As semelhanças do sucesso: o Cruzeiro de 2003 e o de 2013

  • por Alexandre Reis
  • 7 Anos atrás

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Dono do melhor futebol de 2013, o Cruzeiro, sob a tutela de Marcelo Oliveira, vem embalado e como o favorito para conquistar o Brasileiro deste ano. Fruto principalmente da boa gestão de Gilvan de Pinho Tavares, presidente do clube, e de Alexandre Mattos, diretor de futebol, os números e feitos consideravelmente expressivos a cada partida têm chamado a atenção e gerado inevitáveis comparações com outro grande elenco celeste: o de 2003.

Contratações, manutenção de jogadores da base para o plantel principal, dispensas de jogadores que pouco acrescentaram ao time. Toda a reconstrução do mediano Cruzeiro de 2012, feita às pressas, foi realizada com certeira competência por técnico e dirigentes. Em 2003, as aquisições, por exemplo, também surtiram semelhante efeito. Deivid, que no ano anterior estava no Corinthians, veio para o clube mineiro. Foi autor de 15 gols no Brasileiro; saiu do time como artilheiro do campeonato nacional e foi para o Bordeaux-FRA. Além dele, Aristizábal, antes no Vitória-BA, também foi contratado no início daquela mesma temporada e deslanchou: contabilizando a Copa do Brasil e o Brasileiro, foram 26 gols do colombiano. Outros destaques da Tríplice Coroa contribuíram consideravelmente para o glorioso ano azul, como Maurinho (lateral, ex-Santos), Edu Dracena (zagueiro, ex-Guarani-SP) e Maldonado (volante, ex-São Paulo).

Tal como em 2003, o Cruzeiro, em 2013, acertou. Everton Ribeiro (ex-Coritiba), Luan (ex-Palmeiras), Willian (ex-Metalist -UCR), Júlio Baptista (ex-Málaga) e Ricardo Goulart (ex-Goiás), todos contratados ao longo do ano, são os regentes do melhor ataque do Brasil, autor de 103 gols em 43 jogos (média de 2,4 gols/partida). O primeiro é considerado por muitos um dos craques do Brasileirão. A defesa, com a chegada dos volantes Souza (ex-Palmeiras) e Nilton (ex-Vasco), dos zagueiros Bruno Rodrigo (ex-Santos) e Dedé (ex-Vasco) e do lateral esquerdo Egídio (ex-Goiás), também ganhou notória atenção. É a menos vazada da temporada. Até o momento, apenas 35 gols foram sofridos.

Na parte tática do esquadrão comandado por Luxemburgo, o time era montado num funcional 4-3-1-2, com Alex dirigindo o meio campo e os laterais Maurinho e Leandro tendo grandes liberdades no ataque. Mais à frente, Aristizábal, Deivid – posteriormente Mota -faziam parte da artilharia responsável pela grande maioria dos impressionantes 168 gols em 71 jogos (média quase idêntica à de 2013). Apesar do inquestionável poder de liderança de Alex, todos no elenco eram peças importantes e destaques em suas funções, bem a exemplo do que ocorre no Cruzeiro de Marcelo Oliveira.

O 4-3-1-2 de Luxemburgo, com os laterais apoiando constantemente Alex.

Nesta temporada, o ex-treinador do Coritiba apostou no ofensivo 4-2-3-1, com Everton Ribeiro e Willian (Dagoberto) abertos pelas pontas, Ricardo Goulart centralizado e Borges (Vinícius Araújo) como centroavante. E o esquema tem rendido analogamente, como há uma década. Os laterais Ceará (Mayke) e Egídio, apoiam constantemente o meio campo na criação das jogadas. Mais atrás, a segura dupla de zagueiros, composta por Dedé e Bruno Rodrigo, relembra o excelente desempenho de Luisão, Cris, Edu Dracena. Além disso, dois dos principais goleiros da história do clube estão presentes nesses elencos: Gomes e Fábio, ambos em excelente fase. Avassaladores no ataque, com um estilo de jogo vertical e objetivo, criadores de várias chances e impecáveis na defesa. São as principais características dos dois times em questão, apesar de utilizarem esquemas táticos totalmente distintos. Outro ponto convergente é que os gols, como em 2003, estão sendo distribuídos por todos, e que o jogo aéreo, outra característica forte de Luxemburgo, está presente no Cruzeiro de 2013.

Como em 2003, os laterais são presentes no ataque, mas agora no 4-2-3-1.

Com a excepcional campanha no atual Brasileirão, números e situações similares aos de 2003, o sucesso desse jovem elenco celeste rapidamente se consolidou. Toda a preparação, dedicação e competência no início do ano, tanto da diretoria quanto do treinador, estão, jogo a jogo, sendo confirmados. É cedo pra cravar qualquer coisa, mas se existe um favorito, com considerável diferença entre os demais concorrentes – tal como há 10 anos -, a vencer as próximas competições, este é o clube em questão. Conseguir-se-á ou não a coroação do trabalho, só a estabilidade do time dirá. E isso o Cruzeiro, ao longo de 2013, teve de sobra.

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Estudante de Jornalismo, apaixonado por futebol. Seja a final da Copa do Mundo, as semifinais de uma Copa Rural, um jogo da Liga dos Campeões ou eliminatória da 4° divisão de algum campeonato amador do interior.