Sorte grande: a passagem de Magrão pelo Náutico

Magrão Náutico

O volante Magrão, recentemente dispensado pelo Náutico, é um jogador experiente. Teve passagens por alguns dos maiores clubes do futebol brasileiro, como o Corinthians, o Palmeiras e o Internacional, além de algumas boas temporadas no futebol árabe. Mas foi no Timbu que ele encontrou o verdadeiro emprego dos sonhos de qualquer profissional.

Há cerca de quatro meses, quando acertou com o clube de Rosa e Silva, Magrão assinou um contrato que lhe assegurava R$ 115 mil mensais. Era um dos maiores salários do elenco, para um jogador que chegava como uma das principais contratações do Timbu para a Série A. No entanto, às voltas com lesões, o volante praticamente não atuou pelo clube. E com o iminente rebaixamento, a diretoria alvirrubra resolveu começar a cortar custos –começando pelo próprio Magrão.

Para jogar exatos 122 minutos de futebol, o experiente atleta recebeu três meses de salário, totalizando um valor de R$ 345 mil. Só que pela rescisão de seu contrato, o Náutico foi obrigado a transacionar com Magrão, fechando com ele um acordo no valor de R$ 640 mil, dividido em dezesseis parcelas. Esse montante poderia ser ainda maior se o jogador não tivesse concordado em evitar um litígio: caso acionasse a Justiça do Trabalho, Magrão tinha chance de conseguir uma indenização ainda maior. Somando tudo, quase R$ 1 milhão investidos, uma média de incríveis R$ 8.073 para cada minuto do jogador em campo.

Mas afinal, até que ponto vai a responsabilidade do jogador? Certamente, ele não tem culpa de se machucar. Tampouco pode ser responsabilizado pelo fraco desempenho da equipe, já que mal entrou em campo. Acontece, entretanto, que sua contratação se deu num momento em que o clube já dispunha de vários outros jogadores para a posição. Além disso, o atleta chegou ao Náutico sem ritmo de jogo, como quase todos os que se aventuram a atuar no Oriente Médio – outro fator que potencializou ainda mais seus problemas físicos.

Como se pode ver, a história de Magrão pelo Náutico diz muito sobre o “planejamento” feito pelo clube para a temporada.

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Jornalista recifense, sócio-diretor do Doentes por Futebol, editor da Revista Febre. Curioso observador de tudo o que cerca o futebol brasileiro e internacional.