Lesões escancaram problema do Borussia

  • por João Rabay
  • 7 Anos atrás

Piszczek, Subotic, Hummels, Schmelzer e Gündogan. Cinco titulares do Borussia Dortmund estão afastados por motivos médicos.

Piszczek passou por cirurgia no quadril ao fim da temporada passada e está voltando as treinamentos agora; Subotic sofreu uma lesão no ligamento cruzado do joelho e só deve voltar após a Copa do Mundo; Hummels torceu o tornozelo e pode voltar só em 2014; Schmelzer contundiu a panturrilha e deve ficar fora por três semanas, e Gündogan está afastado desde agosto por causa de um problema em um nervo das costas e dificilmente volta ainda em 2013.

Hummels só deve voltar em 2014. (Foto: Picture Allliance

Hummels só deve voltar em 2014. (Foto: Picture Allliance

Isso em um momento definitivo da temporada para os aurinegros: sábado, enfrentam o Bayern de Munique, líder da Bundesliga e grande rival na briga pelo título. Terça é a vez de receber o Napoli, pela Champions League, partida decisiva para a briga pela vaga nas oitavas de final da competição.

Como se os problemas já não fossem suficientes, Friedrich, zagueiro que defendeu a seleção alemã e estava sem clube até ser contratado pelo BVB para suprir as ausências dos dois titulares, também se machucou – deve voltar logo, mas, por enquanto, não é uma opção.
Outros jogadores, hoje saudáveis, também já se lesionaram na atual temporada: Papastathopoulos, Bender, Sahin, Reus e Hofmann já visitaram o Departamento Médico desde agosto.

Elenco Pobre

As lesões deixam claro um problema frequentemente citado quando se fala no Borussia Dortmund: a falta de profundidade do elenco. Apesar de o time titular de Klopp ser um dos melhores do mundo, faltam peças de reposição, e não é de hoje.
No momento mais importante da temporada passada, quando Götze se machucou e ficou de fora da final da UCL, a única opção do treinador foi Grosskreutz, bastante inferior tecnicamente. Lewandowski é outro sem reserva à altura – Schieber é um boneco de posto infiltrado no meio de jogadores de futebol.

Os laterais não têm reserva – Bender e Grosskreutz costumam ser improvisados na esquerda e na direita, respectivamente. O segundo, aliás, praticamente trocou de posição por causa da cirurgia de Piszczek. Durm, de 21 anos, tem jogado na esquerda quando Schmelzer fica fora, mas não tem feito muito.

O único setor em que há boas peças de reposição é o meio-campo: Kehl é um bom reserva para Bender, assim como Sahin para Gündogan. Mkhitaryan, Aubameyang e Blaszczykowski revezam entre o time titular, junto de Reus, e o banco.

Falta de opções: causa e efeito?

O elenco reduzido pode ser não apenas uma consequência dos desfalques por lesão, mas também a causa de tantos problemas. Sem poder rotacionar o elenco como fazem os gigantes europeus, mais ricos e que podem se dar ao luxo de contratar reservas caros, o Dortmund sobrecarrega seus atletas principais.

Disputando três competições – a Bundesliga, a Copa da Alemanha e a Champions League – e sem poder poupar jogadores com frequência, o risco de lesões aumenta. Quase todos os titulares já perderam jogos por motivos físicos, e nem chegamos à metade da temporada.

Intensidade demais?

Outro fator que poderia facilitar a ocorrência de lesões é o estilo intenso proposto por Klopp e executado incansavelmente pelos jogadores. O Borussia gosta de pressionar o adversário no campo de ataque, se recusa a cadenciar o jogo e não vê problema em correr atrás da bola, querendo sempre recuperá-la rápido.

O funcionamento do sistema é comprovado, mas talvez o ritmo alucinante imposto pelos aurinegros cobre alto. Os músculos, tendões e ligamentos se desgastam bastante, e as lesões aparecem.

Questionado sobre a relação entre o estilo de jogo e as lesões, Marco Reus discordou: “Esse jeito de jogar foi o que nos fez ter sucesso. Nós amamos jogar assim, e ele não foi um problema no passado”. “Contusões fazem parte do esporte. É questão de azar, mas acontece às vezes”.

Acontece, mas, com o Borussia, tem acontecido mais do que o normal.

Comentários

Jornalista. Doente por futebol bem jogado e inimigo de jogadores que desistem da bola para cavar falta e de atacantes "úteis porque marcam os laterais".