Importância do trabalho conjunto para sucesso de Baines no Everton

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Leighton Baines é protagonista do bom time do Everton montado pelo técnico Roberto Martínez

A vitória com autoridade por 4 a 1 do Manchester City sobre o Manchester United, no último domingo, pela quinta rodada da Premier League, poderia ter sido menos elástica se o sonho de David Moyes em contratar Leighton Baines durante a última janela de transferências se tornasse realidade. A questão é que, mesmo Marouane Fellaini injetando um pouco mais de qualidade na transição do meio para o ataque, ainda falta um jogador que pense mais à frente o jogo do United, como Oscar faz no Chelsea, por exemplo. Esse, claro, não seria o papel perfeito para Baines nos Red Devils, mas ele compensaria demais com a qualidade pela ponta.

Por mais que Baines esteja voando (como sempre) pelo Everton, atuando como típico lateral-esquerdo, Moyes saberia aproveitá-lo muito bem como uma alternativa flexível pelo lado esquerdo do ataque, mantendo Evra, mais forte fisicamente, na lateral. Isso porque Shinji Kagawa ainda não se firmou como um criador por aquele setor, bem como as outras opções que o treinador escocês possui no elenco. Seria uma ótima escolha para sair do “marasmo”.

Mas os problemas do Manchester United podem ser abordados em um outro texto. Agora o momento é de exaltar a capacidade que Leighton Baines tem de decidir jogos para o Everton em função do trabalho conjunto. Não existe em Goodison Park uma estrela como Cristiano Ronaldo ou Messi e tampouco o objetivo de brigar pelo título da Premier League. Mas há, sim, um início de campeonato inglês promissor e, se continuar nesse ritmo, é possível que o Everton belisque um lugar entre os seis primeiros ao final da competição. Lembrando que os Toffees são os únicos invictos na Premier League, após cinco rodadas.

Quando se observa com mais atenção o trabalho coletivo do Everton fica mais fácil entender como se desenvolve o protagonismo de Baines na equipe. Abdicando do 3-4-3 que utilizou no Wigan campeão da última Copa da Inglaterra, o treinador Roberto Martínez armou seu novo time num 4-2-3-1 com boa fluência na saída de bola. Leon Osman, hoje primeiro volante pela direita, continua preciso na distribuição inicial. E Gareth Barry, que não vinha tendo chances no City, chegou a Goodison Park para ter vida nova como segundo volante, apesar de ficar abaixo de Osman no quesito “qualidade no passe”.

Veja abaixo a movimentação de Osman e Barry contra o West Ham

Fica nítido o deslocamento de Barry pela esquerda; suporte para Baines atacar (Fonte: Squawka.com)

Fica nítido o deslocamento de Barry pela esquerda; auxílio para Baines atacar (Fonte: Squawka.com)

Mapa mostra Osman menos ofensivo e atuando pela direita

Mapa de calor mostra Osman menos ofensivo e atuando pela direita (Fonte: Squawka.com)

Mas o que isso tudo significa? Significa que as bolas costumam chegar “redondas” aos pés de Baines para que ele inicie o jogo do Everton na defesa ou complete uma jogada já no campo de ataque. A eficiência ofensiva de Baines está tão no DNA da equipe que, em alguns momentos da temporada passada, era possível notar lances previamente treinados visando exclusivamente a passagem rápida do lateral pela esquerda. Por 15 milhões de libras o Everton não aceitou vender essa poderosa arma para o Manchester United.

Veja movimentação de Baines contra o West Ham

Leighton Baines explora "sem dó" o lado esquerdo do Everton (Fonte: Squawka.com)

Ilustração mostra poder ofensivo de Baines pela esquerda e movimentação atrás para fechar a marcação (Fonte: Squawka.com)

Um pouco mais à frente, atuando centralizado, quem aparece é o jovem Barkley. A movimentação desse jogador também é primordial para que Baines ganhe opções de passe. E a tendência durante os jogos, visualizando o mapa de calor das partidas, é Barkley sair do meio e cair pela esquerda para auxiliar o lateral nos avanços.

Outro ponto interessante da movimentação em conjunto dos Toffees que beneficia e muito o poder de fogo de Baines é o ataque. Normalmente quem atua como titular pela ponta esquerda é Mirallas, que joga de uma forma capaz de abrir corredores para Baines explorar. Mas foi a entrada de Oviedo por aquele setor diante do West Ham que chamou a atenção. Houve um instante da partida que a marcação em cima de Baines estava dificultando a criação das jogadas, então foi aí que Oviedo começou a se movimentar, justamente para atrair essa marcação e abrir novamente espaços para Baines se infiltrar.

Os jogadores do Everton sabem que, em alguns momentos, é preciso fazer um papel mais de coadjuvante para tornar Baines protagonista.

Leighton Baines também se transformou, ao longo dos anos, em um excelente cobrador de faltas. E nisso ele também precisa do apoio dos companheiros, mais precisamente das faltas que eles sofrem na entrada da área. Na vitória por 3 a 2 sobre o West Ham, Baines colocou duas bolas lindas no ângulo de Jaaskelainen, uma em cada canto.

Veja abaixo a trajetória da bola nos dois gols de falta

Trajetória da bola nos dois golaços de Baines ante o West Ham (Fonte: Squawka.com)

Golaços de falta de Baines ante o West Ham mantiveram o Everton como único invicto da PL, após cinco rodadas (Fonte: Squawka.com)

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Jornalista esportivo. Blogueiro na Gazeta Esportiva.com e colunista no Doentes por Futebol e Sportskeeda.com. E-mail: [email protected]