A primeira aventura internacional do Náutico

  • por Henrique Souza
  • 7 Anos atrás

Com a derrota sofrida sábado para o Atlético-MG, por 5 x 0, o Náutico está matematicamente rebaixado para a Série B do Campeonato Brasileiro. Porém, tendo em vista que o clube pernambucano permaneceu estacionado na última posição e que inclusive corria o risco de não superar a péssima campanha do América-RN em 2007 (quando a equipe potiguar terminou o campeonato com apenas 17 pontos ganhos), a queda não surpreendeu os torcedores do time.

Mas a história do Náutico no principal campeonato do país não se resume apenas a campanhas sem brilho. Nos anos 60, época dourada do futebol brasileiro, o Timbu tinha uma equipe forte, temida não apenas pelos adversários regionais (tendo vencido seis campeonatos estaduais seguidos, de 1963 a 1968), mas também nacionalmente. Contando com ídolos como Nado, Gena e Bita, os pernambucanos ficaram duas vezes em 3º e uma vez 4º nas edições da Taça Brasil disputadas entre 1961 e 1966 (o Campeonato Brasileiro da época).

Mas foi no ano de 1967 que o Náutico fez sua melhor campanha. A equipe entrou somente na 3ª fase da competição (devido às boas campanhas de anos anteriores) para vencer o América-CE na decisão da Chave Norte-Nordeste. Após eliminar o Atlético-MG nas quartas-de-final, na semifinal surgiu o confronto com outro time mineiro – desta vez o Cruzeiro. E o então campeão do ano anterior foi incapaz de resistir ao alvirrubro pernambucano. Pela primeira e única vez em toda sua história o Náutico estava entre as duas melhores equipes do país.

Na final, o adversário foi o forte Palmeiras, comandado pelo craque Ademir da Guia. Após perder por 3 x 1 na Ilha do Retiro, o Náutico devolveu a derrota vencendo por 2 x 1 no Pacaembu. O regulamento da Taça Brasil previa a realização de um terceiro jogo no caso de uma vitória de cada equipe (desconsiderando o saldo de gols obtido em cada vitória). A partida final foi realizada no Maracanã – e, desta vez, os paulistas venceram por 2 x 0 e não deram chances ao Náutico. Com o vice-campeonato o Timbú conquistava o direito de disputar a Taça Libertadores do ano seguinte, tornando-se o primeiro clube de seu estado a participar da competição.

Em 1968, o Náutico caiu no grupo 5 da competição continental, juntamente com os venezuelanos do Deportivo Galicia e Deportivo Portugués. Completando a chave, um velho conhecido dos pernambucanos, o Palmeiras. A estreia dos alvirrubros foi justamente contra os seus adversários na final da Taça Brasil do ano anterior.

Foto: Reprodução - O Náutico venceu o Deportivo Portugués nos Aflitos.

Foto: Reprodução – O Náutico venceu o Deportivo Portugués nos Aflitos.

Novamente na Ilha do Retiro, o Náutico voltou a ser derrotado pelos paulistas, pelo mesmo placar de 3 x 1 da primeira partida da decisão nacional. Os compromissos seguintes do Timbu foram em Caracas, onde empatou em 1 x 1 com o Deportivo Portugués e perdeu por 2 x 1 para o Deportivo Galicia. Com apenas um ponto ganho, o Náutico voltou a Recife e conquistou duas vitórias contra os venezuelanos, batendo o Deportivo Galicia por 1 x 0 e o Deportivo Portugués por 3 a 2. A equipe fecharia sua participação na primeira fase com um empate em 0 x 0 com o Palmeiras no Pacaembu.

Foto: Reprodução - Náutico e Palmeiras ficaram no 0 x 0 em São Paulo.

Foto: Reprodução – Náutico e Palmeiras ficaram no 0 x 0 em São Paulo.

A campanha, com duas vitórias, dois empates e duas derrotas, seria suficiente para classificar o Náutico para a segunda fase. Entretanto, por ter realizado uma substituição além do permitido, os pontos da vitória contra o Deportivo Portugués foram retirados pela FIFA, deixando o Timbu na 3ª posição do grupo. Apesar da desclassificação, a participação na Libertadores daquele ano é até hoje lembrada com orgulho pelos torcedores.

Buscar inspiração no passado é um dos caminhos para recuperar a confiança em dias melhores para os alvirrubros. O Náutico já fez grandes campanhas no cenário nacional e tem capacidade para dar a volta por cima e retornar à elite do nosso futebol.

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Doente por futebol desde que se conhece por gente. Formado em Educação Física e estudante de jornalismo. Apaixonado por jogos e times clássicos. Considera Zidane, Ronaldo, Romário e Messi os maiores que viu jogar.