O retorno de Muricy ao São Paulo FC

  • por Bráulio Silva
  • 8 Anos atrás

Muricy Ramalho está de volta ao São Paulo. Para desespero de uns e alegria de muitos outros, o treinador aceitou retornar ao antigo clube logo após a confirmação da demissão de Paulo Autuori.

Em 1994, ao lado de Telê Santana

Em 1994, ao lado de Telê Santana

Como técnico, será a terceira passagem dele pelo Morumbi. Ex-auxiliar de Telê Santana e, depois, de Carlos Alberto Parreira, a primeira passagem como técnico efetivo do tricolor foi entre 1996 e 1997.

Em 1996, assumiu o time em crise, que acumulava cinco jogos sem vitória. Restando apenas seis jogos para o término da primeira fase, o time engatou uma seqüência de bons jogos, chegando na última rodada com chances de classificação para o mata-mata. Mas um empate contra o Paraná Clube fez com que o time terminasse na 10ª posição e fora dos play-offs.

Efetivado no fim de 1996, Muricy substituiu Parreira, de quem era auxiliar

Efetivado como técnico do SPFC no fim de 1996, Muricy substituiu Parreira, de quem era auxiliar

Efetivado, Muricy começou o ano de 1997 esperançoso. Com a saída de medalhões, a diretoria naquele ano apostava em jogadores que foram formados no São Paulo. Entre eles, os jovens Denílson, Rogério e Bordón. Entre as novidades, Muricy determinou que Rogério seria o cobrador oficial de faltas do time. Apesar do bom começo na temporada, o treinador acabou substituído por Daryo Pereira depois de colecionar uma eliminação na Copa do Brasil, diante do Vitória, e uma seqüência de empates no campeonato Paulista. O derradeiro, em 3×3, contra o Guarani, no Morumbi.

Depois disso, Muricy passou por diversos clubes: Futebol Chinês, Guarani, Botafogo-SP, Portuguesa Santista… Até chegar ao Náutico em 2001 e enfim ter um trabalho reconhecido, sendo bicampeão estadual (2001/2002). Depois, ainda em 2002, Muricy aceitou o desafio de treinar o Figueirense. Com uma reação incrível, evitou o rebaixamento do clube catarinense e no ano seguinte voltou aos holofotes treinando o Inter, que vivia um momento delicado em sua história. Pelo Colorado, ganhou o Gaúchão de 2003 e fez boa campanha no Brasileirão, quando terminou na quinta posição. Em seguida chegou ao São Caetano, onde ganhou o Paulistão de 2004. Com a carreira consolidada como um dos grandes nomes entre os jovens treinadores, o técnico retornou ao Inter no fim de 2004. Em 2005, ganhou o Gauchão e levou a equipe de volta à Libertadores, no polêmico Campeonato Brasileiro daquele ano, que foi marcado pela “Máfia do Apito”.

No Internacional, Muricy conquistou dois estaduais e um vice do Brasileirão

No Internacional, Muricy conquistou dois estaduais e um vice do Brasileirão

Em 2006, retornou ao São Paulo, que era o atual campeão da Libertadores e do mundo, curiosamente substituindo também a Paulo Autuori. Durante três anos e meio, uma relação de amor e ódio com o clube. Três títulos brasileiros que elevaram o tricolor para ser o maior vencedor do país. Mas também existiram as traumáticas derrotas na Libertadores da América contra times brasileiros, além das derrotas nas semifinais do Paulistão. Isso fez com que o técnico ficasse rotulado como ótimo em pontos corridos e péssimo em mata-mata.

No São Paulo, o auge: Tri-campeão Brasileiro

No São Paulo, o auge: Tri-campeão Brasileiro

A relação se estendeu até a eliminação na Libertadores de 2009, quando o São Paulo foi eliminado pelo Cruzeiro com derrota em pleno Morumbi. O time ocupava a 17ª posição no início daquele Campeonato Brasileiro, portanto dentro da zona de rebaixamento.

De lá pra cá, São Paulo e Muricy traçaram rumos diferentes. O treinador fracassou no Palmeiras, mas foi campeão brasileiro no Fluminense e ganhou também dois títulos paulistas e uma Libertadores com o Santos. Já o São Paulo, no período, teve sete treinadores (Ricardo Gomes, Sérgio Baresi, PC Carpeggiani, Adílson Batista, Emerson Leão, Ney Franco e Paulo Autuori) e apenas um título, o da Copa Sul-Americana, em 2012.

No Santos realizou o sonho de ganhar a Libertadores, além de dois estaduais

No Santos realizou o sonho de ganhar a Libertadores, além de dois estaduais

Podemos esperar, ainda em 2013, um time mais seguro na defesa e melhor postado em campo. Aliás, essas são as principais marcas dos times treinados por ele. Se vai ser o suficiente pra tirar o São Paulo da zona de rebaixamento, é esperar pra ver. A certeza é que, hoje, aqueles que criticavam o “Muricybol” estão implorando por aquelas vitórias improváveis de 1×0, com gol de cabeça após cobrança de escanteio. Se no triênio 06/07/08 isso era motivo de críticas, hoje certamente será um alívio para os torcedores que mais temem o rebaixamento.

dpf6

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Paulistano, casado e com 33 anos. Apaixonado por futebol e pelo São Paulo FC. De memória privilegiada, adora relatar e debater fatos futebolísticos de outrora. Ex-estudante de jornalismo, hoje gerencia uma drogaria no município de Barueri, além de escrever para a Doentes por Futebol.