Dirceu Lopes, o Príncipe do Futebol

  • por Gustavo Ribeiro
  • 6 Anos atrás

Dirceu

Conhecido com “Príncipe do futebol”, Dirceu Lopes foi o grande nome no triunfo do Cruzeiro sobre o Santos, de Pelé e Pepe, na final da Taça Brasil em 1966, quando marcou três dos seis gols da vitória celeste por 6×2. Natural de Pedro Leopoldo, nasceu no dia 03 de Setembro de 1946 e desde novo já mostrava seu talento no futebol de rua. Ídolo do Cruzeiro, o jogador por pouco não defendeu o Atlético-MG.

O Galo foi campeão Mineiro em 1963 e iria receber a faixa num jogo contra o time de Pedro Leopoldo. Na partida preliminar, entre os times juvenis das duas equipes, Dirceu Lopes foi convidado a defender o time de sua cidade. Quando acabou o primeiro tempo, já estava pronto para ser substituído, mas o técnico da equipe atleticana pediu para que ele jogasse a segunda etapa afim de observá-lo melhor. No fim do jogo, técnico do Galo perguntou se ele gostaria jogar no clube alvinegro e obteve uma resposta positiva. Alguns dias depois, um dirigente do Cruzeiro convidou o talentoso garoto para jogar no clube e, sem pensar duas vezes, Dirceu disse que sim. Assim começava a ser escrita a história do Príncipe do Futebol com a camisa celeste.

Quis o destino que sua estreia fosse, justamente, contra o Atlético, em 1964. O jogo, que terminou em 1×1, foi seu primeiro ao lado de Tostão. Ao longo de sua carreira, Dirceu marcou 11 gols contra o rival Atlético pelo Cruzeiro.

A cada partida, Dirceu mostrava seu futebol de alta velocidade, dribles desconcertantes e chutes colocados. Conquistou, muito rápido, o carinho dos torcedores cruzeirenses.

No dia 5 de setembro de 1965, Seleção Mineira e River Plate faziam a inauguração do Mineirão. Dirceu Lopes deu o passe para o primeiro gol do estádio, que foi marcado pelo atacante Buglê. Ele tinha 19 anos na época.

O maior momento de sua carreira ocorreu no fantástico ano de 1966, quando um time cheio de garotos parou atletas campeões do mundo. Era a final da Taça Brasil entre Cruzeiro e Santos. Depois de conquistar o Campeonato Mineiro daquele ano, na qual foi artilheiro com 18 gols, Dirceu Lopes, ao lado de Tostão, Natal e Piazza, tinha como desafio enfrentar o Santos de Pelé, Coutinho e Pepe.

O jogo tinha tudo para ser mais um show do time santista, mas, em noite mágica, Dirceu marcou três gols e foi o grande destaque da partida, que terminou em 6×2. No jogo de volta, Dirceu marcou mais um e o time celeste venceu mais uma vez, agora por 3×2. Depois daquela final, Dirceu Lopes passou a ser reconhecido e respeitado e o Brasil percebeu que havia bom futebol fora do eixo Rio-São Paulo.

Foto: FootballGeral - Dirceu Lopes, Pelé e Tostão

Foto: FootballGeral – Dirceu Lopes, Pelé e Tostão

Presente na maioria das convocações para os jogos antes da Copa do Mundo de 1970, que seria disputada no México, Dirceu Lopes teve uma péssima surpresa quando João Saldanha deixou o comando da Seleção Canarinho. João Saldanha era um dos maiores fã do futebol de Dirceu Lopes. Durante o tempo em que comandou a seleção, afirmava ao próprio jogador que o time era “ele e mais 10”, não importando a opinião da imprensa. Infelizmente para Dirceu, o técnico foi dispensado por não ceder à pressão do então presidente Médici pela convocação de Dadá Maravilha, que defendia o Atlético-Mg, para a Copa.

Com Zagallo à frente da seleção, Dirceu foi cortado dias antes da competição por já haver “muitos jogadores para a sua posição” e Dadá Maravilha, de acordo com a vontade de Médici, foi convocado. Ademir da Guia, ídolo palmeirense nos anos 60 e 70, disse que Dirceu Lopes merecia mais do que ele ir para a Copa do Mundo do México. Na época, o time do Brasil contava com Rivelino, Gérson, Pelé, Jairzinho e Tostão, seu companheiro de clube.

Dirceu Lopes só voltaria à Seleção integrando o grupo que conquistou a Taça Independência, em 72. Mesmo assim, não teve grandes oportunidades para mostrar seu futebol.
A carreira de Dirceu não teve só alegrias. No Mundial de 1976, Cruzeiro e Bayern de Munique se enfrentaram na final. Com Beckenbauer, Gerd Müller, Maier e Rummenigge, o time alemão era a base da seleção nacional, campeã do mundo em 1974. Dirceu Lopes não jogou a primeira partida, disputada na Alemanha, na qual o time celeste perdeu por 2×0. No Mineirão, mesmo atacando mais, os donos da casa empataram em 0x0 e viram a equipe bávara comemorar o título.

Dirceu Lopes participou dos dois maiores times do Cruzeiro de todos os tempos. Nos anos 60, comandava o esquadrão azul junto com Tostão, Fontana, Natal, Piazza, Zé Carlo, Procópio, Hilton e Raul Plassmann. Nos anos 70, junto com Joãozinho, Palhinha, Nelinho, Jairzinho e Roberto Batata, continuou dando show.

Em 1977, depois de se recuperar de uma lesão no tendão de Aquiles, foi defender o Fluminense, que na época era chamado de “A Máquina Tricolor” e tinha no seu elenco jogadores como Cesar Maluco, Doval, Rivelino, Marinho Chagas e Felix. Mas, quando o Príncipe do Futebol chegou, o time já não vivia o seu melhor momento.

Dirceu Lopes ainda defendeu Flamengo e Uberlândia, mas em nenhum deles conseguiu mostrar o mesmo futebol que apresentou defendendo as cores do Cruzeiro. Pelo time celeste, disputou 601 jogos e marcou 228 gols. Hoje, Dirceu Lopes é dono de três escolinhas de futebol e secretário de esportes da Prefeitura de Pedro Leopoldo.

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Projeto de jornalista, mineiro, 20 anos. Viu que não tinha muito futuro dentro das quatro linhas e resolveu trabalhar dando seus pitacos acompanhando tudo relacionado ao futebol, principalmente quando a pelota rola nas canchas dos nossos vizinhos sul-americanos. Admirador do "Toco y me voy" argentino, também escreve no Sudaca FC e tem Riquelme e Alex como maiores ídolos.