Santa Cruz, o melhor do mundo

  • por Helena Martinelli Serra
  • 8 Anos atrás
Santa-Cruz-bandeira

Foto: Reprodução

Texto escrito por Roberto Dantas.

Antes de mais nada, é necessário salientar que este que vos escreve não tem qualquer intenção de ser imparcial ou justo. Como torcedor do Santa Cruz, afirmo que este é o melhor clube do Brasil e do mundo, quiçá de Pernambuco.

Talvez eu exagere no que cerne a questão pura e simplesmente clubística. Para a Cobra Coral chegar no nível desejado pela sua enorme torcida, alguns (muitos) degraus ainda precisam ser galgados. Mas, em relação a torcida, eu mantenho o que disse acima. A torcida do Santinha é absolutamente diferenciada em algo simples: o ato de torcer. Torcer por um time de futebol é ato bastante simples, haja vista o futebol ser um entretenimento. Mas qual entretenimento se tem ao ver o seu próprio time ser rebaixado três vezes consecutivas? Qual entretenimento se tem ao ver o time fazer figuração num campeonato de três equipes? Qual entretenimento se tem ao ver, continuamente, o seu clube, a sua paixão, ser motivo de chacota? Pois é. E é aí que nos destacamos.

O Santa Cruz resistiu bravamente a pior fase de sua história. Foram longos, intermináveis seis anos. Para ser mais exato, 2.276 dias, que vão da derrota para o Criciúma (2×0) na já longínqua Série B de 2007 – que sacramentou o rebaixamento do tricolor para a Terceirona de 2008 – até a dramática vitória contra o Betim (2×1), ontem. Vimos o que nenhum – absolutamente nenhum – torcedor gostaria de ver. Enquanto o rival Náutico, bem ou mal, oscilava entre a elite e a segunda divisão, o arquirrival Sport conquistava um título nacional de forma inconteste contra o Corinthians (a Copa do Brasil de 2008) e vencia cinco pernambucanos em sequência, fomos, em apenas quatro anos, da elite ao fundo do poço do futebol brasileiro. Chegamos a Série D, mas mantivemos a fé. Apesar dos vexames, nunca abandonamos o barco.

Talvez os tricolores corais santacruzenses do Arruda não cheguem a um consenso em relação ao momento em que a sorte virou. Mas, para este escriba, não existe dúvida: O Santa Cruz Futebol Clube voltou a ser Santa Cruz Futebol Clube quando – aos trinta e três minutos do primeiro jogo da final do Pernambucano de 2011 – Mário Lúcio (meio campista do Santa à época) tocou para Gilberto (atacante do Santa à época, hoje na Portuguesa), e o atacante, de muito longe, chutou. A bola foi no ângulo de Magrão (goleiro do Sport), que nada pôde fazer. O Santa Cruz abria o placar na Ilha do Retiro e abria o caminho para o primeiro Estadual depois de seis anos de jejum. Não se sabia ali, mas era mais, muito mais que isso: era a ressurreição de um clube as portas da falência, se erguendo contra o maior rival. Ali, o Tricolor do Arruda voltava a ser uma pálida sombra do que já havia sido.

Daí em diante, ou seja, de 2011 à 2013, o Santa Cruz quebrou paradigmas. Mesmo em condições financeiras inferiores as dos rivais Náutico e Sport, se mostrou combativo e fez a camisa valer. Em 2011, foi campeão estadual apesar da distância para os dois rivais – Náutico e Sport se encontravam na elite do Brasileiro. Com muito trabalho, conquistou o acesso à Série C, após dois jogos dramáticos contra o Treze de Campina Grande. Em 2012, bateu o arquirrival rubro-negro novamente (apesar da distância de uma divisão entre a Cobra e o Leão). O sucesso a nível estadual, entretanto, não reverberou no nacional. Depois de campanha pífia, o Santa sequer passaria às quartas-de-final da Terceirona daquele ano, culminando na demissão do treinador responsável pelo bicampeonato de Pernambuco (Zé Teodoro). Em 2013, conquistou o tricampeonato dentro Ilha do Retiro, mais uma vez em cima do Sport – a terceira vez em três anos. A busca, agora, era pela volta a um patamar profissional de futebol, pela volta à segunda divisão do futebol brasileiro.

O Santa Cruz – caso excepcional não só pela queda sem precedentes no futebol brasileiro, mas pelo amor incondicional de seus torcedores – era atormentado por fantasmas menores do que ele. Ulbra de Rondônia, Fast Club, Central de Caruaru, Americano, Sergipe. Pequenos que, juntos, formavam um monstro. Por um momento, pareceu que o fantasma dos menores voltaria com força total. O empate do Betim, no meio do segundo tempo das Quartas de Final da Série C 2013, deixava a equipe mineira a apenas um gol do acesso. E ressuscitava temores já bem conhecidos pelos sessenta mil corais presentes no Estádio José do Rego Maciel.

Mas a história foi feita para ser mudada. Final de jogo, 1×1, bola cruzada na área do Betim. A bola passa pelo arqueiro e zagueiro do time mineiro. Sobra, livre, para o folclórico atacante tricolor Flávio Caça-Rato. Sem goleiro, ele manda de cabeça pras redes. Mais do que o acesso, Caça-Rato exorcizava os fantasmas que assombravam o Arruda. Exorcizava o medo que nenhum tricolor ousava extravasar após o empate do Betim. Encaminhava o Santa Cruz de volta a uma Série B. Parece pouco, mas, pra quem viveu seis anos entre o inferno e o limbo do futebol nacional, é muito.

Foto: Aldo Carneiro/Pernambuco Press

Foto: Aldo Carneiro/Pernambuco Press

Se Euclides da Cunha fosse um escritor da atualidade, diria, sem sombra de dúvidas: o torcedor coral é, antes de tudo, um forte.

Há de se respeitar o Santa Cruz. Há de se respeitar sua torcida. Estamos de volta.

E viemos pra ficar.

Saudações tricolores.

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