Obrigado, Tite!

  • por Caio Araújo
  • 6 Anos atrás
Foto: Reprodução

Foto: Reprodução

Em outubro de 2010, apesar de brigar pelo título Brasileiro, o Corinthians passava por um momento de turbulência, herança de Adílson Batista, técnico que pegou o time na liderança, quando Mano Menezes saiu para assumir a Seleção. E Adílson perdeu totalmente o controle da equipe, com alguns resultados inadmissíveis para um time que almejava o campeonato.

A situação tornou-se insustentável para o treinador, já que até a vaga para a Libertadores estava em risco. Mas poucos esperavam que o técnico que assumiria o Corinthians seria o Tite, velho conhecido do torcedor corintiano e com uma passagem em 2004 pelo clube, que não deixou tanta saudade, apesar do bom trabalho com um time limitado que ficou em quinto lugar no Brasileiro. Se fizessem uma pesquisa para saber a opinião da torcida, provavelmente a grande maioria reprovaria sua contratação.

Tite já não era considerado um treinador de ponta. O gaúcho, que apareceu como promessa no Caxias e se consolidou no Grêmio com o título da Copa do Brasil em 2001 em cima do próprio Corinthians de Luxemburgo, não evoluiu do jeito que muitos esperavam. Seu último trabalho no Brasil, antes de retornar ao Corinthians, foi no Internacional, em 2009. E mesmo com resultados significativos ao longo de sua passagem pelo Colorado, acabou sendo demitido durante o Brasileiro.

Sem tanto cartaz e com uma imagem já desgastada, por estar tanto tempo trabalhando em times de ponta, mas com poucos títulos de relevância, ninguém imaginaria que estava chegando para assumir o Corinthians e ser o maior técnico da história do clube.

O time não conseguiu o título do Brasileiro de 2010. Acabou em terceiro, mesmo com a reação da equipe. Mas a vaga na pré-Libertadores foi garantida. E foi justamente pela competição continental, em 2011, que Tite sofreu a maior derrota ao longo desses últimos três anos. A eliminação para o Tolima seria motivo suficiente para que a diretoria o demitisse. Porém, Andrés Sanchez, presidente do clube, manteve-se firme na decisão de mantê-lo e deu o suporte necessário para que Tite continuasse à frente do Timão. Três dias depois dessa derrota, o time diminuiu um pouco a pressão da torcida com uma vitória diante do Palmeiras, por 1×0, no Pacaembu. Com a sobrevida desse triunfo em cima do arquirrival, o Corinthians se reergueu aos poucos e chegou à final do Paulista, mas foi presa fácil do Santos de Neymar.

Foto: Reprodução

Foto: Reprodução

Foi no Brasileiro que tudo começou a mudar na carreira de Tite e para o Corinthians. Iniciou-se nesse campeonato uma sequência de títulos que poucos times no mundo conseguiram: Nacional, Continental e Mundial. O Timão conquistou o Pentacampeonato, em 2011, de forma irretocável, liderando praticamente de ponta a ponta. E, no ano seguinte, conseguiu o que nenhum técnico na história do time conseguiu. Foi campeão da Libertadores. E mais do que o título, a campanha foi algo que nem os rivais conseguiram colocar defeito. Deixou para trás três campeões de Libertadores: Vasco, Santos e Boca. E conseguiu a taça de forma invicta. Não perdeu um único jogo e tomou apenas quatro gols ao longo das 14 partidas no torneio. A forma como o time se apresentou, a segurança da equipe e como conseguiu se impor na Libertadores fez com que muita gente colocasse o Corinthians como favorito no Mundial. A final foi contra um Chelsea sem Drogba e com o técnico interino Rafa Benítez buscando ainda uma equipe ideal para os Blues no meio da temporada.

O que se viu no Japão foi um jogo de igual para igual entre um time sul-americano e europeu, algo pouco comum, principalmente nos últimos anos, quando vimos os europeus deitarem e rolarem em cima dos campeões da Libertadores. Com o apoio de 30 mil torcedores e jogando como Corinthians, o título veio com o gol de Guerrero no segundo tempo. Não havia mais nada acima disso. Depois de Brasileiro, Libertadores e Mundial, em um ano, o que mais o torcedor corintiano poderia pedir? Porém, em 2013, veio mais dois campeonatos inéditos para esse elenco formado por Tite: o Paulista e a Recopa Sulamericana.

Tudo na vida tem um começo, meio e fim. E o que parecia ser uma relação eterna começou a ser repensada. O time não rendia mais como antes. Alguns resultados começaram a colocar em xeque a situação de Tite no Corinthians. A eliminação na Copa do Brasil e o fraco rendimento no Brasileiro obrigaram a direção do clube a buscar outra solução para 2014.

Tite completará, no seu último jogo pelo Timão, 272 partidas. Já é o segundo técnico com mais jogos na história do clube. Em títulos, não tem ninguém com conquistas mais importantes. Conseguiu se vincular ao Corinthians de tal maneira que é difícil não imaginar que em breve voltará ao clube.

Houve alguns erros, mas os acertos foram incontáveis. O que vai ficar na história são os títulos, as conquistas, que treinador nenhum chegou perto. Todo corintiano tem o mesmo sentimento de gratidão. E certamente nenhum deixará de falar no dia 8 de dezembro, data de seu último jogo pelo Corinthians: Obrigado, Tite!

Comentários