No meio do sufoco, a esperança

Foto: AFP/Getty Images - Meyer e Draxler mostraram do que são capazes contra o PAOK

Foto: AFP/Getty Images – Meyer e Draxler mostraram do que são capazes contra o PAOK

Atualmente, é difícil encontrar um torcedor do Schalke satisfeito com o rendimento de seu time no início desta temporada. Além do péssimo começo de Campeonato Alemão (um ponto em três jogos), os Azuis Reais suaram sangue para eliminar o PAOK na fase prévia da Liga dos Campeões. Os gregos, que só seguiram na competição por causa da suspensão do Metalist da Ucrânia, ofereceram mais resistência que o imaginado ao empatar em Gelsenkirchen e igualarem o marcador duas vezes em Salonica, antes de perderem por 3×2.

A grande maioria dos torcedores está ressabiada com o time e duvida muito da capacidade do técnico Jens Keller de fazer mais do que colocar o Schalke no decepcionante 4º lugar da Bundesliga, atrás de Bayern, Dortmund e Leverkusen e talvez nas oitavas de final da Liga dos Campeões.

Mas esse turbulento e agonizante 3×2 diante do PAOK também teve seu lado positivo. E não, não se trata da superação do time, que conseguiu dois gols jogando sem Jermaine Jones, expulso no meio da etapa final. Se trata de uma cena que pode se tornar rotineira nos próximos anos para o Schalke.

Aos 25 minutos do segundo tempo, Max Meyer, que estava em campo há dez minutos, carregou a bola pela esquerda e viu a movimentação de Ádám Szalai no ataque. Porém, mostrando uma grata visão de jogo, o garoto, que completará 18 anos em setembro, observou Julian Draxler escapando nas costas de toda zaga grega e o lançou. O novo camisa 10 do Schalke não tremeu na frente do goleiro Jacobo, o driblou e finalizou para o fundo das redes. Curiosamente, Meyer, pouco tempo depois de entrar, deixou o campo no minuto seguinte ao gol, dando lugar ao volante Neustadter, que entrou para recompor a saída de Jones.

Este tento tirou 600 toneladas das costas dos torcedores do Schalke. Com o 2×1 de desvantagem, os gregos necessitavam da virada para conquistar a classificação, mas, como todos já sabem, o PAOK até chegou ao empate, mas foram os alemães que saíram com a vaga, fechando o marcador em 3×2.

O Schalke pode não ter a força econômica do Bayern, nem a visão de mercado e poder de baratear suas contratações como o grande rival Dortmund, mas tem uma dupla em torno da qual se pode pode construir uma equipe.

Draxler e Meyer não são meras crias do clube, eles são torcedores do Schalke e guardam grandes sentimentos em relação a Gelsenkirchen. Draxler, por exemplo, já é uma realidade e desperta cobiça de diversos clubes do Velho Continente, mas declarou que, pelo menos agora, nem pensa em trocar de equipe.

Raúl, que vestiu a camisa azul real entre 2010 e 2012, foi um dos responsáveis pela ascensão do garoto, sempre lhe mostrando os atalhos das quatro linhas e se tornando um espelho para Draxler. Se hoje ele é uma referência para as crianças que jogam bola sonhando em algum dia vestir a camisa do Schalke, o Señor Raúl tem muitos méritos nisso.

Foto: Sport1 - Raúl foi um dos mentores de Draxler

Foto: Sport1 – Raúl foi um dos mentores de Draxler

Já Meyer carrega o peso das intensas comparações de seu futebol. Uns já o compararam a Messi (vale dizer que ambos têm 1,69cm), outros a Thomas Hassler (histórico jogador alemão dos anos 80/90) e, mais recentemente, a Mário Götze, cria do rival Borussia Dortmund.

O garoto de 17 anos, que não esconde sua idolatria a Messi, vem ganhando minutos com Jens Keller, técnico que ficou muito tempo treinando os times de base do Schalke e que agora recebe uma chance de se afirmar na carreira. Apesar do peso das comparações, Meyer parece não sentir tanto, como o passe para o segundo gol contra o PAOK pode resumir.

É claro que ter Meyer e Draxler não é a receita para um título que não vem há mais de meio século, mas cabe ao Schalke saber trabalhar esta situação. Basta observar melhor o mercado, fazer contratações cirúrgicas e montar um bom elenco de apoio para a dupla.

É fato, também, que isto não acontecerá da noite para o dia. Além dos recursos financeiros, falta um “algo mais” ao Schalke que faça com que grandes jogadores se sintam atraídos pelo clube e que não se transfiram para lá só porque não tem mais onde jogar. Tranquilo Barnetta e Felipe Santana, por exemplo, se encaixam nessa lista de atletas que já renderam o que tinham que render em seus clubes e que precisam de outro lugar para enganar. A contratação de ambos foi mais um ato de caridade dos Azuis Reais do que uma medida para reforçar o elenco.

Além disso, deve-se esperar o momento exato de Draxler e Meyer estourarem, principalmente o segundo, que ainda nem completou 18 anos. Paciência e inteligência serão os pontos-chave para o Schalke produzir mais esperança, como no segundo gol contra o PAOK, e menos sufoco.

Comentários

Uma mistura maluca de pessoa. Academico de jornalismo, catarinense de origens italianas e espanholas, mas apaixonado pela bola que rola na terra da Torre Eiffel e pela gorduchinha que pinta os gramados cheios de chucrute da Alemanha. Não escondo minha preferência por times que tem uniformes nas cores amarelas e pretas, mas sempre com análises bem embasadas... ou não. Mas acima de tudo, sou um Doente Por Futebol.