As mortes mais trágicas em um campo de futebol

As mortes em campo de Marc Vivien Foe, Miklos Feher, Antônio Puerta, Serginho e Piermario Morosini acenderam várias discussões em torno do tema e trouxeram imagens terríveis para todos os fãs do futebol, como podemos ver no vídeo abaixo, que mostra o momento em que os quatro primeiros caem desacordados no gramado.

Em 1985, o coração de Jock Stein, treinador irlandês, não aguentou a emoção da partida de sua seleção contra o País de Gales, na rodada final das Eliminatórias da Copa, e parou de bater ainda no estádio Ninian Park, em Cardiff.



Todos esses casos são bastante conhecidos, mas centenas de casos idênticos já chocaram o mundo nesses 150 anos de futebol.

Já que estamos próximos ao Dia de Finados, relembraremos agora algumas mortes em campo menos conhecidas, porém até certo ponto inusitadas, do mundo do futebol.


A primeira morte

A primeira morte que se tem notícia acontecida devido a acidentes no gramado foi a de William Cropper, em 1889.

Cropper, que atuava pelo Staveley e também jogava cricket, colidiu com o joelho de Dan Doyle, jogador do Grimsby Town. A colisão resulsou em uma ruptura intestinal e o jogador morreu ainda nos vestiários, nos braços de um companheiro de equipe.

Pisando no lugar errado

Ainda nos primórdios do futebol, alguns jogadores morreram de uma forma inusitada: contraindo tétano.

Foi o caso de James “Daddy” Dunlop, que em 1892 pisou em um pedaço de vidro. Outros jogadores lesionaram-se durante partidas e devido às lesões contraíram tétano que os vitimou. Foi o que aconteceu com Joe Powell (1896), James Collins (1900) e Tom Butler (1923).

Tirando a própria vida

Essa morte não foi durante a partida, mas foi no centro do gramado do Estádio Parque Central, local onde foi disputada uma das duas partidas inaugurais das Copas do Mundo, entre EUA e Bélgica.

Abdón Porte era um meio-campista talentoso, que venceu a Copa América de 1917, com o Uruguai. No ano seguinte, ele seria reserva do Nacional, clube em que jogava, mas não aceitou a notícia de forma feliz.

Após uma vitória sobre o Charley, em 04 de março de 1918, jogadores e dirigente se reuniram na sede do clube para comemorar a vitória. Porte foi até o Parque Central, chegou ao círculo central do gramado e atirou contra seu coração, tirando a própria vida.

Raios que matam

Diversos atletas foram vitimados por raios durante partidas. O primeiro caso que se tem notícia foi o de Tony Allden, do Highgate United, durante um jogo das quartas de final da FA Cup de amadores, contra o Enfield Town.

Em 1984, Erik Jongbloed, filho de Jan Jongbloed, goleiro vice-campeão mundial em 1974 e 1978, teve o mesmo fim, assim como os colombianos Hernán Gaviria (que disputou a Copa de 1994) e Giovanni Córdoba, ambos do Deportivo Cali, em treinamento da equipe no ano de 2002.

Em 1998, uma curiosa notícia surgiu em um jornal da República do Congo, o L’Avenir, e repercutiu no mundo todo, inclusive em sites como a BBC e a CNN. Então, acredita-se que tenha realmente acontecido. Como havia uma guerra civil no leste do país, onde aconteceu a partida, não há confirmação oficial do fato.

Em uma partida entre as equipes do Bena Tshadi e Basanga, um raio teria matado todos os 11 jogadores do Tshadi. Porém, a nota original do jornal fala em “pelo menos 11 mortos, entre 20 e 35 anos, durante o jogo” e ainda que “os atletas do Basanga sobreviveram à catástrofe intactos”.

Portanto, diferente do que sempre foi publicado na mídia, pode sim ter havido mortos do Bena Tshadi, mas aparentemente nos 11 mortos havia também expectadores. Cerca de 30 outros expectadores foram atendidos também.

Pênalti mortal

Sempre se diz que o pênalti é a pena máxima do futebol. No caso de um goleiro argentino, essa também foi sua pena fatal.

Em 24 de abril de 1992, Vicente Vásquez, goleiro do Chacarita Garuhapé, tinha contra ele um pênalti em uma liga local argentina. Vásquez acertou o canto e defendeu a penalidade, com a bola batendo em seu peito.

Porém, o arqueiro nunca conseguiu comemorar. Seu coração não deixou, e Vásquez faleceu em campo, vitimado por uma parada cardiorrespiratória.

Gol mortal

Se já falamos em defesa de pênalti, temos que falar também da emoção do gol. Ao marcar contra o Mohun Bagan, o brasileiro Cristiano Júnior, do indiano Dempo Sports, levou uma forte pancada do goleiro adversário Subrata Paul.

Seu time venceu o jogo e conquistou a Copa da Federação de 2004 (2×0), mas Cristiano perdeu a vida ainda em campo. A autópsia apontou um ataque cardíaco. O goleiro adversário, responsável pelo choque, foi suspenso por apenas 2 meses.

Advertido por morrer

O croata Goran Tunjíc, do Mladost Buzin, sofreu um infarto e caiu morto no gramado na partida contra o Hrvatski Sokola, em 2010, em campeonato de quinto nível do futebol local.

Trata-se de mais um caso trágico, mas que não se destacaria das outras, não fosse por um pequeno detalhe: o árbitro da partida teria dado cartão amarelo ao jogador, quando este já estava praticamente morto, por simulação.

Essa é a história oficial. Alguns repórteres foram tentar confirmar a informação no clube alguns dias depois do ocorrido e os dirigentes informaram que o lance se deu longe do árbitro e que o cartão não teria sido mostrado. De qualquer forma, a história entra em nossa lista das mais curiosas.

Comentários

Sergio Rocha é torcedor do Madureira e sempre teve o sonho de escrever sobre esportes em geral, embora tenha optado pela carreira de engenheiro civil. No "currículo", cadernos recheados de resultados esportivos e agendas da década de 90, quando antes da internet acessava rádios de diversos locais do país buscando os resultados esportivos do Acre à Costa Rica. Além de fanático por futebol, é fanático por praticamente todos os esportes, e no tempo livre que sobra sempre busca os últimos resultados esportivos do PGA Tour ou dos futures da ATP. Além disso, coleciona quadrinhos da Disney e é louco por astronomia.