O regente azul

  • por Alexandre Reis
  • 5 Anos atrás

O excepcional elenco do Cruzeiro de 2003 possuía Alex. O de hoje tem Marcelo Oliveira. Maior responsável pelo incontestável título nacional, certamente está entre as mais certeiras aquisições da história do clube. Depois de ter levado o Coritiba a duas finais da Copa do Brasil, sendo vice em ambas, e ter assumido o comando técnico celeste ainda no turbulento 2012, montou um time absolutamente novo para tentar apagar o vexame do ano passado. A reestruturação do clube, como mencionada aqui, não poderia ter sido melhor.

Iniciou-se o Brasileirão. Em uníssona qualidade, a orquestra de Marcelo Oliveira começou a tocar. Aplicou, na rodada inicial, um sonoro 5 a 0 ante o Goiás. Depois de um começo um tanto quanto regular com Diego Souza, raríssimas vezes desafinou com a saída do mesmo e a vinda de Willian. No auge do seu rendimento, o Cruzeiro conseguiu emplacar 11 vitórias e 1 empate em 12 jogos, sendo 8 triunfos consecutivos (entre eles, os, à época, confrontos diretos entre Atlético-PR e Botafogo). Foi a maior sequência de vitórias da era dos pontos corridos. Só foi perder duas vezes seguidas no ano na metade do segundo turno, entre as rodadas 27 e 28, para, respectivamente, São Paulo, em ascensão com Muricy no comando, e o rival Atlético-MG, no Independência.

Na medida do possível, Marcelo Oliveira foi trabalhando consistentemente com a base, importantíssima para que o time pudesse contar com boas peças de reposição. O melhor exemplo é Lucas Silva que, no ano passado, não ganhou uma boa sequência de Celso Roth para que pudesse se firmar como titular. Peça fundamental hoje, tem feito ótimas exibições, como no jogo contra Botafogo e ante o Vasco, ambas no Mineirão. Na segunda, foi o autor de dois belos gols. Na lateral-direita, o promissor Mayke, promovido pelo próprio Marcelo Oliveira a titular, foi uma grata surpresa. Com algumas lesões de Ceará, foi ganhando confiança do treinador e, na maioria das vezes, correspondeu. Neste Brasileiro, até o momento, deu 3 assistências e marcou 2 gols. Hoje, entra constantemente no decorrer dos jogos. Outro que, apesar de reserva, aproveitou bem suas oportunidades foi Vinícius Araújo. O jovem atacante, em 12 partidas que esteve presente, balançou a rede 5 vezes e deu 2 passes pra gol. Assim como Mayke, tornou-se um excelente suplente.

Mesmo com o tropeço na Copa do Brasil, Marcelo Oliveira fez no Brasileiro acertadas entradas e mexidas. Como um legítimo Maestro. O difícil jogo contra o Goiás, no Serra Dourada, resume bem as alterações perfeitas do treinador ao longo da competição. Antes mesmo do início do jogo, apostou em Alisson para ser titular. Outro atleta da base celeste. Apesar de ter sido substituído, foi o responsável pela assistência do gol de empate, marcado por Willian.
No segundo tempo, colocou Mayke e Dagoberto. O atacante, aos 26 minutos, achou Mayke em velocidade, quase na área, que passou para Willian marcar o tento da virada. Abaixo, os lances:

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Não se esperava esse rendimento do treinador celeste. O Regente, aos poucos, dividiu as partituras e acertou as dissonâncias. Fez todas as alterações para que a canção fosse una ao longo do Brasileirão. E foi. Durante a maior parte do tempo no lugar mais alto da tabela, apenas administrou o sucesso. Em posição de destaque. Como um Maestro.

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Estudante de Jornalismo, apaixonado por futebol. Seja a final da Copa do Mundo, as semifinais de uma Copa Rural, um jogo da Liga dos Campeões ou eliminatória da 4° divisão de algum campeonato amador do interior.