Os erros de Dunga

A demissão de Dunga era algo que, mais cedo ou mais tarde, iria acontecer. E não por perseguição do presidente colorado ou qualquer fator deste tipo. O treinador simplesmente não conseguiu montar um time minimamente organizado. O segundo semestre foi um show de horrores que culminou na demissão dele e de toda a comissão técnica, incluindo o renomado preparador físico Paulo Paixão.


No campeonato Gaúcho, Dunga fez o dever de casa e ganhou os dois turnos com relativa tranquilidade. Na Copa do Brasil o Inter teve algumas atuações ruins, mas jogou o suficiente para passar de fase. Porém, com a chegada do Campeonato Brasileiro, foi possível observar alguns erros gritantes no time:

1) Rodízio de Jogadores

Fazer uma rotação entre jogadores é benéfico, principalmente quando o elenco é velho, como é o caso do Inter. Porém, as trocas do Dunga ocorriam porque ele não sabia qual seu time titular. Todas as variações foram testadas, principalmente nos volantes – os quatro volantes foram escalados de formas diferentes durante todo o campeonato e até mesmo o uso de três volantes foi feito. No ataque, mesma situação. Nas últimas partidas de Dunga, Forlán e Damião eram banco e, no ataque, Caio, como falso 9.

2) Troca de esquema tático

A maior parte das táticas utilizadas atualmente foram testadas por Dunga: desde o tradicional losango no 4-4-2 até um 4-5-1 sem um atacante de referência. Além de serem constantes, os testes foram feitos de maneira atrapalhada. Se em um jogo o time jogava em 4-4-2, no outro, a formação mudava, o que acabou levando ao erro número 3.

3) Posicionamento dos jogadores

Com a interminável troca de jogadores e de esquemas, difícil seria se os jogadores soubessem o que fazer. Nunca houve um entrosamento do time. Posicionamento é, para alguns, ainda mais importante defensivamente que a qualidade do plantel. Isso se refletiu na quantidade de gols sofridos: o Inter tem a sexta pior defesa do campeonato. Diversos gols sofridos foram consequência do posicionamento ruim da defesa. No jogo que sacramentou a queda do treinador, por exemplo, pode-se observar, durante os ataques do Vasco, a dupla de volantes recuando e deixando um vazio na frente da área.

4) Dependência do D’Alessandro

Já abordei esse problema em outro texto, D’Alependencia. Todo treinador que chega ao clube passa a contar com a habilidade do D’Ale para armar as jogadas. É evidente que o argentino é o grande craque do time, mas, a partir do momento em que o técnico se limita a propor o jogo com um único jogador, está propenso a ser anulado facilmente. Foi o que aconteceu diversas vezes. Com um ou até mesmo dois jogadores marcando D’Alessandro, o time do Inter morre, já que o argentino é o maestro do time. E quando ele está marcado ou no banco, resta sair jogando com os volantes, mas nenhum deles possui qualquer aptidão para isso. Na partida contra o Vasco, por exemplo, D’Alessandro tinha que vir buscar a bola atrás do meio campo, pois os volantes e zagueiros só trocavam passes entre si, incapazes de armar uma jogada decente.


Esses itens foram essenciais à queda de Dunga. São erros que alguém com mais tempo na profissão, ou com mais estudo sobre o esporte, poderia ter evitado. Dunga chegou com grande apoio da massa colorada, mas saiu por baixo. E grande parte da culpa é dele mesmo, ainda que a direção do Inter também seja alvo de muitas críticas da torcida.

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Gaúcho, colorado e estudante de Engenharia de Computação. Doente por futebol desde que se entende por gente. Joga futsal nas horas vagas. A cada dois jogos, uma lesão.