Hummels é o retrato da fraqueza defensiva do Dortmund

Foto: AFP - Hummels tem atuado abaixo de seu real potencial

Foto: AFP – Hummels tem atuado abaixo de seu real potencial

A torcida do Borussia Dortmund está preocupada. Não com o Bayern, que aos poucos vai abrindo vantagem na ponta do Campeonato Alemão, muito menos com a situação na Liga dos Campeões, que está longe de ser confortável. A preocupação dos ocupantes da Muralha Amarela é com a cada vez mais vulnerável defesa do time de Jürgen Klopp. Fragilidade esta que pode ser retratada no péssimo ano de Mats Hummels.

Antes principal zagueiro da Alemanha e alvo de diversas equipes do Velho Continente, o camisa 15 do Borussia Dortmund tem acumulado atuações ruins durante 2013 e, para muitos, está abaixo do parceiro de zaga Neven Subotić.

Até mesmo na seleção alemã ele está longe de ser unânime. Apesar de ter reclamado publicamente do técnico Joachim Löw, as críticas do zagueiro soaram um tanto quanto hipócritas. Além das atuações ruins no clube este ano, Hummels nunca esteve perto de jogar bem pelo time nacional, inclusive no ápice pelo Dortmund.

O fato é que, sem Subotić, a zaga de Klopp inexiste. Na derrota para o Wolfsburg por 2×1, pela 12ª rodada do Campeonato Alemão, isto ficou nítido. O sérvio deixou o campo machucado ainda na etapa inicial, dando lugar ao grego Sokratis, que vinha sempre entrando bem, mas normalmente ingressando na vaga de Hummels.

A nova dupla não se entendeu e pecou muito na bola aérea. Qualquer cruzamento era um “Deus nos acuda” para a defesa borussiana, como retratado no primeiro gol, no qual a cobrança de falta de Ricardo Rodríguez atravessou toda área e só parou nas redes. Além do gol, o goleiro Roman Weidenfeller já havia sido obrigado a participar do jogo na primeira etapa em lançamentos na área em que a zaga não foi capaz de agir.

Sem falar da saída de bola do time, antes ponto forte da equipe. A derrota para os Lobos foi marcada por uma série interminável de lançamentos, atravessadas e passes equivocados de Sokratis e Hummels. O grego, por exemplo, acertou dois de seis lançamentos que fez.

O alemão tem o desconto de ter sido o maior passador do jogo com 50 acertos, mas foi um dos que mais falhou pelo Dortmund com 10 passes errados. Sokratis errou três a menos, mas acertou apenas 26.

Em outros jogos, Hummels também teve números ruins. Contra o Eintracht Braunschweig, por exemplo, foi o jogador que mais errou passes. Contra o Hamburgo, mesma história, com o “acréscimo” de ter errado mais da metade do que acertou (foram 40 certos e 21 errados), sem falar da partida contra o Borussia Mönchengladbach, no qual foi expulso após cometer pênalti que iniciou a vitória dos Potros por 2×0.

A preocupação fica ainda maior porque Subotić estará seis meses fora por lesão no joelho. Um baque enorme e que obrigará Hummels a voltar aos velhos tempos na marra.

Foto: Getty Images - Subotic sofreu grave lesão no joelho na partida contra o Wolfsburg

Foto: Getty Images – Subotic sofreu grave lesão no joelho na partida contra o Wolfsburg

O camisa 15 é o retrato da decadência de uma zaga que se mostrou sólida durante o bicampeonato em 2011 e 2012. Somadas as duas campanhas, o Dortmund levou menos de 50 gols (22 em 10/11 e 25 em 11/12), mas na temporada anterior e na atual, já acumula 53 tentos sofridos no Campeonato Alemão. No último ano, foram 42 bolas balançando as redes borussianas, nesta temporada já foram 11.

Vale citar que os dados vêm piorando. Com 12 rodadas em 2010/2011, o Dortmund havia sofrido sete gols; no ano seguinte, nove; na temporada anterior, o número subiu para 13 e nesta já foram os citados 11 gols.

O clube da terra do carvão ainda sente dificuldades na recomposição e até mesmo na renovação da defesa. Felipe Santana, que foi para o Schalke, nunca foi solução e sempre mostrou insegurança quando acionado. Sokratis estava entrando bem, mas tem defeitos conhecidos, pois não é garoto. Sem falar das laterais, na qual Schmelzer não tem substituto à altura (e está irregular), e o meio-campista Grosskreutz faz o possível para ocupar a vaga do lesionado Pisczczek.

Afirmar que esse é um sinal do desmantelamento do Borussia Dortmund bicampeão alemão e vice da Europa é precipitado, pois até o final da temporada, muita água pode passar por baixo da ponte, mas é uma pulguinha que aparece atrás da orelha de Klopp e dos dirigentes do clube. Com a iminente saída de Lewandowski e o intenso assédio a jogadores como Reus e Gündogan, ver a zaga em decadência e não se renovando é um péssimo indício.

Comentários

Uma mistura maluca de pessoa. Academico de jornalismo, catarinense de origens italianas e espanholas, mas apaixonado pela bola que rola na terra da Torre Eiffel e pela gorduchinha que pinta os gramados cheios de chucrute da Alemanha. Não escondo minha preferência por times que tem uniformes nas cores amarelas e pretas, mas sempre com análises bem embasadas... ou não. Mas acima de tudo, sou um Doente Por Futebol.