Centroavantes do Chelsea precisam ser mais decisivos

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Fernando Torres, à esquerda, e Demba Ba; hoje, na visão de Mourinho, são reservas de Samuel Eto’o 

O estilo pragmático apresentado pelo Chelsea no título da Uefa Champions League 2011/2012 gera discussões até hoje. Há quem diga que os Blues de Roberto Di Matteo foram covardes, adeptos do futebol feio e da busca exclusiva pelo resultado (como se houvesse algum erro nisso). Outros, porém, preferem, plausivelmente, enaltecer a capacidade que o clube inglês teve em executar perfeitamente o estilo de jogo que se propôs a praticar e ao qual se sentia mais à vontade, dando vida ao conceito de que futebol nem sempre é jogado de forma maravilhosa e envolvente. O jogo é jogado e cada um encontra sua melhor maneira de vencer.

Mas entre a discussão sobre o Chelsea covarde e o Chelsea perfeito, há um fato importante a ser destacado: aquele time de duas temporadas atrás tinha Drogba, um homem de frente que chamava a responsabilidade para si e brilhava quando tinha de brilhar, ou seja, em campeonatos importantes. Na caminhada do título europeu de 2012, Drogba marcou seis gols (um no tempo normal da final) e deu duas assistências ao longo dos oito jogos que disputou naquela campanha. Hoje, pelo menos nesse início de Premier League e Champions League, torneios considerados de peso, esse é o grande problema enfrentado pela equipe de José Mourinho, a falta de gols dos atacantes de referência (dos famosos número “9”).

Atualmente o Chelsea conta com três atacantes que fazem essa função de “9”: Demba Ba, Fernando Torres e Samuel Eto’o. São nomes interessantes, mas o retrospecto do trio até agora é péssimo. Computando os 11 gols que o clube londrino anotou nos oito jogos oficiais da temporada 2013/2014, apenas dois foram marcados pelos homens de frente: duas vezes Fernando Torres, sendo que um foi anotado no empate por 2 a 2 diante do Bayern de Munique, na final da Supercopa da Europa, e o outro marcado na vitória por 2 a 0 diante do Swindon Town, pela Copa da Liga Inglesa. Ou seja, falta poder de decisão em torneios “top”.

Nessa história toda, Eto’o é o único dos três que não pode ser crucificado de imediato. Isso porque o camaronês, apesar de ter passado em branco nas três partidas em que entrou, acabou de chegar ao clube e ainda resta aquela “gordura” da adaptação, da busca pela melhor sintonia com a equipe e com um perfil de campeonato mais alucinante. Por outro lado, Torres, que chegou a ser preterido por Mourinho em alguns jogos para a permanência de Eto’o, e Demba Ba, já estão completamente adaptados ao futebol inglês e ao Chelsea, circunstâncias que os colocam em uma situação no mínimo desconfortável.

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Contra o Swindon Town, Torres fez gol e deu assistência; falta atuação assim na PL e UCL (Foto: Reprodução)

O clube de Londres gastou na última janela de transferências cerca de 66,5 milhões de libras em reforços, porém não houve nenhum investimento de confiança para o setor mais ineficaz da equipe (Eto’o veio sem custos). Entre as chegadas, podemos destacar André Schürrle e Willian que, em questão de qualidade, dispensam comentários. Entretanto, há algo a discutir sobre a real necessidade da contratação de pelo menos um dos dois, já que ambos trabalham em uma faixa do campo (Schürrle normalmente à direita do ataque, mesma posição exercida por Willian em sua estreia ante o Basel) que não sofria de carências.

Aliás, esse leque de boas opções para o setor de criação acabou queimando Mata, que é bom jogador e agora pode ser considerado mais um reserva de luxo do que um jogador em quem Mourinho aposta suas fichas.

Só com o brasileiro Willian foram gastos 30 milhões de libras, valor superior ao que o Tottenham pagou para trazer Roberto Soldado e ao que o Manchester City desembolsou para ir buscar Álvaro Negredo, dois atacantes que, sozinhos, já balançaram as redes mais vezes do que todos os centroavantes juntos do Chelsea na Premier League (cada um marcou dois gols em quatro jogos). E tanto Negredo quanto Soldado, uma vez bem abastecidos por Hazard, Oscar, Schürrle/Willian, Lampard, Ramires, etc, poderiam ser muito felizes em Stamford Bridge.

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Jornalista esportivo. Blogueiro na Gazeta Esportiva.com e colunista no Doentes por Futebol e Sportskeeda.com. E-mail: [email protected]