Stanley Matthews, a Lenda do futebol inglês

  • por Levy Guimarães
  • 8 Anos atrás

Stanley Matthews

No dia 1º de outubro, comemora-se no Brasil o Dia Nacional do Idoso. Em alusão a essa data, o DpF homenageia o que pode ser considerado o maior “vovô” da história do futebol mundial, um jogador que, por décadas e décadas, fez história nas quatro linhas. Se você pensou em Dino Zoff, Roger Milla ou Ryan Giggs, está enganado: falaremos sobre Stanley Matthews, a Lenda do futebol inglês.

Nascido em 1/02/1915, filho do pugilista Jack Matthews, Stanley jogou mais tempo em alto nível do que qualquer outro jogador: foram incríveis 33 anos de carreira (de 1932 a 1965), quase sempre como o maior astro do futebol inglês e um dos grandes pontas-direita do planeta. Seu estilo de jogo era marcado pela velocidade, habilidade, precisão nos cruzamentos e pelo exuberante preparo físico, muito acima dos jogadores de seu tempo. Não à toa, ganhava apelidos como “Mago dos Dribles”, e “o imparável”, pois era praticamente impossível de ser vencido quando arrancava em velocidade. Além disso, foi um dos primeiros pontas a voltarem para ajudar na marcação.

Começou sua carreira ainda aos 16 anos no modesto Stoke City, que disutava a 2ª divisão inglesa. Logo de cara, conduziu sua equipe ao título daquele torneio, e na temporada seguinte, já chamava atenção a ponto receber a sua primeira convocação para a seleção inglesa, em 1934. Um ano depois, foi o principal responsável pelo o que até hoje é a melhor campanha do Stoke em campeonatos ingleses, o 4º lugar.

Foto: reprodução

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A idolatria pelo ainda jovem astro era tamanha que, em 1937, após um desentendimento do jogador com a diretoria e uma ameaça de ele deixar o clube, uma manifestação pela permanência de Matthews reuniu milhares de pessoas nas ruas de Stoke, motivando-o a ficar por mais algum tempo na equipe. Porém, com o início da II Guerra Mundial e a paralisação dos campeonatos de futebol por toda a Europa, se viu obrigado a passar alguns anos apenas treinando e aprimorando sua forma fisica.

Em 1947, veio, enfim, a transferência para um time mais forte, o Blackpool, onde teria os momentos mais memoráveis da carreira, levando os Tangerines a três finais de Copa da Inglaterra. Nas duas primeiras, foi derrotado – 4×2 para o Manchester Utd, em 1948, e 2×0 para o Newcastle, em 1951. Mas da terceira não passaria o seu primeiro grande título. Em 2 de maio de 1953, ocorreria o que ficaria para sempre conhecido como The Matthews Final: após sair perdendo por 3×1 para o Bolton, o Blackpool conseguiu uma incrível virada para 4×3, com três assistências de Stanley Matthews, que mandou no jogo no 2º tempo. Aos 38 anos, frente a mais de 100 mil pessoas em Wembley, o craque enfim conquistava um título de primeira grandeza.

Foto: reprodução - Stanley, à esquerda, carregando o grande troféu de sua carreira

Foto: reprodução – Stanley, à esquerda, carregando o grande troféu de sua carreira

Por incrível que pareça, aquele ainda não era o auge de Matthews. Em 1956, aos 42 anos, venceu a 1ª edição da Bola de Ouro da revista France Football, prêmio concedido aos melhor jogador do futebol europeu. Naquele mesmo ano, guiou o Blackpool para o vice-campeonato inglês, sendo, evidentemente, o protagonista da competição.

Após alguns anos de boas exibições, retornou ao Stoke City em 1961, com 46 anos, quando ainda tinha boas exibições. Não à toa, aos 48 anos foi a principal figura do time em mais um título da 2ª divisão. Dois anos mais tarde, aos 50, finalmente anunciara a sua aposentadoria, mesmo declarando que ainda era muito cedo para ele parar (!). Seu jogo de despedida foi entre um combinado Stan XI e outro de estrelas internacionais, como Di Stéfano, Puskas, Eusébio, Yashin e Kopa. Saiu da partida carregado nos ombros por Yashin e Puskas.

Foto: reprodução - Matthews sendo carregado por Yashin (esq.) e Puskas (dir.) em sua despedida

Foto: reprodução – Matthews sendo carregado por Yashin (esq.) e Puskas (dir.) em sua despedida

Seleção Inglesa

Stanley Matthews é, também, o jogador mais longevo a atuar pelo English Team: são 54 partidas entre 1934 e 1957. Talvez a grande frustração de sua carreira seja o insucesso nas Copas do Mundo de 1950 e 1954. No mundial do Brasil, por pura prepotência britânica, ficou de fora da vitória sobre o Chile e do vexame histórico contra os Estados Unidos, pois o técnico Walter Winterbottom achava “desnecessário” escalá-lo em jogos teoricamente mais fáceis. Atuou apenas na derrota para a Espanha, por 1×0, no Maracanã. Já em 1954, os ingleses foram eliminados pela forte seleção uruguaia por 4×2, em um jogo que arrancou aplausos dos presentes no Estádio St. Jakob.

Mesmo assim, teve momentos inesquecíveis atuando pela Inglaterra, como na vitória sobre a Alemanha nazista em pleno Estádio Olímpico de Berlim, em 1937, por 6×3, com um festival de dribles e arrancadas do ponta-direita. Outras atuações memoráveis foram nos 10×0 sobre Portugal em Lisboa, em 1947, e os 4×0 na forte Itália em Turim, em 1947. Naquele jogo, eternizou-se uma das mais famosas e curiosas histórias sobre o jogador: após uma de suas várias arrancadas pela direita, ele deixou o defensor italiano tão para trás que, quando chegou na linha de fundo, parou e ajeitou o cabelo com a mão para tirar o suor, para só depois efetuar o cruzamento. E daí surgiu uma lenda: de acordo com o público presente, Matthews ainda tirou um pente do seu calção para pentear o cabelo, até que o adversário chegasse até ele. Até hoje não se sabe sobre a veracidade deste detalhe.

Foto: reprodução - Imagem do jogo Inglaterra 4x2 Brasil, em 1956. Ali, Nílton Santos nunca mais esqueceria do veterano Matthews, melhor em campo

Foto: reprodução – Imagem do jogo Inglaterra 4×2 Brasil, em 1956. Ali, Nílton Santos nunca mais esqueceria do veterano Matthews, melhor em campo

Segredos da longevidade

Além da condição natural do jogador, várias práticas adotadar por Matthews ajudam a explicar o seu impressionante preparo físico. Desde criança, era forçado por seu pai a fazer intensos exercícios de respiração profunda em frente a janelas abertas. Além disso, no início da carreira seu pai também o obrigava a percorrer os 12 quilômetros de distância entre sua casa e o CT do Stoke correndo, tanto na ida como na volta. Só aí, eram 24 km percorridos por ele diariamente. Outro hábito era o de usar palmilhas de chumbo nos sapatos que utilizava no dia-a-dia, para se sentir mais leve de chuteiras. Já no começo dos anos 50, tornou-se vegetariano, justamente para garantir uma carreira mais longa no futebol.

Em 1965, pouco antes de se aposentar, Stanley Matthews foi o primeiro jogador de futebol a receber a condecoração de “Cavaleiro do Império Britânico” pela Rainha Elizabeth II, recebendo o título de “Sir”. Nada mais justo para uma das figuras mais impressionantes que o futebol mundial conheceu. Certamente um exemplo de profissionalismo e dedicação que dificilmente será igualado.

Por isso, Stanley Matthews, é, sem dúvidas, o maior “vovô” da história do futebol.

Foto: reprodução - Estátua de Matthews na entrada do Britannia Stadium, em Stoke

Foto: reprodução – Estátua de Matthews na entrada do Britannia Stadium, em Stoke

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Estudante de Jornalismo e redator no Placar UOL Esporte, belo-horizontino, apaixonado por esportes e Doente por Futebol. Chega ao ponto de assistir a jogos dos campeonatos mais diversos e até de partidas bem antigas, de décadas atrás.