Por que o Náutico já está praticamente rebaixado?

foto: reprodução - Martinez, capitão do Náutico.

Foto: reprodução – Martinez, capitão do Náutico.

Juntamente com a temporada 1998/1999, quando o Náutico foi rebaixado para a Série C do Campeonato Brasileiro, esse é um dos piores momentos da história do clube pernambucano. O Náutico já está praticamente rebaixado para a Série B do Brasileirão, com muitas rodadas de antecedência e de forma humilhante, sem demonstrar nenhum poder de reação.

Com a chegada do técnico Marcelo Martelotte, muita coisa melhorou, porém, os problemas estão longe de serem solucionados. Isso é fruto do péssimo planejamento da incompetente diretoria alvi-rubra para a temporada. Agora, o foco deve ser a Copa do Nordeste, que começará em janeiro e o Campeonato Pernambucano 2014. Percebe-se que o time do Náutico é mediano do meio pra frente, mas lá atrás, deixa muito a desejar.

Estrategicamente, o Náutico se posiciona no 4-3-1-2 losango, com variante para o 4-3-3, durante as migrações de Tiago Real para as pontas do ataque, partindo sempre do centro da cancha.

Na transição ofensiva, conta com a apresentação de Martinez e Derley na segunda metade da cancha, de modo que ambos podem abrir pelos flancos para auxiliar os laterais na saída pro jogo ou avançar por dentro, buscando aproximações com Tiago Real. Um desses “carrilleros” do médio losango recua na saída de bola para receber o primeiro passe, que vem do volante Elicarlos. Martinez faz este recuo de forma mais costumeira, devido à sua boa visão de jogo e qualidade do passe, e este movimento visa dar mais organização à transição defesa-ataque no meio-campo.

O problema é quando o adversário marca em linha alta, iniciando a onda de pressing no campo de defesa do Náutico. Daí, o time enfrenta dificuldades para trocar passes e transitar na intermediária. Assim, a solução é apostar nas bolas longas para o centroavante uruguaio Olivera disputar com os zagueiros adversários no alto, ou tentativas de lançamentos em profundidade para a corrida do velocista Maikon Leite. Com isso, o Náutico perde em poder de articulação na meia-cancha, compactação ofensiva e conectividade entre os setores do campo.

Esquema tático do Náutico.

Esquema tático do Náutico.



O Timbu conta com dois laterais que sabem atacar tanto por dentro quanto por fora, porém, não são aproveitados da maneira correta. Mesmo assim, quando chegam ao ataque, levam perigo, seja numa investida em diagonal, buscando entrar na área do oponente ou numa ultrapassagem na direção da linha de fundo, visando o cruzamento. Defensivamente, acabam deixando espaços em suas costas para as investidas do oponente, pois ambos apresentam certa dificuldade para compor a linha de quatro do sistema defensivo.

Maikon Leite é o responsável pelo desenvolvimento de movimentação pelos lados, circulando predominantemente no flanco direito, mas também realizando inversões de posicionamento para a ponta-esquerda. Ele tem a característica de se aproximar de Olivera por dentro, tentando explorar o pivô do mesmo ou buscar a infiltração no miolo de zaga adversário, se houver espaços para isto.

Um dos grandes defeitos do time alvi-rubro está na armação com Tiago Real, este que se movimenta bem e também cai pelas beiradas, mas que acaba errando no último passe e na distribuição da pelota pela linha de meio. Isso dificulta a chegada da bola com qualidade para a conclusão dos atacantes.

Olivera é um centroavante com pouca mobilidade para participar da criação e buscar flutuação em regiões mais recuadas e a sua lentidão para a execução de certos movimentos, acaba atrapalhando no decorrer de algumas jogadas na frente. O uruguaio costuma aparecer nos espaços entre os volantes e zagueiros adversários, para fazer a parede e servir como base de apoio para trocas de passes curtas no setor.

Em fase defensiva, o Náutico marca em bloco médio, com algumas variações na altura de suas linhas para iniciar a marcação. Um dos atacantes sai no primeiro combate, em cima dos zagueiros ou volantes adversários, enquanto que Tiago Real flutua de acordo com a movimentação da bola para dar o bote na intermediária, à frente dos volantes.

O encaixe de marcação é individual por setor e o primeiro-volante Elicarlos pode migrar para o lado da bola, com o intuito de tentar atribuir vantagem numérica e reduzir as brechas. Derley e Martinez se alinham com Elicarlos para formar um tripé à frente da defesa e estes dois “carrilleros” cobrem seus respectivos extremos, combatendo e auxiliando os laterais por ali. O problema é a proteção da defesa, na entrada da área, o que facilita as penetrações do adversário, por meio de tabelinhas e triangulações.

A zaga também comete muitas falhas, principalmente na bola parada. Além disso, quando o adversário toma a posse de bola e realiza o contragolpe em velocidade, encontra um buraco no campo alvirrubro, devido à lentidão da equipe na recomposição.

Por vezes, o Náutico avança o posicionamento de suas linhas e começa a marcar no campo do oponente, com Maikon Leite e/ou Olivera saindo no bote alto em cima dos zagueiros, enquanto que os “carrilleros” tentam bater de frente com os laterais adversários. Quando a bola é retomada, a principal válvula de escape para o contra-ataque é Maikon Leite, que se movimenta por todo o ataque e tenta carregar a transição rapidamente.

Infelizmente, são as vulnerabilidades defensivas que prejudicam o time recifense. É realmente lamentável que um clube de tradição em cenário regional/nacional esteja passando por este tipo de situação, na lanterna da Série A.

*Texto originalmente publicado por este que aqui escreve, na coluna Olho Tático, de André Rocha, no Portal ESPN Brasil

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Natural de Recife-PE e futuro jornalista esportivo. É colunista de futebol nordestino no BOL Esporte/ Portal Terceiro Tempo e colabora com o Doentes Por Futebol. Gosta bastante de análises técnico-táticas.