Argel começa a corrigir os erros da própria diretoria

Foto: Fernando Ribeiro - Daniel Carvalho não rendeu o esperado na região carbonífera

Foto: Fernando Ribeiro – Daniel Carvalho não rendeu o esperado na região carbonífera

As dispensas de Daniel Carvalho e de outros três jogadores (o zagueiro Ozéia e os laterais Gilson e Tony) agitaram os bastidores do Criciúma na última sexta-feira. A repercussão foi tão grande que o clube da região carbonífera tirou a notícia de seu site e das redes sociais. Mas, o que poderia ser um sinal de mudança de ideia sobre a dispensa, foi apenas um erro de comunicação entre alguns setores do clube. Horas depois do anúncio apagado da página do Tigre, o diretor executivo Cícero Souza confirmou, em entrevista concedida às rádios locais, o fim do vínculo com os jogadores. O dirigente também afirmou que a decisão foi tomada pela comissão técnica do time em reunião com o departamento jurídico.

O episódio começa a indicar o rumo do trabalho do novato técnico Argel Fucks, sobre o qual foi colocado um imenso ponto de interrogação quando contratado. Fica subentendido que o treinador pretende corrigir os erros de planejamento acumulados durante todo o ano de 2013.

O Criciúma desta temporada tem o elenco bastante modificado se comparado ao grupo que conquistou o acesso à série A do Brasileiro. Considerando também os atletas que retornaram de empréstimos, 35 jogadores chegaram às fileiras do Criciúma em 2013 – dos quais 17 foram recebidos desde 5 de março, data em que Cícero Souza foi anunciado como diretor executivo do clube, substituindo Rodrigo Pastana. Muitos desses “reforços” estavam inativos ou jogando pouco por seus clubes.

Daniel Carvalho, um dos dispensados, é o caso mais simbólico dessa série de contratações. A chegada do meia fora anunciada em março. Porém, sua estreia pelo clube carvoeiro ocorreu apenas no dia 30 de maio, na 2ª rodada do Campeonato Brasileiro. Até então Daniel Carvalho não havia jogado em 2013, por estar sem clube. Sua última aparição em partidas oficiais havia sido pela Copa Sul-Americana em outubro de 2012, quando ainda vestia a camisa do Palmeiras, na derrota por 3×0 para o Millonarios da Colômbia.

Como se a inatividade não fosse o bastante, Daniel Carvalho, que já estava (muito) acima do peso no clube paulista, não conseguiu qualquer melhora significativa neste aspecto. É verdade que não estava tão “cheio” em Santa Catarina, mas também não estava nem perto do ideal. Obviamente o comando técnico (primeiro sob Vadão, depois Sílvio Criciúma e Argel) esteve ciente disso. Não à toa, Daniel foi titular de apenas cinco das 16 partidas das quais participou. E, nestes cinco jogos, não chegou aos 75 minutos em campo – balançando as redes apenas uma vez, sem dar qualquer passe para gol.

Ainda que Daniel Carvalho tenha sido um jogador que buscou o jogo e nunca se omitiu em campo, a realidade é que a diretoria teve diversos motivos para tomar a decisão que tomou.

Talento ele mostrava ter, mas lhe faltava condição física. Daniel corria pouco e logo estava cansado, muito em função de seu excesso de peso (fator que atrapalhava bastante seu futebol). E o atleta ainda foi incapaz de vencer as lesões. Contundia-se em qualquer partida de maior exigência no aspecto físico. Na semana passada contra a Portuguesa, por exemplo, o jogador entrou no lugar de Morais (que saiu por lesão) ainda na etapa inicial. Porém Daniel Carvalho novamente não chegou ao fim da partida. Sua participação no jogo terminou com uma contusão que o deixa fora de condições por um prazo de 15 a 20 dias.

Os carvoeiros podem defender Daniel, criticar sua dispensa e questionar as críticas feitas ao jogador. Mas há margem para dizer que ele não apresentou condições mínimas de jogar profissionalmente. O meia tentava jogar, se esforçava, distribuía o jogo, lançava – enfim, não se entregava. Mas não aguentava o ritmo da partida. Em outras palavras, Daniel Carvalho apresentava características de ex-jogador profissional, o que é uma pena – pois, há uma década (quando surgiu), chegou a mostrar grande talento.

Foto: João Lucas Cardoso - A imagem de Daniel no DM se tornou rotina

Foto: João Lucas Cardoso – A imagem de Daniel no DM se tornou rotina

OUTROS ERROS

A cria colorada não foi o único erro de Cícero Souza quando se fala da contratação de jogadores inativos. Entre os 17 jogadores que chegaram sob a gestão do dirigente, algumas outras escolhas prejudicaram diretamente o time e os treinadores que por lá passaram.

Confira abaixo alguns jogadores contratados pelo dirigente e que já estavam com poucos jogos no ano:

Jogador Ex-Clube Chegou em: Jogos antes de chegar: Jogos depois:
Leonardo Atlético-GO 18 de junho 0 17
Galatto CRB 22 de maio 3 12
Ezequiel1 Braga (POR) 19 de julho 14 3
Pacheco Linense 28 de maio 11 4
Tony Grêmio 6 de junho 7 6
Serginho Atlético-MG 27 de maio 6 16
Morais Atlético-MG 6 de junho 3 17
Weldon CFR Cluj (ROM) 6 de setembro 14 2
Bruno Renan Shakhtar (UCR) 19 de março 0 8
Wellington Paulista West Ham (ING) 8 de junho 0 20
Cassiano Internacional 16 de junho 4 12

*Seis jogadores restantes: o já citado Daniel Carvalho, Elton, Ricardinho, Leandro Brasília, Ozéia1 e Marcel. Os últimos cinco não entraram na lista, pois jogaram um número razoável de partidas antes de chegarem ao Criciúma.

Em função das constantes lesões, o trabalho de preparação física do clube foi detonado pela mídia e pela torcida. Mas o fato é que Cícero Souza contratou um contingente de jogadores que pouco entrou em campo em 2013 – e para um período em que, frequentemente, o clube teria duas partidas por semana. Claro que a preparação física tem sua parcela de responsabilidade, mas seria ingenuidade ignorar que muitos dos atletas contratados estavam inativos.

Argel, com seu estilo vibrante e, em alguns momentos, autoritário, notou essa falta de planejamento e já tomou algumas atitudes. Porém, o Brasileirão está acabando e talvez seja tarde demais para tais medidas.

1Ezequiel e Ozéia retornaram de empréstimo;

Comentários

Uma mistura maluca de pessoa. Academico de jornalismo, catarinense de origens italianas e espanholas, mas apaixonado pela bola que rola na terra da Torre Eiffel e pela gorduchinha que pinta os gramados cheios de chucrute da Alemanha. Não escondo minha preferência por times que tem uniformes nas cores amarelas e pretas, mas sempre com análises bem embasadas... ou não. Mas acima de tudo, sou um Doente Por Futebol.