Nove atacantes dos anos 90 que, hoje, brigariam pela 9 da Seleção

ESCASSEZ

A escassez e o retorno de Robinho

Por Leandro Lainetti

À primeira vista, o retorno de Robinho à Seleção Brasileira pode causar espanto, talvez aversão em alguns torcedores. Apagado em suas últimas temporadas no Milan, o atacante não era convocado para o selecionado nacional havia dois anos. Mesmo agora, ao ser lembrado, não vive um de seus melhores momentos.

Deixando de lado questões técnicas, a convocação do jogador nos mostra muito mais do que apenas a escolha de Diego Costa pela Espanha. Felipão ainda confia, ou quer conseguir confiar, em jogadores com certa bagagem na Seleção, que possam agregar experiência ao grupo. Robinho já jogou duas Copas do Mundo e, no geral, foi bem todas as vezes que vestiu a camisa do Brasil.

Outro ponto, como o próprio treinador declarou na coletiva, é a busca pela versatilidade e novas opções. Com Robinho, o Brasil pode criar novas variações táticas, além de ter um jogador extremamente técnico, que se estiver em sua melhor forma é um baita reforço para qualquer time.

Porém, o que a volta de Robinho mais nos mostra é o quanto o Brasil carece de centroavantes, fazedores de gol, camisas 9. Dos convocados atualmente, Fred é uma incógnita fisicamente, e Jô está longe de ser unanimidade como titular – devido ao bom momento no Atlético Mineiro vem sendo lembrado com frequência. 

Se durante muitos anos o Brasil era uma fábrica de atacantes, e passou um bom tempo se servindo de Romário e Ronaldo, hoje a situação é bem outra, a fonte praticamente secou.

Se a safra atual estivesse melhor servida, e aqui podemos citar Adriano como exemplo, dificilmente Robinho – jogador que, particularmente, eu gosto e convocaria – seria lembrado ou Diego Costa cogitado.

Para ilustrar bem essa situação, o Doentes Por Futebol traz abaixo uma lista de atacantes que se destacaram principalmente na década de 90 e, mesmo sem serem tão craques como Romário e Ronaldo, hoje teriam totais condições de ser titulares da Seleção.

Edmundo

Pesada concorrência e problemas extra-campo dificultaram a carreira do "Animal" na Seleção.

Pesada concorrência e problemas extra-campo dificultaram a carreira do “Animal” na Seleção.

Com passagens por diversos clubes brasileiros, Edmundo virou ídolo no Vasco e no Palmeiras. No clube carioca, venceu o Brasileiro em 97, quando foi artilheiro e recordista de gols de uma edição (no formato mata-mata), e tachado por muitos como o melhor jogador do mundo naquele ano. No Palmeiras, teve destaque na conquista do bicampeonato nacional em 93 e 94. Foi reserva na Copa do Mundo de 1998.

Élber

Numa época em que o público brasileiro mal conhecia o futebol alemão, Élber foi campeão de tudo no Bayern, mas nunca teve sequência com a amarelinha.

Numa época em que o público brasileiro mal conhecia o futebol alemão, Élber foi campeão de tudo no Bayern, mas nunca teve sequência com a amarelinha.

Aos 19 anos, em 1990, Élber saiu do Londrina para o futebol europeu. Entre 93 e 97 defendeu o Stuttgart e chamou atenção do Bayern de Munique. No clube Bávaro foram oito temporadas, oito títulos, 108 gols em 190 jogos e, claro, a idolatria dos torcedores. Vestiu a camisa da Seleção Brasileira em 15 oportunidades.

Evair

Mesmo com todo o destaque no Palmeiras, Evair não conseguiu vaga na Seleção que foi à Copa de 94.

Mesmo com todo o destaque no Palmeiras, Evair não conseguiu vaga na Seleção que foi à Copa de 94.

Revelado pelo Guarani, Evair chegou ao Palmeiras em 1991. Um dos principais jogadores nos títulos brasileiros de 93 e 94, e da Libertadores de 99, se tornou um dos maiores jogadores da história do Verdão. Os 127 gols marcados também o colocam na lista dos dez maiores artilheiros do clube. Disputou a Copa América de 1993 e as Eliminatórias para a Copa do Mundo de 1994, mas não foi lembrado na convocação final.

Viola

Viola já participou de final de Copa, mas nunca teve sequência com a camisa da Seleção.

Viola já participou de final de Copa, mas nunca teve sequência com a camisa da Seleção.

O sempre polêmico Viola passou por muitos clubes brasileiros. Revelado pelo Corinthians, foi artilheiro do Campeonato Brasileiro em 98 vestindo a camisa do Santos. Pelo Vasco, foi campeão brasileiro e da Mercosul, ambos em 2000. Reserva na Copa do Mundo de 1994, participou da final contra a Itália ao entrar durante a prorrogação.

Luizão

Com a camisa amarela, Luizão participou do Mundial de 2002. Mas teve sua passagem pela Seleção atrapalhada por lesões, problemas com peso e, claro, pela grande concorrência.

Com a camisa amarela, Luizão participou do Mundial de 2002. Mas teve sua passagem pela Seleção atrapalhada por lesões, problemas com peso e, claro, pela grande concorrência.

Além de gols, títulos importantes não faltam ao centroavante Luizão. Campeão da Libertadores por Vasco (98) e São Paulo (2005), e Brasileiro e Mundial pelo Corinthians (99 e 2000). Nas Eliminatórias para a Copa de 2002, marcou dois gols no último jogo, quando o Brasil precisava da vitória. Ali, carimbou sua vaga para o Mundial, quando foi reserva do time campeão do mundo.

Jardel

Credenciado por duas Chuteiras de Ouro e inúmeras artilharias, Jardel nunca conseguiu, no entanto, render na Seleção.

Credenciado por duas Chuteiras de Ouro e inúmeras artilharias, Jardel não conseguiu, no entanto, render nas suas poucas oportunidades na Seleção.

O destaque no início da carreira levou Jardel ao Grêmio em 1995. No clube gaúcho, foi artilheiro e campeão da Libertadores daquele ano. Em 1996, foi fazer história no Porto, clube pelo qual possui mais gols do que jogos e onde conseguiu ser o maior goleador do campeonato por quatro temporadas consecutivas. Entre 2001 e 2003, em outro clube de Portugal, o Sporting, também alcançou incríveis números na artilharia. O faro de gol do atacante o levou a vencer a Bola de Ouro, do jornal português A Bola, em 99 e 2002.

França

França foi destaque em tempos de vacas magras no São Paulo; brilhou na Alemanha - mas na Seleção, nunca convenceu.

França foi destaque em tempos de vacas magras no São Paulo; brilhou na Alemanha – mas na Seleção, teve poucas chances e não as aproveitou.

O sucesso do atacante maranhense no futebol brasileiro se restringe a um único clube, o São Paulo. Entre 96 e 2002 França vestiu a camisa do Tricolor paulista em mais de 300 jogos. Foram 182 gols marcados e, apesar da ausência de conquistas marcantes, o atacante foi ídolo da torcida. Perto da Copa do Mundo de 2002, França teve uma grave lesão, o que atrapalhou os seus planos de disputar o Mundial daquele ano. No entanto, teve ainda três boas temporadas no futebol alemão, a serviço do Bayer Leverkusen, chegando a ser líder de assistências da Bundesliga em 03/04.

Amoroso

Mesmo tendo uma carreira de muito sucesso, tanto no Brasil quanto na Europa, Amoroso não se firmou na Seleção.

Mesmo tendo uma carreira de muito sucesso, tanto no Brasil quanto na Europa, Amoroso não se firmou na Seleção.

Revelado pelo Guarani, Amoroso fez sua carreira praticamente no exterior. As passagens de maior sucesso foram na Udinese – quando foi artilheiro do Calcio, com 22 gols, em 98/99 – e no Borussia Dortmund, clube pelo qual foi campeão e artilheiro do Campeonato Alemão de 2002. Em 2005, chegou ao São Paulo para reeditar a dupla com Luizão, sucesso nos tempos bugrinos. Pelo tricolor, foi campeão da Libertadores e do Mundial Interclubes.

Túlio

Mesmo com excelentes números (13 gols em 15 partidas), Túlio Maravilha não decolou com a amarelinha.

Mesmo com excelentes números (13 gols em 15 partidas), Túlio Maravilha não decolou com a amarelinha.

Os cinco primeiros anos de carreira, jogados pelo Goiás, já mostravam o faro de gol. Mas o auge mesmo foi pelo Botafogo, entre 94 e 96, com a conquista do Campeonato Brasileiro de 1995, além da artilharia da competição em 94 e 95. Depois disso, Túlio Maravilha virou praticamente um cigano do futebol, apesar de ainda ter conseguido se destacar até idos de 1999. Hoje, aos 44 anos, ainda joga em busca de marcar, o que muitos consideram um folclore, o gol 1000 de sua carreira.

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Jornalista recifense, sócio-diretor do Doentes por Futebol, editor da Revista Febre. Curioso observador de tudo o que cerca o futebol brasileiro e internacional.