Brilho coletivo

  • por Victor Mendes Xavier
  • 4 Anos atrás
Giovanni dos Santos comemora gol contra o Real Madrid: Villarreal voltou à elite espanhola para ficar (AP Photos)

Giovanni dos Santos comemora gol contra o Real Madrid: Villarreal voltou à elite espanhola para ficar (AP Photos)

Por 30 minutos, o Getafe impressionou contra o Bétis. Impulsionados por um inspirado Pedro León, autor de dois gols, os azulones massacraram os verdiblancos, marcaram três vezes e construíram a vitória. A surpresa ficou por conta de uma partida especial de uma equipe pragmática, nada acostumada à brilhantez. Mas o melhor desempenho da oitava rodada veio da Comunidade Valenciana. Enquanto o filho pobre de Madrid aproveitou o segundo tempo para cadenciar o jogo (até pela perda de Pedro León, que, acreditem, saiu lesionado ainda nos primeiros 45 minutos), o Villarreal foi autoritário durante os 90 minutos na vitória por 3×0 contra o Granada.

Qualidade do adversário à parte, seria injusto não dar os méritos à equipe de Marcelino Toral. Na temporada de retorno à elite, o Submarino Amarelo vai mostrando que o rebaixamento em 2011-2012 não passou de mera formalidade. A cada rodada, o Villarreal ratifica que voltou para ficar e encantar. O time encanta porque as vitórias não são construídas à base da sorte. A equipe que dominou o Real Madrid e só não somou três pontos por uma noite inspirada de Diego López tem um estilo de jogo próprio e imutável, não importa a situação.

Na quarta colocação com 17 pontos, o Villarreal coleciona destaques individuais, especialmente do meio para frente. O goleiro Asenjo, o lateral Mário, o zagueiro Musacchio, o volante Bruno, o meia-esquerda Cani, o ponta transformado em segundo atacante Giovanni dos Santos e o centroavante Jonathan Pereira atraem manchetes elogiosas a cada rodada.

Sobretudo após a chegada de Manuel Pellegrini, em 2004-2005, o clube parece ter definido a forma de jogo do chileno como uma filosofia. Desde Pellegrini, quatro treinadores passaram pelo Villarreal e não mudaram o esquema de jogo e a forma de atuar do time. Exemplo de como funciona a filosofia, o mexicano Giovanni dos Santos, contratado há dois meses, foi deslocado a jogar mais próximo do gol, auxiliando Jonathan Pereira, para encaixar no 4-4-2. Acostumado a jogar aberto pelas pontas desde seu início no Barcelona, Giovanni se adaptou rapidamente à nova função e tornou-se mais presente no jogo. 

Em outras palavras, brilhar no Villarreal pode ser mais simples do que em outros lugares. É como estar em casa, num Barcelona dos pobres, que não investe o bastante para estar entre os primeiros, mas sabe encantar à sua maneira. Os amarillos jogam com a bola nos pés, valorizando a posse, e avançam a marcação no El Madrigal para deixar o adversário desconfortado em campo. Não é tão difícil encontrar no Youtube vídeos com as tags “Villarreal tiki-taka” compilando algumas das jogadas à Espanha/Barcelona do Submarino Amarelo, variando de temporada após temporada.

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A única grande alteração dos tempos de Pellegrini ao atual talvez seja a maior atenção que a diretoria tem dado à base desde o rebaixamento. Até pelo baixo orçamento, a contratação de muitos sul-americanos foi deixada um pouco de lado. Neste cenário, os destaques individuais vêm, portanto, de um brilho coletivo intacto no clube. Marcelino Toral mantém o pé no chão. O treinador afirmou após a vitória contra o Granada que o objetivo do time continua sendo a permanência na primeira divisão. Em partes, ele está certo. Mas, pelas beiradas, o Villarreal vai fazendo sua parte. Que o digam os adversários que foi e irão visitar o Madrigal ao longo da temporada.

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Jornalista, carioca e apaixonado pela Liga Espanhola desde a época em que Rivaldo, Zidane, Figo e Raúl foram seus professores. Colaborou para o programa Esporte@Globo da Rádio Globo São Paulo falando sobre o futebol do país das touradas. Repórter da Super Rádio Tupi.