O homem de todos os continentes

  • por Osmar Júnior
  • 5 Anos atrás

Lutz Pfannenstiel pode não ser um grande conhecido do grande público. Mas saibam que ele é um mito do futebol. Em toda a sua alternatividade, conseguiu algo único: jogou em todas as confederações da FIFA. E só falta ele jogar na Antártida para ter disputado partidas em todos os continentes.

Lutz começou a carreira no Bayern de Munique. Com 17 anos, era tido como um goleiro promissor, mas não tinha muito espaço no time principal. Por isso, decidiu aceitar qualquer proposta para ser titular e poder jogar.

A primeira veio da Malásia. Poucos jovens teriam a coragem de aceitar, mas Lutz foi. E essa foi a tônica de sua carreira: pegar toda e qualquer oportunidade que aparecesse, não importando de onde viesse. Pfannenstiel afirma que nunca se transferiu por dinheiro, e sim pensando em novos desafios, além dos motivos corriqueiros: contratos, contusões, trocas de técnicos, e coisas do gênero.

Foto: Reprodução | Lutz em sua passagem pelo Atlético de Ibirama

Foto: Reprodução | Lutz em sua passagem pelo Atlético de Ibirama

Nisso, acabou jogando em mais de 25 clubes em diversos países do mundo. Lutz até chegou a jogar no Brasil, quando defendeu o Atlético de Ibirama-SC. Na época, os torcedores diziam que era o único jogador da história do clube capaz de pronunciar corretamente o nome oficial do time: Atlético Hermann Alchinger (homenagem a um cidadão que doou o espaço para a construção do estádio e da sede do clube).

Mas nem tudo foram flores na carreira do ex-jogador. Quando jogava na Indonésia, ele foi preso injustamente, acusado de participar do esquema de apostas da Máfia Asiática. Tudo por apenas responder “sim” quando um jornalista perguntou se o time que ele defendia venceria a partida. Foi, sim, uma demonstração de confiança em excesso, mas ser preso por isso já é demais, não? Na cadeia, o alemão passou 101 dias em condições insalubres.

Uma outra pendenga foi quando Lutz jogou na Albânia. Junto de seus companheiros, sofreu com a fúria de torcedores extremados, que tentaram apedrejar os atletas. Outro incidente desagradável foi quando ele sofreu uma pancada muito grave em um jogo na Inglaterra. O resultado foram três paradas cardíacas. O ex-goleiro diz que se lembra apenas do impacto e de estar na cama do hospital.

Foto: Reprodução | Nos tempos de preparador de goleiros em Cuba

Foto: Reprodução | Nos tempos de preparador de goleiros em Cuba

De resto, o saldo da carreira do ex-atleta é postivo. Ele ainda foi técnico-jogador do Ramblers da Namíbia (sua última experiência como jogador profissional) e preparador de goleiros da Seleção Cubana. Sua experiência mais exótica, talvez, foi ser DJ na Malásia. Clique aqui e veja quais clubes Lutz defendeu em sua carreira.

Atualmente, Pfannenstiel é olheiro do Hoffenheim, da Alemanha, e tem justamente como função viajar pelo globo procurando talentos. Ele esteve na Copa Africana de Nações procurando atletas promissores. Além disso, o ex-goleiro também tem projetos voltados para a preservação do meio-ambiente, escreveu uma autobiografia, e existem rumores de um filme sobre sua carreira.

Foto: Reprodução | Lutz comenta partida na África do Sul (detalhe para o personagem de sua camiseta).

Foto: Reprodução | Lutz comenta partida na África do Sul (detalhe para o personagem de sua camiseta)

De todo jeito, Lutz ainda tem uma meta a cumprir: como foi dito no começo do texto, só falta a Antártida para Lutz ser o único jogador da história a ter disputado partidas em todos os continentes do mundo.

Texto adaptado de: Futebol Interiorano

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Nascido e residente em Araxá/MG. Apaixonado por esportes em geral, dedica boa parte de seu tempo acompanhando futebol. Tem um carinho todo especial por histórias de equipes alternativas e times de divisões inferiores. Nas horas vagas, relaxa praticando mountain bike.