O modelo de jogo do Sport!

Depois de uma campanha irregular na Série B, o Sport está de volta à elite do futebol brasileiro. O acesso foi garantido com a vitória de 3×2 sobre o Boa Esporte, em Varginha. O Bravo Leão da Ilha vem atuando no esquema favorito do técnico Geninho, com três zagueiros, porém a postura da equipe, a altura das linhas e as formas de se defender alternam bastante, de acordo com o adversário e a situação de jogo.

O Sport geralmente marca em bloco médio/baixo, com suas linhas mais recolhidas e posicionadas dentro de seu campo de defesa, enquanto Neto Baiano sai para o combate na saída de bola, em cima dos volantes ou zagueiros adversários. Na marcação, apresenta encaixes individuais por setor em vastas áreas do campo, o que pode prejudicar a organização linear da equipe, já que os marcadores leoninos por vezes se deslocam para outra faixa do gramado, para acompanhar o jogador marcado quando ele recua para buscar a bola. Os meias flutuam de acordo a circulação da pelota pelo meio-campo e quando uma jogada ocorre por determinado extremo, o ala oposto centraliza e entra na grande área. Nesse posicionamento tático, há proporção de ( 3 x [ 7 + G]), pois 3 jogadores já apresentam preocupações ofensivas, enquanto os outros 7 possuem participação mais direta na luta pela recuperação de bola. Estes três são Marcos Aurélio, Lucas Lima e Neto Baiano. Os dois primeiros são letais na articulação de contra-golpes em velocidade, sendo que o segundo também é um jogador que presta grande auxílio aos volantes pra combater na intermediária.
Sport- Tática.O time, em algumas situações, avança sua marcação, podendo exercer pressão alta, de modo que um dos meias acompanha o lado da jogada, Neto Baiano marca os zagueiros pelo centro, em caso de um recuo de bola, e o meia do lado oposto pode fazer a cobertura por dentro, mas fica atento à inversão de jogada. A marcação também pode começar na intermediária ofensiva, deixando os zagueiros mais livres, mas fechando as linhas de passe verticais (direcionadas para a volância), com seus meias encaixando nos volantes adversários. Em caso de abertura de jogada, os alas podem subir para combater a saída dos laterais do oponente a partir da linha que divide o gramado ou dentro do campo de defesa dos mesmos. Também explora-se o combate mais adiantado de um dos volantes pelo meio (geralmente Aílton), com este pressionando o homem da bola, enquanto o outro volante fica mais contido. Através da pressão, busca-se a redução de espaços, das opções de passe e de tempo para o adversário pensar a jogada.

Um dos problemas rubro-negros está na proteção da zaga, pois há muitos espaços na região da cabeça-de-área. Isso ocorre quando os volantes recuam demasiadamente, praticamente entrando na linha defensiva, de modo a abrir brechas para o chute de fora da área ou quando ocorrem penetrações adversárias através de trocas de passes rápidas e objetivas.

Com a posse de bola, o Sport explora as transições rápidas, com trocas de posição e aproximações entre Lucas Lima e Marcos Aurélio, exploração do flanco direito, com Patric proporcionando profundidade, verticalidade, velocidade nas ultrapassagens e aparições entre os zagueiros e laterais adversários, principalmente em lançamentos longos e cruzamentos para a área. Na esquerda, Marcelo Cordeiro faz bem a diagonal, aciona a parede, busca o fundo e ocupa bem os espaços pelos lados. Neto Baiano funciona como um pivô, tendo um bom posicionamento central, movimentação entre o miolo de zaga e a meia-cancha adversária e verticalidade no trabalho de costas, municiando as jogadas e liberando as chegadas dos homens de trás. Essa intensidade de jogo é uma característica marcante do time, buscando compactação ofensiva, através das aproximações entre os jogadores, com deslocamentos e formações de sociedades triangulares, aumentando as linhas de passe e as interações entre os setores do campo. Porém, muitas vezes o time abusa da ligação direta e/ou da bola longa para o campo de ataque, diminuindo a qualidade da transição pelo chão. Isso ocorre principalmente quando o Leão da Praça da Bandeira é encurralado e obrigado a recuar suas linhas.

Na saída de bola, dois zagueiros ficam bem abertos para dar opções de saída pelos lados e um dos volantes (geralmente Rithely) recua para receber o primeiro passe, enquanto o outro fica mais avançado, formando um losango de grande dimensão e com vértices laterais abertas no sistema defensivo. Tobi é o zagueiro que tem mais liberdade pra sair para o jogo, encostar na linha de meio e até realizar possíveis aparições como homem-surpresa. Esses dois zagueiros mais abertos fazem a cobertura dos alas, e esta formação com 3 jogadores na linha defensiva proporciona sobra. Por vezes, Aílton faz recuos para auxiliar na transição defesa-ataque e clarear o jogo, com sua ótima visão e qualidade no passe. 

Se o Sport mantiver sua intensa e vertical proposta de jogo, aliada a boas contratações e reformulação no elenco (se fizer) para a próxima temporada, tem tudo para conseguir uma boa atuação na Série A em 2014.

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Natural de Recife-PE e futuro jornalista esportivo. É colunista de futebol nordestino no BOL Esporte/ Portal Terceiro Tempo e colabora com o Doentes Por Futebol. Gosta bastante de análises técnico-táticas.