Bivar: “Sport está mais grandioso a cada 24h”

Luciano Bivar Pollyanna

* Conteúdo postado originalmente na Seleção do Rádio.

Um clube “mais sólido, mais seguro e mais grandioso, a cada 24 horas que passam”. É com essas palavras que o presidente do Sport, Luciano Bivar, define o atual momento vivido pelo Rubro-negro. Em entrevista concedida ao site oficial do clube, Bivar comentou sobre os seus nove meses de mandato, a performance do time nas últimas partidas, a demora no acordo com um patrocinador-máster e, claro, também sobre as frequentes mudanças no comando técnico da equipe.

Em relação ao recém-efetivado Neco, ao qual Bivar havia dado uma sólida demonstração de apoio na noite em que anunciou a efetivação, ele preferiu ser reticente. Apenas dois dias depois de ter declarado que tinha “total confiança” no trabalho do treinador e lhe daria “todo o respaldo”, o presidente dessa vez afirmou:

– Não existe treinador, em nenhum clube do mundo, definitivo. As pressões são grandes, dependemos de resultados. Eu gosto muito de Neco, mas ele depende de resultados como qualquer um dependeria no lugar dele. Se ele for bem, não tem razão para mexer. Mas se ele for mal, ele sai. (…) Vamos tentar com Neco. Se não funcionar, vamos tentar com A, B, C, D, até um dia a gente conseguir ajeitar a casa.

(Parêntese: em outra entrevista, divulgada ontem, Bivar pareceu ainda mais cético: “vamos ver a partida do próximo sábado. Vamos observar como os jogadores se comportam e isso será de responsabilidade do Neco”. Isso porque o mandatário havia dito, na terça, que iria “esperar o desempenho dele”. “Não tenho pressa”, completou).

Quando perguntado sobre a derrota no último jogo, contra o ABC, ele foi enfático. “Toda derrota é desastrosa”, disse. “O que temos que fazer é achar uma forma de jogar. Nós já estamos assim há algumas partidas”. E contradizendo seu próprio discurso de avaliar o desempenho de Neco com base no resultado do próximo jogo, contra o Figueirense, afirmou que “não é do dia para a noite que o novo treinador vai conseguir consertar os problemas da equipe. (…) Mas temos a certeza de que vamos modificar o estado atual da equipe”.

Depois da demissão, Bivar jogou toda a culpa do fracasso em Marcelo Martelotte.

Depois da demissão, Bivar jogou toda a culpa do fracasso em Marcelo Martelotte.

Ele também não perdeu a oportunidade de alfinetar o ex-treinador Marcelo Martelotte, que, segundo o presidente, não teria cumprido uma promessa de fazer o time “jogar de maneira encorpada”.

– Isso foi uma informação passada por ele e que nós concordamos, porque era um jogo de seis pontos. O que aconteceu foi que ele não entregou o que prometeu. Não foi nada combinado comigo e nem imposto por mim. Martelotte realmente não fez o que nós tínhamos ouvido dele no momento.

Bivar comentou também sobre a demora em fechar um acordo pelo espaço de patrocínio-máster na camisa do Leão, vazio desde que o clube rompeu com o Banco BMG. Segundo ele, isso se deve às dificuldades do mercado:

– O mercado está muito difícil. Veja o Palmeiras, que desfila a sua marca no Morumbi (sic), não tem um patrocinador-máster. Nós, que desfilamos (sic) aqui no Nordeste… imagina a dificuldade que temos para ter um patrocínio.

O presidente fez ainda um balanço de seus nove meses de gestão. No melhor estilo Pollyanna, ele comentou sobre as campanhas do time no Pernambucano, no Nordestão e na Série B.

– Em 2013, nós fomos finalistas do pernambucano. Clube da primeira divisão não chegou. Na Copa do Nordeste, os dois clubes da Série A, Bahia e Vitória, foram eliminados na primeira fase. Na Copa Sul-americana, nós conseguimos avançar após eliminar um clube da Série A. Nós já estamos garantidos na Série B do ano que vem. Isso não é consolo, mas é um problema a menos. Isso só nos primeiros seis meses que estamos à frente da presidência do clube.

Constantemente vindo a público para fazer declarações polêmicas ou mesmo controversas – chegando até a passar por cima de afirmações feitas em outras oportunidades, Luciano Bivar vem, nos últimos nove meses, dando uma verdadeira aula de como um dirigente não deve conduzir o seu clube. Mas ao que parece, vê com excelentes olhos seu início de mandato. Talvez seja porque de longe, lá em Miami, a coisa esteja fedendo um pouco menos.

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Jornalista recifense, sócio-diretor do Doentes por Futebol, editor da Revista Febre. Curioso observador de tudo o que cerca o futebol brasileiro e internacional.