O Olimpia pós-Libertadores

  • por Gustavo Ribeiro
  • 7 Anos atrás
Foto: D10 - Jogadores del Decano andam cabisbaixos com o péssimo momento

Foto: D10 – Jogadores del Decano andam cabisbaixos com o péssimo momento

Quando ninguém esperava, lá estava o Olimpia em sua sétima final de Taça Libertadores da América. Um time com jogadores desacreditados e sem receber salários, que acabou superando todas as previsões de especialistas e colocou sua tradição e raça em campo para ir atrás de sua quarta taça. Mas na final contra o estreante Atlético Mineiro perdeu o título. E parece que perdeu o futebol ali também.

Após a decisão do torneio continental, o Olimpia disputou dez jogos, em que ganhou apenas trê, perdeu cinco e empatou dois. No Apertura do Campeonato Paraguaio, o time ocupa a oitava posição com onze pontos, com 16 gols marcados e 18 sofridos. Um número absurdo para uma equipe que se destacou por sua ótima defesa no vice-campeonato da Libertadores.

Um dos motivos que podem explicar essa péssima fase é a ausência do meia Juan Manuel Salgueiro, que ficou de fora do time por um mês, desde a quarta rodada do Apertura por causa de uma lesão e só voltou no último final de semana, na vitória contra o lanterna Cerro Porteño PF por 3-1. Salgueiro é o melhor jogador do time e, nos vários momentos de dificuldades na Libertadores, era ele quem chamava a responsabilidade e passava tranquilidade ao restante dos jogadores. 

Olhando a equipe como um todo, não mudou praticamente nada. O 3-5-2 que foi usado em toda a Libertadores ainda é o esquema, mas apresenta poucas variações, principalmente pela falta de jogadores de velocidade no ataque. No gol está Martín Silva, que mantém a ótima fase; na zaga, Manzur, Miranda, Candia formam o trio defensivo; No meio, Aranda, Pittoni, Orteman e os alas Candia e Salinas; e no ataque, não há titulares absolutos, Prono, Fereyra, Mujica e Dante López se revezam para formar a dupla ofensiva. 

Mesmo com o time base e o esquema tático da disputa da Libertadores mantidos, a entrega não é a mesma. Aquele Olimpia que se destacava pela força física, a rápida recomposição defensiva e a intensidade durante todo o jogo não se parece nada com o atual. Os adversários tem encontrado muita facilidade para tocar a bola no campo ofensivo, o que explica a equipe ter a segunda pior defesa do Apertura, com 18 gols sofridos.

A sequência de resultados negativos levaram a imprensa a cogitar a possível demissão do técnico Ever Hugo Almeida, mas a diretoria e o próprio treinador já trataram de acabar com essa possibilidade, pelo menos por agora. Hugo Almeida com certeza só permanece no cargo por falta de opções no mercado e pela sua história no clube.

Fora de campo as coisas também não andam bem. Os salários atrasados dos jogadores e de outros funcionários do clube vem sendo pagos aos poucos. Além de dívidas com os jogadores, o clube tem débitos com várias empresas que vieram de administrações anteriores. E o presidente Carísimo Netto, que tem mandato até dezembro de 2014, já adiantou que a prioridade do clube é sanar as dívidas para só depois começar a dar prioridade ao futebol. 

E para quitar seus débitos, o clube pensa em vender alguns jogadores no final da temporada, e o nome mais cotado para sair é o do goleiro Martin Silva, que tem seu nome especulado no Vasco.

Foto: D10 - Torcedores do Olimpia pincham muro do centro de treinamento do clube

Foto: D10 – Torcedores do Olimpia pincham muro do centro de treinamento do clube

E a torcida do Olimpia, que foi fator fundamental para o clube chegar a final da Libertadores, já perdeu a paciência com o time, chegando a pichar o muro do centro de treinamento e a ameaçar jogadores. Após a derrota para o General Díaz na última terça-feira, 17/09, vários torcedores foram ao estacionamento do estádio Defensores del Chaco e ameaçaram os jogadores dizendo: “se não ganharem, vamos pegá-los a tiros”.

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Projeto de jornalista, mineiro, 20 anos. Viu que não tinha muito futuro dentro das quatro linhas e resolveu trabalhar dando seus pitacos acompanhando tudo relacionado ao futebol, principalmente quando a pelota rola nas canchas dos nossos vizinhos sul-americanos. Admirador do "Toco y me voy" argentino, também escreve no Sudaca FC e tem Riquelme e Alex como maiores ídolos.