Neco, Bivar e a triste coincidência

* Conteúdo postado originalmente na Seleção do Rádio.

Ontem à noite, o presidente do Sport, Luciano Bivar, anunciou sua decisão de manter o técnico Neco à frente do time, tirando-lhe o rótulo de “interino”. Mesmo após a derrota, Bivar confirmou que confia no potencial do treinador, e que pretende ter paciência para que ele conheça melhor o elenco, veja suas necessidades e trabalhe suas deficiências: “se a gente trouxesse alguém de fora, poderíamos estar cometendo um erro ainda maior”, comentou o presidente.

A relação de confiança entre Neco e Luciano Bivar, no entanto, não vem de hoje. Trata-se de uma infeliz coincidência para a torcida rubro-negra, que desde o momento do anúncio do presidente, tem mostrado muita insegurança com a efetivação do treinador: a dupla já esteve à frente do Sport no fatídico ano de 2005, em que o Sport escapou do rebaixamento à Série C por um milagre.

Este é o tamanho do abacaxi que Neco assumiu quando aceitou a proposta do Sport. (Charge: Luiz Freire)

Este é o tamanho do abacaxi que Neco assumiu quando aceitou a proposta do Sport. (Charge: Luiz Freire)

Depois de um início de temporada que prometia muito, com a chegada de vários reforços que geraram muita expectativa na torcida, o Leão entrou na Série B sonhando com o acesso. Mas depois de capengar durante todo o campeonato, nas últimas rodadas, não havia mais esperança, e sim temor: o Sport era uma das equipes cotadas para cair, ainda que em menor escala. Depois de muitas trocas de treinador, o então novato Neco assumia o cargo, num cenário em que a única expectativa era de fugir do descenso.

Na sua estreia, contou com a estrela de Jadílson para virar, heroicamente, um jogo quase perdido, contra o Bahia. A vitória por 3×2 trouxe fé, mas os resultados seguintes não deixaram a ameaça da queda morrer: derrotas para a Portuguesa (4×2) e Gama – esta, um 0x2 em plena Ilha do Retiro – mantiveram o Sport na guilhotina. A salvação veio do Barradão: o Vitória, outro que brigava para se manter na Segundona, não saiu do 3×3 contra a Portuguesa, e preencheu a última vaga restante para a disputa da Série C de 2006. Assim, mesmo com a dignidade arranhada pelo péssimo fim de campeonato, o Leão escapava do descenso.

Hoje, o Sport está a seis pontos do G-4 – e a nove do São Caetano, primeiro time da zona de rebaixamento. A situação, que já foi muito confortável, começa a preocupar, e o sinal amarelo já está aceso na Ilha há algum tempo. A queda ainda parece uma possibilidade distante: ainda restam dezoito rodadas a disputar. Mas essa coincidência, somada ao péssimo desempenho do time nas últimas partidas e ao caos administrativo que o clube atravessa, já é mais do que suficiente para tirar o sono dos mais pessimistas e supersticiosos.

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Jornalista recifense, sócio-diretor do Doentes por Futebol, editor da Revista Febre. Curioso observador de tudo o que cerca o futebol brasileiro e internacional.