes. Espera recuperar o ''tempo perdido''. Acha Lionel Messi o melhor que viu jogar e tem em Zico, Petkovic e Ronaldo Angelim como heróis.