Rambo II – A missão

  • por Gregor Vasconcelos
  • 8 Anos atrás

Mesmo sem contratações de peso para a temporada até aqui, o Arsenal de Wenger pode ter encontrado um grande reforço para a temporada a seguir dentro do próprio plantel. Trata-se do jovem meia galês Aaron Ramsey.

Notado apenas por sua maldição que “matava” celebridades e ridicularizado pela sua própria torcida, os últimos anos vinham sendo difíceis para o meia de 22 anos. Uma contusão séria que ameaçou sua carreira e a morte de seu ex-treinador, amigo e mentor Gary Speed pareciam descarrilhar a promissora carreira do jogador.

O início:

Foto: Reprodução - Em 2008, Ramsey chegou ao Arsenal com apenas 17 anos de idade

Foto: Arsenal.com – Em 2008, Ramsey chegou ao Arsenal com apenas 17 anos de idade


Rambo, apelido recebido ainda nos dias de Cardiff, se destacou pelos Bluebirds na campanha que levou o time à final da FA Cup, na qual foram derrotados pelo Portsmouth.

A campanha abriu os olhos de grandes clubes para Ramsey, que foi intensamente disputado pelo Arsenal e pelo Manchester United, seu clube de infância. No final, a insistência de Wenger, que levou o jogador à Suíça de jatinho particular, convenceu Ramsey a ir jogar na equipe do Emirates Stadium.

Ramsey se anunciou ao mundo quando saiu do banco e marcou o quinto gol da vitória do Arsenal sobre o Fenerbahçe no estádio Şükrü Saracoğlu, local onde o destino o levaria de volta quase quatro anos depois, quando mais um gol de fora da área consolidaria a nova posição de Ramsey na equipe dos Gunners.

A contusão e a volta por cima:

Foto: Reprodução - Jogadores do Arsenal e Stoke mostram desespero com a seriedade da contusão de Ramsey

Foto: Reprodução – Jogadores do Arsenal e Stoke mostram desespero com a seriedade da contusão de Ramsey



Na sua segunda temporada pelo Arsenal (2009/2010), Ramsey caminhava a passos largos para se tornar titular da equipe, quando, em uma dividida dura com Ryan Shawcross, o jogador quebrou a perna e ficou afastado dos gramados por nove meses. O jogador então se tornou o queridinho da torcida que fez de “Do It for Aaron” o slogan de sua campanha pelo título da Premier League na temporada.

Logo na volta de contusão, Ramsey foi emprestado de volta ao Cardiff City e depois ao Nottingham Forrest, onde ele nunca se firmou. Quando o jogador voltou ao Arsenal, também parecia enferrujado, com medo, muito diferente do jogador “guerreiro” que havia caído nas graças da torcida um ano antes. Surgiam aí as primeiras dúvidas sobre seu futuro e se ele conseguiria voltar a jogar como antes ou terminaria como Eduardo da Silva, que nunca mais foi o mesmo depois do carrinho criminoso que quase encerrou sua carreira.

A morte de Gary Speed, amigo pessoal e mentor de Ramsey, também veio em momento ruim, quando o galês parecia ir se encontrando aos poucos. A perda da capitania de sua seleção – dada por Speed – com a chegada de Chris Coleman queimou ainda mais o jogador, que terminou a temporada esquecido no banco do Arsenal.

Foto: Reprodução - O jogador carregou uma pequena homenagem a Speed em sua chuteira pelo restante da temporada

Foto: Reprodução – O jogador carregou uma pequena homenagem a Speed em sua chuteira pelo restante da temporada


Pouco mudou para Ramsey no começo da temporada seguinte. No banco e normalmente utilizado nas pontas, era hostilizado e vaiado pela sua torcida por atuações tenebrosas. A renovação de seu contrato também foi muito questionada pelos torcedores. A desconfiança era gigante e o consenso geral era que, se o jogador não se encontrasse nos próximos seis meses, deveria dar adeus ao clube.

Com a pressão sofrida, foi a hora do jovem mostrar caráter e vontade de salvar a sua carreira, que vinha saindo dos trilhos. Com o Arsenal na iminência de perder a vaga na Champions League para o Tottenham, Ramsey foi introduzido no time titular e desde então permaneceu lá.

Jogando na sua posição de origem ao lado de Arteta, ou como primeiro volante ao lado de Wilshere, o jovem galês trouxe uma solidez defensiva ao Arsenal – que sofreu apenas sete gols nos últimos dez jogos da temporada – além de manter a qualidade no passe que muitos acharam que seria perdida com a saída de Arteta ou Wilshere do time. Não à toa, Ramsey foi eleito pela torcida o jogador do mês nos últimos dois meses da temporada, em uma sequência que fez o Arsenal superar uma diferença de sete pontos para o Tottenham e conquistar a vaga na Champions League.

Agora, depois de se destacar na pré-temporada e ter sido eleito o melhor dos Gunners em três dos quatro primeiros jogos da temporada, Ramsey vem dando passos largos para reconquistar a torcida que já havia o esquecido. Com os adeptos dos Gunners praticamente desistindo do time em geral principalmente pela escassez de bons reforços para a temporada, o ressurgimento de Ramsey vem em boa hora para o Arsenal. Quem sabe, a injeção de ânimo novo do galês possa inspirar o clube a superar seu ostracismo da mesma forma que ele superou.

Foto: Reprodução - Ramsey confirmou a boa fase com gol no mesmo estádio no qual ele marcou pela primeira vez pelos Gunners

Foto: Reprodução – Ramsey confirmou a boa fase com gol no mesmo estádio no qual ele marcou pela primeira vez pelos Gunners

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Torcedor fanatico do Arsenal e do Flamengo, Gregor é fã de longa data da Premier League, acompanhando a liga avidamente há 10 temporadas. Formado em linguística inglesa pela universidade King's College em Londres, agora faz mestrado em linguistica e literatura na universidade de Zurich. Colunista da extinta revista "Doentes por Futebol", hoje é o editor de futebol inglês no site.