Qual o limite do Atlético de Madrid?

  • por Victor Mendes Xavier
  • 8 Anos atrás

Líder, melhor ataque e segunda melhor defesa. O Atlético de Madrid que inicia a temporada com quatro vitórias em quatro jogos pela primeira vez em oito temporadas mostra que, enquanto tiver fôlego (e essa palavra merece ser mencionada), vai brigar no topo da tabela com Barcelona e Real Madrid.

A exemplo da temporada passada, os rojiblancos começam o semestre voando. Em 2012-2013, a boa campanha nos cinco primeiros meses somada a um pálido Real Madrid asseguraram a segunda posição até fevereiro, quando os merengues mostraram uma importante ascenção na temporada, proporcional à perda de fôlego dos rojiblancos, que caíram para a terceira posição.

Baseando-se pelos últimos jogos contra Real Madrid e Barcelona, o Atléti provou que pode bater de frente contra os gigantes no confronto direto. Pensar em título, talvez, ainda pareça exagero por um fator: o Atlético terá poder suficiente para coinciliar, possivelmente, três competições a partir do segundo semestre da temporada?

Atlético de Madrid provou que pode vencer Real Madrid e Barcelona. Mas vencer a Liga ainda é utopia? (AP Photos)

Atlético de Madrid provou que pode vencer Real Madrid e Barcelona. Mas vencer a Liga ainda é utopia? (AP Photos)

Em junho, a equipe perdeu Falcao García, mas contratou David Villa junto ao Barcelona por uma pechincha. Por 5 milhões de euros, o Atléti ganhou um bom centroavante acostumado ao futebol espanhol e com uma qualidade técnica tão boa quanto a do colombiano, principal goleador do time nos últimos dois anos. Em campo, Villa não tem decepcionado: em cinco jogos, marcou três gols (três belos gols, diga-se de passagem), incluíndo um contra o Barcelona na final da Supercopa da Espanha.

O Atlético de Madrid 2013-2014 caminha para ser a versão mais forte da Era Simeone. O sistema defensivo, calcanhar de aquiles do time no século XXI, é o mais sólido da Liga BBVA. A espinha-dorsal do time está no meio-campo. O incrível Arda Turan é o mais criativo jogador do elenco. Capaz de achar espaços e construir jogadas perigosas com frequência, a bola passa pelo seu pé a todo instante. Na volância, Gabi e Suárez são essenciais ao esquema de Simeone, pois garantem estabilidade defensiva ao sistema.

É uma equipe cínica, que gosta de jogar sem a bola, nega espaços ao adversário e tem um contra-ataque poderoso. Especialmente no primeiro tempo do confronto contra o Barcelona pela Supercopa, no Vicente Calderón, o Atlético teve uma atuação impecável. Em um 4-1-4-1 sem a bola, Simeone montou um esquema que anulou Messi, asfixiou Xavi e Iniesta e maltratou o sistema defensivo catalão nas jogadas em velocidade. 

No final de semana, os rojiblancos voltaram a mostrar sua faceta goleadora. A movimentação do quarteto de frente formado por Koke, Diego Costa, Raúl García e Villa enlouqueceu o Almería, que foi amplamente dominado nos 90 minutos. Há duas semanas, vale lembrar, o Atléti meteu cinco gols para cima do Rayo. Mas a atuação que mais chamou a atenção veio contra a Real Sociedad. No sempre complicado Anoeta, os colchoneros foram perfeitos na proposta de não deixar os bascos trabalharem com a bola. Intenso, o Atléti dominou o meio-campo e evitou que a bola chegasse com tranquilidade a Vela, Griezmann e Seferovic. Para isso, a marcação de Suárez em Xabi Prieto foi precisa. Suárez “tomou conta” do volante basco os 90 minutos, ainda que não tenha conseguido evitar o gol de Prieto, em bela finalização.

Em suma, é um time camaleônico, que sabe se adaptar à forma de jogo do adversário (o tiki-taka do Barcelona ou a postura implacável da Real Sociedad). Em âmbito doméstico, só uma hecatombe fará o Atlético ficar fora das quatro primeiras posições. Se vai longe na Uefa Champions League, é difícil dizer. Mas que vai dar mais trabalho do que o time de 08/09 e 09/10, é quase 100% de certeza.

Comentários da rodada

– O Barcelona venceu o Sevilla por 3×2 em jogo polêmico. Os nervionenses reclamaram fortemente de um gol anulado de Coke e do terceiro gol do Barcelona, alegando que os acréscimos proposto pelo árbitro já haviam se esgotado. Um prato cheio para o falastrão presidente sevillista Del Nido, que adora uma confusão. No entanto, por ora, ele ainda não se pronúnciou. Na entrevista pós-jogo, ainda no gramado do Camp Nou, o zagueiro Navarro foi contundente: “Isso é roubo. Não há outra explicação. O Barcelona é uma grande equipe, mas isso que aconteceu hoje é vergonhoso”. Nas quatro linhas, destaque para a melhor atuação de Neymar como jogador blaugrana. Ele enloqueceu Coke no mano-a-mano, assistiu Messi marcar novamente e não deixou sua marca por detalhe.

– Villarreal e Real Madrid fizeram um jogo muito movimentado no El Madrigal. Na tão esperada estreia de Gareth Bale, quem brilhou foi Diego López, em fase especial. De volta ao estádio onde mais brilhou, ele fez três defesas cruciais, evitando a derrota merengue. À Espanha de Aragonés, o Submarino Amarelo envolveu o Real Madrid em algumas partes do jogo, com troca de passes velozes e marcação avançada. Modric, melhor em campo contra o Athletic Bilbao, inexistiu. A vitória não veio, mas a sensação que fica é que, definitivamente, o Villarreal está de volta.

– Por 45 minutos, o Bétis mostrou o melhor futebol da rodada. Vertical, com triangulações rápidas e um domínio territorial amplo, os verdiblancos animaram a torcida. Salva Sevilla foi o melhor jogador em campo. Ele deu a assistência pro gol de Jorge Molina e depois anotou dois gols. Por outro lado, o Valencia segue sem convencer. O 4-2-3-1 carece de um meia criativo (Banega faz as vezes centralizado na linha de três, mas não é sua característica) e a bola pouco chega em Helder Postiga. A temporada promete ser longa para os chés.

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Jornalista, carioca e apaixonado pela Liga Espanhola desde a época em que Rivaldo, Zidane, Figo e Raúl foram seus professores. Colaborou para o programa [email protected] da Rádio Globo São Paulo falando sobre o futebol do país das touradas. Repórter da Super Rádio Tupi.