Para voltar a ser Furacão

  • por João Vitor Poppi
  • 6 Anos atrás

 A mudança de estilo de jogo de Drubscky para Mancini

A ascensão do time paranaense teve três pilares importantes: o efeito da longa pré-temporada, o ritmo de jogo reconquistado e a troca de treinadores, que possuem formas diferentes de pensar o jogo.

Pré-temporada e ritmo de jogo
O Atlético-PR só foi disputar seu primeiro jogo oficial com o time principal no dia três de abril, em duelo válido pela primeira fase da Copa do Brasil. O time rubro-negro, ao todo, entrou em campo três vezes, antes de estrear no Campeonato Brasileiro, na data 26/05.

O Campeonato Paranaense foi deixado de lado e o time realizou uma longa pré-temporada, com amistosos na Espanha e no Uruguai.

O que se esperava do Atlético era um time voando em campo, com extrema força física. Os primeiros jogos não fizeram essa projeção virar realidade, por um motivo: baixo ritmo de jogo. Maiores exemplos são os dois empates seguidos, como mandante, por 2 a 2, contra Cruzeiro e Flamengo. O time abriu 2 a 0 nos dois jogos, mas fez fracas segundas etapas e cedeu os empates. O time paranaense não conseguia controlar o resultado, pois começava o jogo voando e caía muito de ritmo até o fim dos 90 minutos.

Vágner Mancini chegou no momento certo ao Atlético-PR. A troca de treinadores do rubro-negro ocorreu quando o Brasileirão começava a se intensificar, com jogos quarta e domingo e a longa pausa que a Copa do Brasil viria realizar. E foi nessa fase da competição que o rubro-negro conseguiu atingir o ritmo necessário, quando sua pré-temporada mais longa e bem trabalhada fez efeito sobre seus adversários.

Nesse período o calendário do futebol brasileiro só teve uma competição e em praticamente um mês e meio foram disputadas treze rodadas. Com poucas baixas por lesão, oito vitórias e cinco empates, o Furacão saiu da briga contra o rebaixamento e entrou na disputa pela ponta da tabela, terminando o primeiro turno em quarto lugar.

Troca de técnico e de estilo 
O primeiro ponto a ser citado é que Drubscky fez um bom trabalho no Atlético-PR. Se a opção da diretoria fosse pela sua permanência, o Atlético não iria estar brigando na parte de baixo da tabela, como vinha acontecendo, mas também não iria estar lutando no G-4. Na fase em que a competição se afunilasse e a pré-temporada realizada se tornasse uma munição a mais, o time iria conquistar os pontos necessários para figurar na parte intermediária da tabela.

O Atlético-PR não vinha jogando partidas ruins e sofria com a falta de ritmo no segundo tempo dos duelos, mas para o apelido de Furacão voltar a ter sentido precisou-se de uma troca de estilo de jogo. Vágner Mancini chegou e o encaixe com o time foi imediato.

A mobilidade e a variação na movimentação que Mancini implantou conseguiu tirar o algo a mais do elenco rubro-negro, algo que o conservadorismo de Drubscky não conseguiu. O ex técnico atleticano também era ofensivo e vertical. O que mudou e alavancou a verticalidade do time foi o estilo de jogo que Mancini implantou.

Furacão mostra-se um time com forte movimentação e variações de esquemas táticos

Furacão mostra-se um time com forte movimentação e variações de esquemas táticos

O Furacão atualmente mostra-se um time compactado. Mancini por diversas vezes iniciou jogos com um meio campo formado por um triângulo de base alta. Quando opta por outro esquema tático e o time está ”perdendo” o meio campo para o adversário, a transição é feita e o time retorna para o 4-3-1-2. Éverton, meia extremo pela esquerda, fecha pelo centro, alinhando-se com João Paulo a frente de Bruno Silva; Marcelo faz a diagonal aproximando-se a Ederson. Essa formação da maior consistência na marcação central, pois não obriga João Paulo a se preocupar apenas com a marcação, o que não é uma de suas maiores virtudes e prejudica a saída de bola do time.

Contra adversários que possuem força no jogo pelos lados, o comandante rubro-negro utiliza-se do 4-2-3-1, como variação do 4-3-1-2 ou da maneira habitual. No estágio defensivo retrai-se os pontas Marcelo e Éverton, adianta o meia centralizado e faz a transição tática do 4-2-3-1 para o 4-2-2-2. Outra movimentação para a mesma transição é Ederson voltar pela esquerda e Éverton fechar pelo meio, posicionando-se próximo a Paulo Baier.

Nas duas formas de posicionamento defensivo, o Atlético-PR não deixa de forçar os meias adversários a errarem o passe, pressionando a saída de bola com uma marcação compactada, que diminui bastante os espaços. O contra-golpe é sempre muito ágil.

A recomposição, formando o losango no meio, é muito útil. Com Drubscky, o time sofria para marcar adversários com rápida saída de bola e que atuavam com pontas que buscavam jogo nas costas dos volantes. As coberturas falhavam e sobrecarregavam os volantes, o que dificultava o jogo de João Paulo, que vem realizando ótimo campeonato, armando o time por trás e qualificando a saída de bola. Não se pode deixar de lado a contratação de Bruno Silva, que chegou ao time após a saída de Drubscky. O volante deu mais força na bola aérea e pegada na cabeça de área.

Com Mancini, o setor ofensivo do time funciona muito com ultrapassagens, que são feitas após movimentações que englobam todo setor ofensivo rubro-negro. Os laterais são ofensivos e têm força para fazer a recomposição defensiva. Marcelo busca a diagonal para Léo ter profundidade e chegar à linha de fundo. Éverton, que é mais meia do que ponta, afunila pelo meio, dando passagem para as investidas do bom Pedro Botelho, e ajuda na saída de bola, reforçando o rápido toque de bola que busca a profundidade e infiltração na área adversária. Ederson, o homem mais adiantado do time, não guarda posição dentro da área, mas sabe se posicionar para receber o último passe. O atacante abre pelos lados e volta por dentro, com Paulo Baier dando assistências para jogadas diagonais e entrando na área para concluir.

Como já foi relatado, a verticalidade e a busca pela profundidade existiam com Drubscky. Mas pela falta da movimentação constante, o time realizava poucas tramas, criava menos e consequentemente o jogo da equipe não mostrava tantas infiltrações na área adversária, ultrapassagens e, principalmente, velocidade.

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Acadêmico de Jornalismo. Analista Tático. Redator na DPF e na Vavel Brasil.