Com inconstância no gol, Vasco deixa fórmula vitoriosa de lado

  • por Matheus Mandy
  • 8 Anos atrás
Foto: reprodução - Carlos Germano, um dos grandes goleiros do Vasco.

Foto: reprodução – Carlos Germano, um dos grandes goleiros do Vasco.

Carlos Germano, Helton e Fábio! Por mais de uma década, o Vasco teve segurança em sua meta, com jogadores com passagens na base do clube. O último deles, Fábio, deixou o clube no final de 2004, negociado com o Cruzeiro. A partir daí, o Cruzmaltino começou uma saga em busca de goleiros. As apostas foram de diversos tipos.

Durante o Brasileirão de 2004, Fábio entrou em litígio com o Vasco, e neste período, o clube testou outros três arqueiros: Fabiano Borges, que veio do Criciúma, o reserva imediato Márcio e o sérvio Tadic. Nenhum dos três agradou, e Fábio voltou às boas com o clube e defendeu a camisa 1 na reta final do Brasileirão.

Já em 2005, um rodízio de goleiros. O clube apostou em quatros jogadores de times pequenos: Erivelton (Americano), Elinton (Bangu), Everton (Volta Redonda) e Cássio (Olaria). Nenhum agradou e o clube apelou para Roberto, atualmente na Ponte Preta, e que, à época, era reserva do Criciúma. Roberto até agradou e se firmou, mas em 2006, perdeu a posição para Cássio, que ganhou nova chance.

Em 2007, Cássio iniciou como titular, mas acabou perdendo posição no Campeonato Brasileiro, quando Silvio Luiz, reserva do São Caetano, foi contratado. O jogador não agradou e logo foi barrado. No ano seguinte, o clube anunciou, como principal contratação, Tiago, revelação do Corinthians e que ganhou fama na Portuguesa pelos gols de falta.

Após um bom início de Estadual, Tiago caiu em descrédito durante o Brasileirão, perdendo a posição para Rafael, oriundo do Itumbiara. No banco, passou a ser preterido por Ricardo, contratado junto ao Caxias-RS. Porém, no final do ano, o time acabou rebaixado.

2009 começou com a contratação do experiente Fernando Prass, que havia passado as últimas cinco temporadas no futebol português, sem muito destaque. Sem concorrência, Prass ficou como titular até o fim de 2012, quando saiu do clube após cobrar salários atrasados. Apesar do longo período, o arqueiro foi contestado por parte da torcida.

Com a saída de Prass, abriu-se espaço para Alessandro, revelação do Grêmio e que foi trazido por Rodrigo Caetano em 2010. O clube também trouxe Michel Alves, titular do acesso do Criciúma, mas que havia fracassado no Internacional em 2009. Completando o trio de goleiros, o clube renovou contrato com Diogo Silva, que veio em 2011, junto ao Nova Iguaçu.

Até aqui, nenhum dos dois agradou. E fica a pergunta. Durante 13 anos, o Vasco teve sua meta bem guardada e incontestada por goleiros formados no próprio clube. Desde então, com exceção de Fernando Prass, 15 goleiros passaram pelo clube e nenhum se firmou. E o que espanta é que, desde a saída de Fábio, o Vasco jamais colocou um arqueiro da base em sua meta. Ao longo dos anos passaram Anísio, Cestaro e Renan Moura, mas nenhum teve chances.

Coincidência ou não, desde que começou o rodízio no gol, o Vasco amargou jejum de títulos e foi rebaixado para a Segunda Divisão.

Opinião de quem entende
Especialista em categorias de base, Mozart Maragno aposta no jovem Jordi. Recentemente, o jovem foi campeão da Taça BH de Juniores pelo Cruzmaltino e acumula passagens pela Seleção Brasileira Sub-20. Aos 20 anos, o jogador deverá ser integrado definitivamente aos profissionais no ano de 2014.

Sobre o não aproveitamento de nenhum da base, Mozart não culpa o clube. “No gol, o filtro é mais fino para encaixar alguém no time titular. E também faltava qualidade nos que subiram”, finalizou.

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Nascido em Santo Antônio de Pádua, Mandy começou com jornalismo em 2004 e em 2010 se formou na área. Trabalhou na Inter TV da Globo em Campos, TV Record e foi editor de esportes da Folha da Manhã, maior jornal do interior do rio. Também trabalhou na assessoria de imprensa do Instituto Federal Fluminense e de clubes do Rio de Janeiro.