Luxemburgo, o último grande técnico

  • por Bráulio Silva
  • 6 Anos atrás

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Não posso negar: sou fã dos times do Luxa. Mesmo odiando o Palmeiras de 1996, dava gosto ver aquele esquadrão com Rivaldo, Djalminha, Muller e Luizão jogar.



Aliás, uma das frustrações é não ter tido Vanderlei Luxemburgo como técnico do clube que torço. Tenho certeza que é também uma frustração dele. Sempre foi à imprensa declarar que sonhava em treinar o São Paulo.

Mencionei no começo o Palmeiras de 96, aquele que marcou 102 gols, mas poderia citar o Cruzeiro de 2003, o melhor time dos pontos corridos. Nadou de braçada naquele campeonato com excelente aproveitamento.

O Corinthians de 98 também traz ótimas lembranças ao treinador. Com o excelente trabalho realizado no Parque São Jorge, o técnico foi convidado a assumir a Seleção Brasileira após a Copa do Mundo daquele ano.

Aliás, a passagem dele pela seleção parece ter marcado o início do fim da carreira do estrategista. Em 99, conquistou a Copa América. No começo de 2000, ganhou o Pré-olímpico com direito a um massacre sobre a Argentina. No mesmo ano, descobriu-se que, na época de jogador, Luxemburgo tinha adulterado a idade em 3 anos – o famoso “Gato”.

Com reportagens investigativas e uma CPI, o técnico ainda sofria pressão da torcida para levar Romário aos jogos Olímpicos. Mas o técnico estava irredutível e determinado a levar apenas jogadores com menos de 23 anos. A safra era excelente. O time contava com Hélton e Fábio Costa para o gol, Lúcio na zaga, Ronaldinho, Edu, Roger e Alex para o meio. Mas faltou o cara para decidir jogos. Na época, ele dizia que não queria cair no mesmo erro de Zagallo, que 4 anos antes havia levado Aldair, Bebeto e Rivaldo. Os três tiveram desempenho abaixo do esperado.

Pressionado por imprensa e torcida, ou o Brasil ganhava a medalha de ouro nas Olimpíadas ou o treinador estaria fora. Após uma primeira fase sem sustos, o time encarou Camarões na fase quartas de final. E a derrota veio da pior forma possível: na prorrogação e com com dois jogadores a mais. Era o fim da Era Luxa na seleção.



As desavenças

Por onde passou, o técnico colecionou desafetos. Veja alguns deles:

Ronaldo – O ex-goleiro do Corinthians era tido como quase um dono do clube. Ao chegar no Parque São Jorge, a primeira exigência do treinador era que o atleta saísse do clube.

Edmundo – Brigaram várias vezes quando defenderam Palmeiras e Flamengo. Até hoje são inimigos, inclusive com briga na justiça.

Romário – Dizem que o “Baixinho” derrubou Luxemburgo do Flamengo em 95. Em represália, o treinador não levou o atacante para as Olimpíadas em 2000.

Marcelinho – É a briga mais famosa. Dizem as más línguas que os dois conflitaram até por causa de mulher na concentração. Tempos depois, num programa de TV, Luxemburgo, aos berros, chamou Marcelinho de “muleque”.

Felipão – Durante um jogo entre Flamengo e Grêmio pela Copa do Brasil, em 95, houve um entrevero em campo. Fora dele, Felipão deu um soco na barriga de Luxemburgo.

Entre outras confusões, Luxemburgo já machucou o braço numa briga com a torcida do Palmeiras, foi acusado de assediar uma manicure e de ter envolvimento com sua secretária que tempos depois posou pelada para uma revista masculina…

Os títulos

Pode-se acusar Luxemburgo de muitas coisas, mas não de fracassado! Sua carreira é recheada de títulos. Confira a lista:

· Campeonato Brasileiro – 5 títulos
Palmeiras (1993 e 1994), Corinthians (1998), Cruzeiro (2003) e Santos (2004)

· Copa do Brasil – 1 título
Cruzeiro (2003)

· Campeonato Paulista – 8 títulos
Bragantino (1990), Palmeiras (1993, 1994, 1996 e 2008), Corinthians (2001) e Santos (2006 e 2007)

· Campeonato Mineiro – 2 títulos
Cruzeiro (2003) e Atlético (2010)

· Campeonato Carioca – 1 título
Flamengo (2011)

· Torneio Rio-São Paulo – 2 títulos
Palmeiras (1993) e Santos (1997)

Foto: Reprodução - Luxemburgo comemora gol pelo Grêmio. No time Gaúcho, ele não ganhou títulos

Foto: Reprodução – Luxemburgo comemora gol pelo Grêmio. No time Gaúcho, ele não ganhou títulos

Os números provam que Vanderlei Luxemburgo é um excepcional treinador. Em 2013, o Fluminense, que estava na beira da zona de rebaixamento, já ocupa a sexta posição no Brasileirão. E muitos dão como certo seu retorno ao Palmeiras, justamente no ano do centenário do clube paulista.

O que preocupa é que desde a volta dele ao Brasil, após a passagem pelo Real Madrid, os títulos, que eram regra, viraram exceção. Será que o “estrategista” está ultrapassado e seus métodos não trazem mais solução, ou será que, se ele se focar na carreira de treinador, os bons resultados podem reaparecer?

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Paulistano, casado e com 33 anos. Apaixonado por futebol e pelo São Paulo FC. De memória privilegiada, adora relatar e debater fatos futebolísticos de outrora. Ex-estudante de jornalismo, hoje gerencia uma drogaria no município de Barueri, além de escrever para a Doentes por Futebol.