Real Madrid e Barcelona em: ritmo lento

  • por Victor Mendes Xavier
  • 8 Anos atrás
Sergio Ramos e Cristiano Ronaldo celebram o gol de Benzema (EFE)

Sergio Ramos e Cristiano Ronaldo celebram o gol de Benzema (EFE)

Principais candidatos aos títulos da Liga Espanhola e fortes concorrentes à taça da Uefa Champions League, Barcelona e Real Madrid apresentaram futebol pobre na segunda rodada do Espanhol. As duas equipes venceram, é verdade, mas mais na base da imposição do que pelo merecimento. No entanto, nada que assuste muito: os gigantes costumam começar a temporada com a marcha mais lenta do que o habitual, sobretudo o clube merengue.

No encerramento da rodada, o Real Madrid foi à Andaluzia para encarar o Granada. Na temporada passada, a região foi um pesadelo aos blancos, que perderam os quatro jogos que fizeram por lá, contra Sevilla, Bétis, Málaga e o Granada. Diante disso, Carlo Ancelotti escalou o time mais ofensivo possível: foi a campo sem um primeiro volante de ofício, com Luka Modric e Isco Román atrás de Ángel Di María, Mesut Özil e Cristiano Ronaldo, e Karin Benzema mais à frente.

À espera de Gareth Bale, o treinador italiano tenta implantar um estilo diferente ao Real Madrid. A equipe tenta trocar mais passes no meio-campo e, sem Xabi Alonso, faz poucas ligações diretas da defesa ao ataque. Individualmente, Ancelotti tem escalado Cristiano Ronaldo mais próximo de Benzema. Ontem, por exemplo, o gajo foi praticamente um segundo atacante na segunda etapa. O novo posicionamento de Ronaldo ainda é uma incógnita, e a imprensa madrilenha, pelo menos por ora, prefere não tocar tanto no assunto.

Por outro lado, o italiano começa a criar uma polêmica a la José Mourinho. Pela segunda vez na temporada, Iker Casillas foi relegado ao banco em dentrimento de Diego López. Verdade seja dita, desde que ganhou uma oportunidade com o treinador português, o arqueiro não tem deixado a desejar. Cria do Real Madrid, ele teve seu melhor momento no Villarreal, mas, antes de voltar a Chamartin, esquentava o banco no Sevilla.

A titularidade de Diego López tem criado uma certa divisão no madridismo: enquanto uma parte dos torcedores apoia o goleiro-canterano, a outra está ao lado do ídolo e chega a insultar López, como aconteceu nos Los Carménes. No amistoso de homenagem a Raúl na última quinta-feira no Santiago Bernabéu, ele foi vaiado enquanto saia para aquecer. Rapidamente, uma parte da torcida gritou seu nome para dar força. Em uma enquete promovida pelo Marca perguntando se Casillas deveria deixar a equipe caso continue no banco, o resultado surpreendeu: quase 75% dos votantes achariam correta a decisão do (ex)capitão de procurar novos ares.

Neymar arranca com a bola, antes de ser parado com falta: titularidade do brasileiro começa a ser cobrada na Catalunha (AS)

Neymar arranca com a bola antes de ser parado com falta: titularidade do brasileiro começa a ser cobrada na Catalunha (AS)

Quem não tem nada a ver com isso é o Barcelona, que, também na Andaluzia, sofreu para vencer o Málaga. O placar magro (1 x 0) foi construído por Adriano, que soltou um bom chute de fora da área para determinar o resultado da partida. Mesmo sem Lionel Messi, que sentiu desconfortos musculares na perna esquerda, Gerardo Martino optou por deixar Neymar no banco novamente. Foi um Barcelona muito mais preguiçoso do que o visto na estreia contra o Levante. O time sentiu a falta de seu principal craque e não teve em Xavi e Iniesta peças de destaque. No ataque, Pedro Rodríguez, estranhamente escalado aberto à esquerda, passou em branco e Alexis Sánchez, apesar de ter se apresentado muito mais ao jogo do que o espanhol, errou tudo que tentou.

A entrada de Neymar, então, foi inevitável. O brasileiro, que entrou bem contra o Atlético de Madrid na final da Supercopa, marcando o gol de empate no Vicente Calderón, “respondeu” ao argentino com uma boa atuação nos quase 30 minutos em que ficou em campo. Ney levou perigo à meta de Caballero em três chutes, forçou uma falta (cobrada por ele) na entrada da área e arrancou com perigo ao pegar uma bola no meio-campo. A boa atuação do brasileiro num dia pouco inspirado do Barcelona chamou a atenção da imprensa catalã, que começa a cobrar a titularidade do camisa 11. Na entrevista coletiva, Martino deixou no ar que isso está próximo de acontecer: “se ele continuar assim, será loucura não colocá-lo de início. Pode acontecer na próxima quarta (contra o Atlético de Madrid) ou no próximo final de semana (contra o Valencia)”, afirmou o argentino.

A outra boa notícia (e que cria dor de cabeça a Martino) foi a bela partida de Cesc Fàbregas, mais uma vez. Ele jogou de falso nove e esteve bastante ativo. Deixou Pedro e Sánchez na cara de Cabellero por duas vezes na primeira etapa e se movimentou muito bem. Fàbregas já havia dado três assistências contra o Levante e entrou bem contra o Atlético de Madrid. O camisa 4 dá continuidade à boa fase que, desde seu retorno ao Barcelona, tem aparecido somente na primeira parte da temporada. Um Fàbregas mais participativo é o que a torcida culé espera quando chegarem as fases agudas da UCL.

Comentários da rodada
– Na coluna passada eu elogiei o Sevilla, que, apesar de ter perdido para o Atlético de Madrid no Pizjuán, havia deixado boa impressão nos 45 minutos iniciais. No entanto, empatar por 0x0 com o Levante, mesmo que no Ciutat de Valencia, não cai bem. Em uma partida tétrica tecnicamente, o time de Unai Emery trocou passes com lentidão e chutou apenas três vezes ao gol no jogo inteiro. Marin e Rakitic, que começaram a temporada muito bem, passaram em branco dessa vez. Agora, a sequência dos nervionenses é ingrata. No próximo final de semana faz o dérbi andaluz contra o Málaga no Pizjuán, antes de viajar à Catalunha para enfrentar o Barcelona e receber o Valencia daqui a duas semanas.

– O Athletic Bilbao de Ernesto Valverde continua com 100% de aproveitamento, mas passa a impressão de que não vai segurar a invencibilidade por muito tempo – ainda mais porque o próximo adversário é o Real Madrid fora de casa. Os Leones derrotaram o Osasuna por 2×0, mas passaram por momentos desconfortáveis e desnecessários. O “novo” Athletic joga mais pelas laterais do campo do que o de Bielsa, mas peca bastante na finalização e recua naturalmente à medida que o adversário pressiona. Com Iturraspe, Beñat, Ander Herrera, Susaeta, De Marcos, Muniain e Aduriz, o treinador tem material humano o suficiente para impor um estilo mais agradável ao time bilbaíno.

– Outra decepção foi o Bétis. Os verdiblancos não jogaram mal, mas novamente desperdiçaram muitas oportunidades, especialmente no primeiro tempo, e sofreram o castigo do Celta Vigo, que foi perfeito na aplicação de sua proposta. Os celestes aguentaram a pressão do time da casa (o goleiro Yoel foi o melhor em campo) e sentenciaram nas chances que tiveram, vencendo por 2×1. Charles, atacante brasileiro que foi o artilheiro da Liga Adelante pelo Almería na temporada passada, marcou pela segunda vez consecutiva. Olho nele. Ao Bétis, resta lamentar a má pontaria de seus homens de frente. Assim como contra o Real Madrid na primeira rodada, o time de Pepe Mel foi melhor do que o adversário, o que não valeu para sair com os três pontos. Ao lado de Valladolid, Málaga e Osasuna, o Bétis ainda não pontuou na Liga.

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Jornalista, carioca e apaixonado pela Liga Espanhola desde a época em que Rivaldo, Zidane, Figo e Raúl foram seus professores. Colaborou para o programa [email protected] da Rádio Globo São Paulo falando sobre o futebol do país das touradas. Repórter da Super Rádio Tupi.