Os segredos da ótima campanha do Goiás no Brasileirão!

Foto: reprodução - Walter, artilheiro do Goiás.

Foto: reprodução – Walter, artilheiro do Goiás.

O Goiás é um time que segue bem as “normas” do futebol moderno e sob o comando de Enderson Moreira, vêm surpreendendo no Brasileirão, brigando por uma vaga na Taça Libertadores da América. Dentre as principais características da equipe, cabe citar a verticalidade na transição, a intensidade no ataque e a rapidez na recomposição defensiva.

O 4-2-3-1 goiano conta com intensa movimentação na linha dos três meias. Eduardo Sasha faz a diagonal pro centro, se aproxima de Hugo e abre corredor. Roni circula mais pelos lados, mas também corta pra dentro, na direção da grande área para a conclusão. No centro da cancha, Hugo tem mais mobilidade do que nos tempos em que atuava no Sport. Se movimenta constantemente na intermediária ofensiva, migra para os lados, participando da formação de pequenas sociedades triangulares como o winger e o lateral do setor, além de recuar para dar opção na saída de bola e ser vertical em suas aparições na grande área, como homem-surpresa, se infiltrando entre os zagueiros para finalizar e escorar os cruzamentos. Há constante troca de posição entre os ponteiros entre si e com meia Hugo, dando rotação ofensiva e dificultando o encaixe de marcação do adversário.

Amaral é o volante organizador do primeiro passe, que fica mais próximo dos zagueiros na saída de bola. David cuida da transição, carrega a bola para a segunda metade da cancha, ajuda na armação e transita entre as intermediárias. Quando o adversário utiliza uma marcação mais adiantada, o Goiás roda a bola em seu campo de defesa, com os dois laterais mais contidos. Por vezes, Hugo e/ou um dos wingers recua(m) para dar opções de passe. O apoio entre os laterais é alternado, como já é característico de sistemas com uma linha de quatro na defesa. Vitor e William Matheus tabelam com os wingers e mergulham nos corredores abertos pelos mesmos, com rápidas ultrapassagens e investidas na direção da linha de fundo para cruzar. Ambos também podem apoiar por dentro e tentar algumas incursões em diagonal, na área adversária.

POSICIONAMENTO 1(2)

A função tática de Walter libera toda essa movimentação dos homens de meio. Ele funciona como um pivô, escora lançamentos, busca flutuação na faixa central da meia-cancha, cai pelas pontas para criar e trocar passes, ocupa espaços, tem bom posicionamento e circula por todo o ataque. Por vezes, esses seus deslocamentos para outras regiões do gramado abrem espaços para a infiltração dos homens de trás no sistema defensivo adversário, já que o mesmo também costuma transitar entre as linhas de defesa e meio do oponente.

Sem a bola, o Goiás marca num 4-1-4-1, com posicionamento em bloco médio-alto e marcação mista/por zona. O volante David avança para dar o bote por dentro e dividir a concentração da zona de pressing no centro do campo com Hugo. Os médio-extremos retornam pelos lados e auxiliam os laterais. Walter fica mais à frente e sai no bote alto, em cima dos zagueiros adversários. A proposta defensiva esmeraldina visa o encurtamento e o preenchimento de espaços, principalmente no meio-campo, porém também há alguns acompanhamentos individuais.

A marcação é iniciada na intermediária adversária, com pressão sobre o homem da bola, encaixe dobrado nos flancos, com os wingers dando o primeiro combate à frente dos laterais, flutuação das linhas de marcação para o lado da pelota, com a centralização do winger do flanco oposto, buscando o fechamento das linhas de passe e a retomada de bola na meia-cancha. Quando acontece um cruzamento adversário para a área, vindo de um lado, o lateral do extremo oposto entra na área para fazer a cobertura por dentro. Também ocorre uma variação na altura dos blocos, no início do combate, porém na maioria das vezes o Goiás avança suas linhas de marcação, pressionando a saída de bola do oponente. O primeiro-volante Amaral fica postado entre as duas linhas de quatro e pode migrar para o lado da jogada. É um volante de pegada e que dá proteção ao miolo de zaga. Quando a bola é recuperada, o time goiano tenta a saída em velocidade, com as projeções dos laterais Vitor e William Matheus, além claro da incisão e profundidade nas jogadas com os letais Roni e Eduardo Sasha, duas das principais “válvulas de escape” para carregar a transição defesa-ataque. Walter também pode recuar e se aproximar da intermediária.

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Natural de Recife-PE e futuro jornalista esportivo. É colunista de futebol nordestino no BOL Esporte/ Portal Terceiro Tempo e colabora com o Doentes Por Futebol. Gosta bastante de análises técnico-táticas.