Muricy Ramalho e SPFC, um casamento que deu certo (de novo)

  • por Bráulio Silva
  • 5 Anos atrás
Foto: Reprodução | Muricy e São Paulo, feitos um para o outro

Foto: Reprodução | Muricy e São Paulo, feitos um para o outro

“Podemos esperar, ainda em 2013, um time mais seguro na defesa e melhor postado em campo. Aliás, essas são as principais marcas dos times treinados por ele. Se vai ser o suficiente pra tirar o São Paulo da zona de rebaixamento, é esperar pra ver. A certeza é que, hoje, aqueles que criticavam o “Muricybol” estão implorando por aquelas vitórias improváveis de 1×0, com gol de cabeça após cobrança de escanteio. Se no triênio 06/07/08 isso era motivo de críticas, hoje certamente será um alívio para os torcedores que mais temem o rebaixamento.”

O parágrafo acima foi escrito no dia 11 de setembro de 2013. Dia em que Muricy Ramalho era anunciado pela terceira vez como treinador do São Paulo. De lá pra cá, muita coisa mudou. Em especial o humor dos torcedores do São Paulo. Se naquela data o rebaixamento era algo iminente e que tirava o sono de muitos, hoje é uma ameaça mínima. Praticamente irrisória. Quais os méritos de Muricy Ramalho nessa arrancada tricolor?

Para entender os méritos de Muricy, temos que analisar a temporada inteira do São Paulo. O time começou a temporada como um dos favoritos aos títulos. Mas o favoritismo não foi transferido para dentro de campo. E o time de Ney Franco deu sinais de que não superaria a ausência de Lucas, vendido para o futebol europeu.

Além da saída do camisa 7, o treinador nunca deixou definida a forma de atuação da equipe. Jádson era um titular absoluto e Ganso estava eternamente em trabalho de recondicionamento físico. Em poucas oportunidades os dois meias atuaram juntos – sem que conseguissem uma sequência de jogos formando dupla no meio de campo tricolor.

A zaga, que foi bem no final do ano passado, foi desfeita com a chegada de Lúcio. Aliás, a contratação do veterano zagueiro foi um erro muito maior da diretoria do que do treinador. E com o tempo Ney Franco foi perdendo o grupo. Teve um entrevero com Rogério. Barrou Ganso, discutiu com Lúcio, fritou Cortez…

Ney Franco caiu depois da pausa para a Copa das Confederações. Os conflitos de então ficaram evidentes com a polêmica declaração do ídolo Rogério, dizendo que “O legado que o Ney Franco deixou foi ZERO”.

Veio Paulo Autuori. Com ele a crise aumentou. O time ficou 14 jogos sem vencer. Uma estiagem no Brasileirão e também na excursão para a Europa e a Ásia, quando o time perdeu para o Bayern de Munique, o Milan e o Kashima Anthlers, vencendo apenas a equipe do Benfica. Ainda que a equipe tenha melhorado sensivelmente após o retorno ao Brasil, no final do primeiro turno do Brasileiro o São Paulo foi obrigado a cumprir uma maratona interminável – culminando nas derrotas para o Criciúma (em casa) e o Coritiba.

Ao assumir o comando, Muricy recebeu uma terra arrasada. Porém, mesmo com o time no Z4 e com poucas perspectivas de recuperação, o começo até que foi animador. Três vitórias seguidas, diante de Ponte Preta, Vasco e Atlético-MG. Alguns mais otimistas já cogitavam uma vaga na Libertadores.

Depois disso o pior momento: Derrotas para o Goiás, o Grêmio e um empate em casa contra a Universidad Católica acenderam o sinal de alerta no Morumbi. A situação ficou praticamente insustentável com a goleada sofrida diante do Santos, na Vila Belmiro.

Desde então a ordem no Morumbi foi a recuperação. A sequência, no entanto, era das mais ingratas. O São Paulo teria pela frente o Vitória (que faz uma excelente campanha com Ney Franco), o líder Cruzeiro (em pleno Mineirão) e um clássico contra o Corinthians. Foi quando o time conquistou sete dos nove pontos possíveis. E só não ganhou do Corinthians, porque Rogério desperdiçou um pênalti no último minuto.

Como era de se esperar, sob Muricy o time do São Paulo tornou-se mais forte defensivamente. Diferentemente dos técnicos anteriores, ele fixou uma forma de jogar, escalando o time com três zagueiros. E definiu: o meia titular é PH Ganso. Jádson, que caiu de rendimento após a Copa das Confederações, é reserva. E, ao menos por enquanto, os dois não atuarão juntos.

Com isso o futebol de Ganso cresceu e o São Paulo foi afastando os fantasmas. O planejamento era que o time fosse ao Chile com reservas. Mas os resultados permitiram o contrário. Depois do empate contra o Corinthians, a equipe conseguiu manter a boa sequência – obtendo vitórias sobre Náutico (3×0) e Bahia (1×0). O bom momento dos titulares de Muricy foi confirmado no Chile: o São Paulo classificou-se de forma heroica, batendo a Universidad Católica por 4×3. Por fim, o São Paulo foi até Caxias do Sul enfrentar o Inter – voltaram com nova vitória, dessa vez por 3×2. Se ainda restava qualquer resquício de desconfiança, agora pode-se afirmar com segurança que o time entrou nos eixos definitivamente.

Pela Sul-Americana o time ainda venceu os colombianos do Atlético Nacional, por 3×2. E também venceu a Lusa por 2×1, dizimando qualquer chance de rebaixamento e tendo vivo ainda o sonho de conquistar um título. Restam apenas seis rodadas para o término do Brasileirão. O time de Muricy já tem a melhor campanha do segundo turno, tem dez pontos de diferença para a zona do rebaixamento, já alcançou a nona colocação e ainda busca o Bi da Sul-Americana. Para desespero dos rivais que esperam ansiosamente por um rebaixamento tricolor – fica para a próxima…

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Paulistano, casado e com 33 anos. Apaixonado por futebol e pelo São Paulo FC. De memória privilegiada, adora relatar e debater fatos futebolísticos de outrora. Ex-estudante de jornalismo, hoje gerencia uma drogaria no município de Barueri, além de escrever para a Doentes por Futebol.