Mágico González, o bon vivant salvadorenho

  • por Caio Araújo
  • 7 Anos atrás
Foto: Reprodução

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O futebol reserva muitas histórias de jogadores boêmios que poderiam ir mais longe do que foram na carreira, mas poucos mostraram tanto desleixo e falta de profissionalismo quanto Jorge González, ou simplesmente Mágico, apelido que ganhou em Cádiz.

Nascido em El Salvador, em 1958, González começou a carreira no ANTEL, em 1975, depois passou por Independiente e FAS. Ficou até 1982 em seu país de origem. Foi um dos responsáveis pela classificação da seleção salvadorenha à Copa da Espanha. Mesmo com o vexame da seleção perdendo por 10×1 para Hungria, 2×0 para a Argentina e 1×0 para a Bélgica, seu futebol despertou o interesse de alguns clubes europeus, como PSG, Atlético de Madrid e Cádiz.

Antes mesmo de chegar no Velho Continente, o Mágico já dava mostras de sua postura pouco profissional. O atacante tinha tudo acertado com o PSG e, no dia de assinar o contrato, simplesmente não apareceu, alegando que era muita responsabilidade e que não suportaria. Preferiu jogar pelo Cádiz, um time mais modesto e sem tanta cobrança.

A primeira passagem do Mágico pelo Cádiz durou apenas dois anos. Devido a alguns desentendimentos com o treinador, principalmente por causa de sua vida extra-campo, González foi buscar novos ares. O Barcelona surgiu como um dos interessados em sua contratação. Ressabiados, os catalães propuseram um período de testes, antes de formalizar qualquer proposta. O Barça, que contava com Maradona, aproveitou uma excursão para os Estados Unidos e levou o salvadorenho junto. E a história de González no clube não durou mais que essa viagem. Apesar de ter mostrado qualidade nos jogos, o Mágico foi flagrado com uma camareira no hotel que os jogadores estavam concentrados. Como a fama já não era boa, não houve nem segunda chance. Jorge costumava dizer que nem a mãe tiraria a vontade dele de sair à noite e beber.

O Valladolid seria seu próximo destino. Mas, por lá, ficou apenas nove jogos. Não conseguiu se adaptar à cidade. Voltou ao Cádiz, e foi na sua segunda passagem pelo clube que o Mágico viveu a melhor fase da carreira. Com jogadas espetaculares e atuações decisivas, o torcedor nem ligava se o Mágico chegava 4 da manhã em dia de jogo, nem ligava se ele só comia fritura, se bebia, se não treinava, pois no campo ele sempre correspondia.

A excelente fase no Cádiz chamou a atenção de outros clubes, como o Atalanta da Itália. Mas o Mágico não quis sair de Cádiz. E por lá ficou até 1991. Pelo clube espanhol, jogou 194 partidas e anotou 58 gols. Retornou a El Salvador para jogar no FAS, clube no qual se aposentou em 2000. Há quem diga que González foi um dos melhores jogadores do mundo nos anos 80 e só não tem tanto destaque na história devido ao seu péssimo comportamento extracampo. O vídeo abaixo mostra o porquê de ser chamado de Mágico na Espanha:

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