Os problemas do Corinthians em 2013

PS.: Essa matéria foi feita em agosto, dias antes do Corinthians golear o Flamengo, mas por motivos diversos (um deles exatamente a goleada) acabamos não publicando antes. Uma pena, já que o que é apresentado se mostrou verdadeiro nas semanas seguintes. De qualquer forma, manteremos a matéria inicial, complementando com trechos em vermelhos quando alguma atualização for necessária.

Todas as segundas e quintas-feiras, quando ligamos a TV em alguma mesa-redonda esportiva ou lemos os jornais, o discurso é sempre o mesmo: “O Corinthians é um time preguiçoso”.

Isso leva a uma impressão que, se quisesse, o time teria vencido todas as partidas de todos os campeonatos. Mas, será essa tal “preguiça” o maior fator para que o time empate tanto? Afinal, que fatores fazem com que o campeão mundial não tenha em 2013 resultados tão convincentes?

Corinthians alcan~ça seu auge em 2012.  (Foto:Toshifumi Kitamura/AFP)

Corinthians alcança seu auge em 2012.
(Foto:Toshifumi Kitamura/AFP)

O Corinthians hoje, com certeza, é o elenco mais entrosado do Brasil (com tantos jogadores com problemas, físicos e técnicos, o entrosamento não aparece mais), embora não tenha as melhores peças. Mesmo nessa “má fase” (agora de verdade), já conquistou a Recopa Sul-Americana e o Campeonato Paulista e poderia ter lutado pela Libertadores não fosse a ordem da Conmebol para que o Amarilla tirasse o time da competição, seja pelo título do ano passado seja pelo crime em Oruro (sim, isso minha teoria!).

Na hora de falar em favoritos, sempre a mídia se refere (referia) ao Corinthians como um deles por uma série de fatores, e é essa série de fatores, que a princípio seriam positivos, que tentarei destrinchar aqui, mostrando que às vezes o que sai por aí é bem diferente do que um torcedor que assiste todos os jogos da sua equipe vê. Seguem então algumas “lendas” ditas diariamente sobre a equipe corintiana.

 “A defesa é bem postada e segura”

Cássio teve duas atuações excepcionais pelo time do Corinthians, contra o Emelec, em sua estreia, e contra o Chelsea, quando garantiu o título mundial, mas falha muito, e de diversas maneiras. Podemos dizer que contra o Cruzeiro o goleiro corintiano teve uma de suas melhores atuações também.

Antes e depois do lance do Diego Souza, ou seja, durante toda a partida “menos naquele lance”, ele foi muito mal contra o Vasco, ano passado. Suas saídas do gol são inseguras, o que é atípico para um goleiro de sua envergadura, não só nas bolas aéreas mas também em bolas que a defesa protege até sua saída. Além disso, falha em lances básicos, como rebatidas no pé dos atacantes adversários e tiros de meta cobrados para fora do campo (todo jogo tem pelo menos uns 3), sem contar que também toma alguns frangos, como na Recopa, contra o São Paulo.

Cássio e a defesa de sua vida. (Foto: Reprodução)

Cássio e a defesa de sua vida.
(Foto: Reprodução)

De qualquer forma, mesmo com os erros citados, ele é mais seguro que Júlio Cesar, que, embora bastante criticado pela torcida corintiana, fez defesas importantíssimas quando era o titular da equipe.

Um aspecto bom da defesa é a zaga em si. Gil foi a grande contratação do time para 2013. Seguro e competitivo, passar por ele é algo extremamente complicado. Seu parceiro, Paulo André, tem atuações até certo ponto seguras, porém não tem a velocidade ideal e às vezes falha, mas ainda abaixo da média de falhas dos outros zagueiros do futebol brasileiro.

Nas laterais, porém, reside um grande problema do setor defensivo corintiano. Edenilson dá muito espaço, mesmo quando não está no ataque, e Fábio Santos, embora defenda melhor, ás vezes comete erros infantis. Não à toa, Romarinho e Emerson se desgastam ajudando o setor, e é esse o fator que faz com que a defesa seja tão competitiva.

Há, porém, outros dois pontos a se dizer sobre a defesa corintiana, um positivo e outro negativo:

– A linha de impedimento é a melhor do Brasil, muito bem treinada. Eu, particularmente, não gosto desse tipo de “jogada”, mas o Corinthians executa com perfeição na maioria das vezes. Há bastante falhas neste tipo de jogada nas últimas partidas, e as equipes adversárias já alertaram para a jogada.

– A bola aérea contra é um sufoco, principalmente no segundo lance. É raro o time tomar um gol de escanteio se a bola é cobrada diretamente na cabeça do finalizador, mas se ela vai no primeiro ou segundo pau para que arrumem para o centro da área, é emoção e quase sempre gol.

 ” O elenco recheado de peças”

Lê-se e ouve-se a todo momento que o elenco do Corinthians é recheado de peças de reposição à altura, mas não é isso que o torcedor vê em campo. Hoje, sem Renato Augusto e Guilherme, lesionados por um tempo, vê-se que a reposição para ambos é difícil, mesmo que o primeiro ainda não fosse titular.

Gil, Renato Augusto e Pato foram contratados em 2013. (Foto: Reprodução)

Gil, Renato Augusto e Pato foram contratados em 2013.
(Foto: Reprodução)

Começando pela defesa, o único zagueiro disponível no banco é Felipe, que falhou bastante contra o Luverdense. Cléber foi adquirido mas ainda é uma incógnita. Em um campeonato longo, e com Paulo André já com certo histórico de problemas físicos, não dá para se ter só uma peça confiável no setor, no caso Gil. O dispensado Chicão, embora reserva, teria experiência, entrosamento e seria uma ótima opção para substituir os titulares.

Nas laterais a situação é parecida. Após ótimas atuações nos anos anteriores, Fábio Santos não é mais o mesmo, e o reserva Igor, embora tenha ido muito bem, principalmente no ataque, em suas primeiras partidas, caiu de rendimento quando atuou no Brasileirão, principalmente na defesa (voltou a atuar bem contra o Cruzeiro).

Do outro lado, Edenilson e Alessandro são opostos: Edenílson é driblador e triangula bem no ataque, embora cruze muito mal, mas peca demais no aspecto defensivo. Alessandro, ao contrário, cruza bem mas não apoia tanto, porém cumpre de maneira crucial seu papel defensivo.

A dupla de volantes ainda procura seu segundo componente. Ralf é um monstro e Guilherme vinha atuando muito bem, principalmente no aspecto defensivo, mas desfalca o time por mais alguns meses. Ibson, embora tente mais jogadas arriscadas no ataque, ainda não mostrou bom futebol (se é que vai mostrar) e peca demais na marcação. No banco, apenas Maldonado, que já foi um belo jogador, mas hoje é uma incógnita (não comprometeu nos primeiros jogos), e o jovem Jocinei.

Na meia, o problema é ainda maior. Em todo o elenco da equipe existem apenas 3 jogadores: Danilo, Douglas e o sempre machucado Renato Augusto. Em diversas partidas, apenas um dos dois está disponível, por suspensão ou contusão do companheiro, e se Tite precisa substituí-lo tem que improvisar um atacante ou volante na meia.

Danilo e Douglas são os únicos armadores disponíveis. (Foto: Arena)

Danilo e Douglas são os únicos armadores disponíveis.
(Foto: Arena)

No ataque, as peças de reposição também são poucas. Embora estejam no elenco, Paulo Victor, Léo e Zizao praticamente não entram em campo, e as opções de Tite se resumem a Emerson, Romarinho, Pato e Guerrero, sempre convocado para a seleção peruana.

Destrinchado o elenco, setor por setor, vê-se que o Corinthians não tem peças de reposição à altura, e, às vezes, nem quantidade, para jogos em que alguns jogadores não possam atuar. A cada partida, quando se olha o banco, com 10 ou 11 peças, apenas 1 ou 2 opções são ofensivas, o que é  bastante prejudicial, ainda mais em uma equipe que atacantes e meias se desgastam muito marcando.

O jogo com o Naútico foi emblemático: sem Pato, Guerrero, Emerson e Douglas, Tite teve que escalar Ibson como meia ofensivo, Léo como atacante e Romarinho como centroavante. No segundo tempo, tirou Léo, que vinha bem, para colocar Paulo Victor, outro garoto da base, e improvisar nada menos que Paulo André, zagueiro, como centroavante. Isso mostra que falta confiança em várias das peças do grupo.

“O time bem treinado”

Sim, o Corinthians é o time mais bem treinado do país (ou era, porque os passes errados cresceram bastante nas últimas partidas), no ponto de vista do entrosamento. Mas será que ser bem treinado é só ser entrosado? Creio que não.

Como torcedor, o último gol que lembro de falta, antes do gol de Pato contra o Luverdense, foi de Fábio Santos, em fevereiro de 2011, contra o Santos. Deve ter tido um ou dois gols nesse interim, mas é muito pouco, ainda mais considerando que o período 2011-2013 está sendo a época áurea do time.

Mais do que não fazer gols, o Corinthians não tem sequer um batedor de faltas definido, seja para jogadas frontais ou laterais. Nas últimas partidas, Pato assumiu as cobranças e vem sendo razoavelmente bem sucedido. Fábio Santos, embora tenha mostrado grande técnica no lance citado, contra o Santos, quase nunca se apresenta para bater. Nas faltas laterais, Douglas, quando joga, acaba sendo o cobrador oficial, mas como entra (entrava) pouco, as faltas vinham sendo cobradas por Romarinho e Emerson, que são péssimos batedores. Com a volta de Douglas à equipe titular, o cobrador está definido, mas a qualidade das cobranças continua baixa.

Por incrível que pareça, a melhor jogada de bola parada da equipe, até mesmo em 2012, era o lateral cobrado por Alessandro ou Fábio Santos, desviado no primeiro pau por Danilo e finalizado por Liedson.

Mais do que isso, desde o ano de 2010 o time toma vários gols de contra-ataque em faltas ou escanteios mal cobrados. Que o diga Diego Souza. Como torcedor, eu diria que escanteio a favor do Corinthians é mais perigoso para o time que para o adversário, e os próprios números mostram isso também. Um lance emblemático, há mais de 2 anos, está aos 4:23 do vídeo.

Aliás, nos dois jogos desse campeonato em que vencia e sofreu o empate (Santos e Vasco), a posse de bola era corintiana e o time tomou o gol em contra-ataque com a defesa mal posicionada. Um time bem treinado tem que ter a defesa bem postada em condições assim.

Quando se fala em treino, logo se pensa em outro aspecto do time: as péssimas finalizações de seus atacantes. Romarinho, Emerson, Guerrero e Pato perdem gols incríveis, e na maioria das vezes porque simplesmente “fecham os olhos” na hora de finalizar. Exemplifico o jogo com o Goiás, onde em 3 lances semelhantes, de bola enfiada pelo meio da zaga por Douglas, os três atacantes (Romarinho, Pato e Guerrero) perderam de frente com o goleiro. Romarinho dominou com a mão, Pato driblou o goleiro e chutou para fora e Guerrero chutou direto para fora.

Pato e Guerrero não são maus finalizadores, e tem levado um pouco de azar. Pato esteve quatro vezes de frente para Fábio no jogo em Minas, contra o Cruzeiro, mas em pelo menos 3 dos lances o mérito do goleiro foi maior que qualquer demérito do atacante. As partidas com o Cruzeiro mostram que algo se perdeu… na primeira partida, o Corinthians deu um baile no primeiro tempo e não fez 3 ou 4 gols devido principalmente ao goleiro mineiro. No jogo de volta, a situação se inverteu e o Cruzeiro quem dominou e não fez 2 ou 3 gols no primeiro tempo graças a Cássio.

Pato após o gol incrível perdido contra o Boca. (Foto:Tom Dib/LANCE!Press)

Pato após o gol incrível perdido contra o Boca.
(Foto:Tom Dib/LANCE!Press)

O próprio Guerrero, antes tão bom finalizador, parece estar sentindo o cansado, haja vista os gols perdidos contra o Luverdense e em partidas passadas. Romarinho e Emerson, porém, finalizam muito mal, quase sempre. Sinceramente, não sei se treinam esse tipo de lance, primordial para atacantes. Nos últimos jogos, porém, as finalizações de Pato e Guerrero vem sendo bizarras. As de Emerson e Romarinho continuam com tal adjetivo.

“A diretoria maravilhosa”

A diretoria do Corinthians tem uma grande parcela de mérito na conquista de tantos títulos nos últimos anos, claro, mas como infelizmente no país ou se critica ou se elogia, nunca havendo um meio termo, ela é tratada como infalível, embora erre, e muito, inclusive na formação dos elencos vencedores.

Eu diria que, para o Corinthians jogar o que vinha jogando, bastava ter trazido o Elias para o lugar do Paulinho (hoje se vê que há mais problemas do que apenas a falta de Paulinho). Ora, seria a solução natural, já que Paulinho era reserva de Elias no time paulista. Aparentemente, não houve contato, e foi preferida a contratação de Jocinei, Ibson e Maldonado.

Paulinho comemora última taça pelo Timão. (Foto: Agência Corinthians)

Paulinho comemora última taça pelo Timão.
(Foto: Agência Corinthians)

Além disso, tem um aspecto interessante no Corinthians, que alguém teria que explicar um dia. Jogador da base não joga no Timão e é emprestado pela vida toda até acabar seu vínculo. O maior exemplo disso é Everton Ribeiro, que fez apenas 20 jogos pela equipe e em 2011 foi vendido para o Coritiba, onde mostrou grande futebol. Na época, a equipe tinha Morais, Bruno César, Danilo e Ramirez para a posição, e o moleque, que já tinha mostrado grande futebol nas poucas chances que teve na equipe, foi embora e hoje brilha no Cruzeiro.

Olhando para o Cruzeiro, vemos outro cara que foi subaproveitado no time, pois se machucava muito: Nilton, hoje peça fundamental nos mineiros.

Recentemente, foram emprestados Denner, Elias, Giovanni, Leandro, Gomes, Matheuzinho, Leonardo, Anderson, Nenê Bonilha e Antônio Carlos, só para citar alguns. Sim, seria razoável emprestar jogadores para terem chances de jogar e ganhar experiência em outras equipes. Porém, no caso do Corinthians, a maioria nunca volta e são contratados outros jogadores, piores, para suprir essas ausências. Como exemplo, no ano passado vários atacantes da base foram emprestados e o clube foi buscar os craques Adilson e Chiquinho.

Chiquinho foi contratado em 2012. (Foto: Carlos Augusto Ferrari / Globoesporte.com)

Chiquinho foi contratado em 2012.
(Foto: Carlos Augusto Ferrari / Globoesporte.com)

Um último ponto nessa questão de mercado da bola é a liberação de jogadores sem nada em troca, em posições carentes. O ataque do Corinthians hoje tem apenas 4 opções, e uma sempre é convocada. Aí Jorge Henrique é liberado de graça para o rival Inter.

A defesa tem quatro opções, incluindo duas incógnitas e um jogador com problemas físicos. O que se faz então? Vende o futuro craque Marquinhos a preço de banana e libera Chicão e Wallace, de graça, claro.

Precisa de jogador no meio? Então libera o Giovanni e fica sem ninguém para substituir o Douglas em uma eventualidade amanhã.

 

 “O problema do ataque é a defesa”

O último mito é o que diz que o ataque do Corinthians não faz gols porque seus atacantes cansam na marcação. Sim, esse motivo pode pesar sim, mas não é o fundamental para que o ataque marque tão pouco em 2013.

Voltemos a 2011, quando a equipe venceu 9 partidas em 10 no Brasileirão. O forte daquele time era a posse de bola e a troca de passes e triangulações, que deixavam Liedson na cara do gol. Naquele time as peças para o ataque eram poucas, mas Tite conseguiu fazer o time ser tão compacto que o meio-campo chegava em bloco no ataque, a ponto de Danilo conseguir atuar como falso atacante quando precisava.

Em 2012, vimos um jogo mais de abertura de atacantes como pontas, que funcionou muito bem com a presença de Alex e a infiltração constante de Paulinho ou William. Na Libertadores, o ataque central não tinha as peças que tem hoje, com Liedson mal fisicamente e Elton como opções, mas o time continuava chegando ao ataque em bloco, o que proporcionava chances de gol para os meio-campistas.

Hoje, aparentemente Tite tenta fazer o time jogar da mesma forma, mas o resultado não é o esperado. Sem Paulinho, as jogadas são abertas nas pontas e morrem por ali mesmo, resultando em cruzamentos ruins na área. Falta, exatamente, a presença de “um Paulinho” para que as triangulações construídas na ponta abram caminho para que os jogadores pelo meio possam aparecer como surpresa e finalizar. Por isso afirmo que a contratação de Elias faria o Corinthians ter o mesmo padrão tático que tinha com Paulinho.

Romarinho se lamenta mais uma vez. (Foto: Rodrigo Coca/ Foto Arena)

Romarinho se lamenta mais uma vez.
(Foto: Rodrigo Coca/ Foto Arena)

Além disso, o time hoje não constrói jogadas a partir da defesa, como em outros tempos, pois Guilherme e Ralf não tem a mesma qualidade que Paulinho tinha para começar a jogada. Assim, a saída de bola da defesa para o ataque é feita através de chutões e não passa pelo meio-campo. O time acaba sendo abafado e fica na expectativa de retomar a “segunda bola” para poder criar algo a partir do meio-campo.

No ataque, Guerrero tem voltado muito para buscar a bola no meio-campo, e quando retoma não tem muito o que fazer, pois o time não o acompanha em bloco. Dessa forma, mesmo na retomada de bola, Pato e Guerrero estão sempre muito longe do gol e os laterais e/ou meias não os acompanham.

  ” O elenco recheado de peças 2″

Antes do campeonato começar, muitos elogiaram o elenco do Corinthians, afirmando que tinha muita qualidade. Em contrapartida, o elenco do Cruzeiro era tido como numeroso mas sem qualidade. Para mim o time paulista nunca teve nas peças individuais o grande mérito, mas na parte tática. Mesmo durante a fase vitoriosa, sempre achei que Atlético Mineiro, São Paulo, Fluminense, Internacional, Grêmio e Santos (com Neymar) tinha mais “craques”, jogadores decisivos, que o time de Tite.

Mesmo supondo, porém, que o time tivesse 11 craques como titulares, com a maratona encontrada em 2013 fica claro que, sim, quantidade é fundamental para que uma equipe lute pelo título ou Libertadores, não só qualidade. É impossível que não haja jogos em que um time tenha 6, 8 ausências de jogadores, devido à grande quantidade de partidas em sequência. Além disso, é impossível, com jogos quarta e domingo, que um jogador, por melhor que seja, repita boas atuações seguidas durante 10 ou 20 rodadas.

Nessa hora, vem o principal papel da diretoria e do técnico nos pontos corridos: inchar o elenco (com o devido cuidado, claro) pensando nas contusões, convocações, suspensões, e, principalmente, em um rodízio natural de peças.

O time do Cruzeiro não é limitado tecnicamente como alguns dizem, pois possui um goleiro fenomenal (em minha opinião Fábio é o melhor do país, hoje), um ótimo zagueiro (Dedé), um baita volante (Tinga), dois grandes meias (Júlio Baptista, ainda na reserva, e Everton Ribeiro) e vários atacantes que sabem fazer gol. Para mim, esse último item é exatamente o seu grande trunfo.

O técnico Marcelo Oliveira tem a sua disposição, para o setor ofensivo, um grande leque de opções: William, Dagoberto, Borges, Luan, Anselmo Ramon, Vinícius Araújo e Lucca podem jogar no ataque, e no apoio a equipe tem Júlio Baptista, Éverton Ribeiro, Ricardo Goulart, Martinuccio, Souza, Élber e Alisson como opções, além das chegadas constantes de Nílton.

Éverton Ribeiro e Nilton hoje são destaques no Cruzeiro. (Foto: Reprodução)

Éverton Ribeiro e Nilton hoje são destaques no Cruzeiro. (Foto: Reprodução)

Dessa forma, ele pode até optar em não escalar alguns atacantes em uma partida, poupando-os para a outra, pois a qualidade técnica de todas as peças do ataque é semelhante. Mais do que isso, um jogador descansado c0ntra uma defesa cansada é sinal de gols.

Comparando com a equipe paulista, que tem apenas Danilo, Renato Augusto e Douglas como peças de armação e  Romarinho, Pato, Emerson e Guerrero como atacantes, podendo a lista ser extendida a Léo e Paulo Victor, embora claramente não haja confiança neles, fica claro um dos motivos pelos quais a partir de um determinado momento um time se desgarra dos outros do pelotão e o outro fica para trás. O Corinthians, em todas as partidas, é obrigado a usar as mesmas peças, e isso traz um desgaste dobrado a seus jogadores.

Hoje, claramente, Guerrero e Danilo são jogadores cansados, que se arrastam em campo. Edenilson e Romarinho correm muito, mas sem saber o que fazer com a bola, e Pato e Emerson, bem, esses são inexplicáveis.

Até por isso, na grande maioria dos jogos, independente do resultado parcial, o time deixa o adversário jogar praticamente todo o segundo tempo, e toma gols importantes nos finais de jogos, fato que antes acontecia a seu favor.

Como solucionar os problemas?

O ano de 2013 ainda não acabou, mas a distância para o G-4 aumentou consideravelmente após os péssimos resultados das últimas 6 rodadas, mesmo com a equipe enfrentando Goiás e Naútico e casa e a Ponte Preta fora. O time está a 6 pontos do Grêmio e o Atlético Paranaense, antes apontado como o time a sair dessa zona, segue firme, a 10 pontos, e tem um time bem mais descansado. Além disso, o time jogará sem mando em algumas partidas, e isso pode trazer mais problemas.

Para chegar à Libertadores, há duas formas que hoje parecem viáveis: ganhar a Copa do Brasil ou torcer para que o vencedor dessa competição seja um dos times do G-4, o que abriria vaga para o quinto colocado do Brasileirão (hoje o Internacional, a 3 pontos) classificar para a competição sul-americana. Claro que esse raciocínio é válido apenas se um brasileiro não ganhar a Copa Sul-Americana.

Sobre rebaixamento, e possível, e hoje o time não está jogando mais futebol que os times que estão nessa zona. Porém, embora a distância para o Z-4 não seja tão grande (7 pontos), o Corinthians deve se acertar de novo e enfrenta Vasco e Criciúma em casa, devendo somar os 3 pontos nessas partidas. É necessário sim atentar para a hipótese de brigar lá embaixo, mas lutar para não cair não é o provável, no momento.

Resta lutar pela Copa do Brasil, mas para isso é necessário poupar jogadores em jogos do Brasileirão, mesmo que a torcida não o queira. O trunfo na Libertadores foi esse, e para vencer a competição nacional tal planejamento deveria se repetir. Porém, um dia antes de um jogo crucial contra o Grêmio, os jogadores titulares, em sua maioria, estão bem cansados fisicamente, e isso pode pesar muito para uma eventual eliminação.

Talvez a chave para ainda ganhar algo em 2013 seja o outro ponto fundamental na conquista do mundo em 2012: a vontade. Está faltando isso, há muitas partidas, mesmo que os jogadores neguem. É só ver, por exemplo, a velocidade com que os jogadores partem para as cobranças de laterais quando o time está em um confortável empate, a poucos minutos do final do jogo. Com vontade, o Corinthians cresce demais, e esse ponto pode nivelá-lo a times que hoje parecem ter times mais coesos.

Passado 2013, o ano de 2014 vem aí e cabe à diretoria e ao técnico (Tite ou Mano) rever alguns conceitos em relação à formação do elenco para que o time consiga ser forte e realmente brigar pelo título brasileiro, pois o time não pode viver apenas do primeiro semestre, como foi em 2009, 2012 e 2013.

Tite ou Mano: um dos dois treinará o time em 2014. (Foto: Marcos Ribolli / Globoesporte.com)

Tite ou Mano: um dos dois treinará o time em 2014.
(Foto: Marcos Ribolli / Globoesporte.com)

A filosofia que o Corinthians tem que adotar é a de contratar jogadores medianos para o banco e, acima de tudo, renovar o elenco, que ainda necessita de novos titulares para algumas posições importantes, como as laterais. Com o devido respeito à história, um time que quer vencer não pode ter como titulares absolutos jogadores médios e com claras deficiências técnicas, como Edenilson e Romarinho.

Nada está perdido, mas, infelizmente, 2013 deve ser tocado com o elenco que Tite tem nas mãos. Em 2014, porém, cabe a todos os envolvidos buscar soluções, que nem são tão difíceis, para que o Corinthians continue vencendo muito.

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Sergio Rocha é torcedor do Madureira e sempre teve o sonho de escrever sobre esportes em geral, embora tenha optado pela carreira de engenheiro civil. No "currículo", cadernos recheados de resultados esportivos e agendas da década de 90, quando antes da internet acessava rádios de diversos locais do país buscando os resultados esportivos do Acre à Costa Rica. Além de fanático por futebol, é fanático por praticamente todos os esportes, e no tempo livre que sobra sempre busca os últimos resultados esportivos do PGA Tour ou dos futures da ATP. Além disso, coleciona quadrinhos da Disney e é louco por astronomia.