O manual do rebaixamento

  • por Saimon
  • 6 Anos atrás

Por João Rabay e Saimon Mryczka

Entra ano, sai ano e o Brasileirão sempre parece ter um time grande fadado ao rebaixamento. Depois do Vasco 2008 e do Palmeiras 2012, quem parece destinado a ir para o buraco é o São Paulo 2013. Sem vencer um jogo oficial desde 29 de maio, quando goleou o Vasco por 5×1, o time de Paulo Autuori tem números negativos impressionantes. A campanha no Brasileirão, por exemplo, é pior que a do rebaixado Palmeiras no ano passado, que, após 12 partidas, tinha dez pontos, contra nove do tricolor.

Torcedores logicamente fazem sua parte em apoiar e acreditar até o fim. Mas muitas vezes caem no papel do iludido, se baseando em fatos como “ter time pior no campeonato” ou “quando todo mundo estiver à disposição, o time vai voar”.

Preparamos um manual do discurso do rebaixado para o torcedor são-paulino, que parece já estar seguindo à risca. Resta saber se, no final do ano, o destino será mesmo a Série B.

Foto: Repdorução - São Paulo na vice-lanterna

Foto: Reprodução – São Paulo na vice-lanterna

Rodadas 1 a 5
Começo de campeonato. São aqueles jogos em que o time ainda se reforça depois de má campanha no estadual, ou ainda está pensando na Libertadores (ou, até 2012, na Copa do Brasil). Aí vem o famoso discurso: “Não temos time pra cair. Tem pelo menos 5 ou 6 times piores”.

Rodadas 6 a 10
Chegam alguns reforços, mas o time ainda não se encontra. Após umas quatro derrotas seguidas, somadas a seis jogos sem ganhar, a campanha ainda não assusta: “Tá muito cedo, nem me preocupo com o Z-4. É só ganhar três seguidas que já tá brigando por Libertadores”.

Rodadas 11 a 15
O momento é complicado, então a hora é de se apegar à tradição, aquele papo costumeiro de que a camisa vai começar as ganhar os jogos fáceis que o time não tem vencido: “Time grande pode cair, mas time gigante não cai”.

Rodadas 16 a 19
O medo se aproxima, mas o discurso de torcedor segue otimista: “Tem o segundo turno todo pela frente, dá pra escapar tranquilamente”.

Foto: Reprodução - São Paulo afunda na tabela após empate.

Foto: Reprodução – São Paulo afunda na tabela após empate com o Flamengo.

Rodadas 20 a 25
Geralmente é uma fase em que muda o técnico, já que a janela para jogadores já fechou. O motivador chega, ganha duas seguidas e a torcida se ilude ainda mais: “Tá vendo? Ganhamos duas seguidas! É só manter que ficamos entre os dez”.

Rodadas 26 a 30
Hora de brincar de Einstein e fazer uma conta maluca atrás da outra. Como torcedor acredita (e se ilude) até o fim, conta pontos improváveis em alguns jogos: “Com 45 pontos escapamos”, diz, sem notar que precisa fazer o dobro de pontos que já tem.

Rodadas 31 a 34
A calculadora já está colada na mão: “O campeonato tá muito ruim, com 42 pontos vai dar pra escapar, diferente dos outros anos”.

Rodadas 35 a 37
Já nem depende só de si para escapar. O jeito é apelar pra Deus e fazer tudo que é tipo de promessa: “Prometo que se não cairmos vou até a igreja de joelhos”.

Rodada 38
Trocando de canal entre o jogo do próprio time e dos adversários contra o rebaixamento a cada 20 segundos, o torcedor espera em um jogo o que não aconteceu em 37: “É hora do milagre”.

Primera semana pós-rebaixamento
Juntando os cacos e aguentando zoações dos rivais, é a hora de achar um lado bom na queda: “A Série B vai fazer bem ao clube, só ver o exemplo do Corinthians”.

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Palmeirense, 23 anos. Acompanha futebol em qualquer canto. Fã da ótima geração belga.