Colo Colo e o difícil ano de 2013

  • por Gustavo Ribeiro
  • 7 Anos atrás
Foto: larojadeportes - imagem que reflete o ano do Colo Colo

Foto: larojadeportes – imagem que reflete o ano do Colo Colo

A temporada para o Colo Colo acabou. Terminando 2013 em décimo lugar no Torneo Transición e em oitavo no Apertura, o time encerrou um período conturbando, cheio de crises dentro e fora de campo. Agora, a diretoria já começa a planejar a próxima temporada e uma das primeiras medidas foi manter no comando o técnico Héctor Tabia, o terceiro da equipe este ano. 

O ano de 2013 começou com o argentino Omar Labruna no comando técnico. E, como sempre, o time tinha a obrigação de lutar na parte de cima de cima da tabela em todos os campeonatos que disputasse. A pressão estava ainda maior com sucesso da grande rival Universidad de Chile, que encantava o continente com seu futebol e começava a dominar o país. 

No Clausura 2012, o Colo Colo até fez boa campanha, sendo eliminado apenas nas semifinais para o Audax na derrota por 5×4. Mas, no campeonato seguinte, as coisas não fluíram como esperado. No Torneo Transición, as cinco derrotas nos primeiros dez jogos fizeram a diretoria pensar em mudanças e, como sempre, sobrou para o técnico. Labruna encerrou seu ciclo na equipe com 37 jogos, 18 vitórias, 11 derrotas e 8 empates. 

Após a saída de Labruna, Hugo Gonález, então técnico das categorias de base, assumiu como interino, ficando por pouco tempo. Com um pouco de demora, a diretoria encontrou um novo nome, e não era qualquer um: em maio de 2013, o presidente Arturo Salah anunciou o paraguaio Gustavo Benítez como novo técnico. Benítez já tinha passado pelo clube nos anos noventa, quando conquistou o Campeonato Chileno de 1996, os Clausuras de 97 e 98 e a Copa Chile de 96, além de levar o Colo Colo às semifinais da Copa Libertadores de 97.

 

Foto: lacuarta - Benítez nã conseguiu repetir o secesso de sua primeira passagem

Foto: lacuarta – Benítez nã conseguiu repetir o secesso de sua primeira passagem

Com um histórico desses, a torcida se animou e achou que a hora de voltar a conquistar títulos havia chegado. Mas não foi isso que aconteceu. Na estreia do treinador, o time sofreu uma derrota para o Unión San Felipe, em casa, por 3×2. A recuperação veio com quatro vitórias e um empate nos cinco jogos seguintes. 

Depois, vieram vitórias, algumas derrotas, e um desempenho normal para um começo de trabalho. Mas, aos poucos, o time foi se distanciando da briga pelo título e, com isso, viu-se obrigado a investir suas forças na Copa Sul-Americana. Entretanto, a eliminação para o modesto Deportivo Pastos veio logo na primeira fase, com derrotas nos dois jogos (1×0 na ida e 2×0 na volta). A pressão começou a aumentar.

A torcida começou a perder a paciência com alguns jogadores, sendo Felipe Flores o principal alvo dos hinchas albo. O atacante, revelado no clube em 2004, vendido e trazido de volta em 2012, nunca conseguiu ser o goleador que os fãs esperavam – em 2013, já disputou 38 jogos e marcou apenas 6 gols. 

Mas não é só de resultados e do futebol apresentado dentro de campo que a torcida reclama. Os torcedores do time mais popular do chile pedem a saída de alguns acionistas da sociedade anônima Blanco y Negro S.A., que comanda o clube desde 2005. Eles exigem mais poder de decisão sobre o Colo Colo, incluindo a possibilidade de escolher o presidente. 

Como veiculado anteriormente pelo Doentes por Futebol, não muito contentes com os rumos da administração do clube, um grupo de fãs lançou uma campanha convocando os hinchas a se associarem. Em novembro de 2014, eleições definirão quem estará no diretório Blanco y Negro e só quem é sócio há ao menos um ano pode votar. A ideia do grupo é que são os verdadeiros torcedores que devem escolher quem os representará.

A paciência da torcida acabou completamente após a derrota para o San Luis, time da segunda divisão, que resultou na eliminação nas quartas de final da Copa Chile. Logo após o fracasso, a diretoria anunciou a demissão do técnico Gustavo Benítez, que deixou o clube com 22 jogos disputados, 10 vitórias, 3 empates e 9 derrotas. 

Para comandar o time principal até o final do Apertura, a diretoria convocou Héctor Tapia e seu auxiliar Miguel Riffo, até então técnico e auxiliar das categorias de base. Tapia conhece o Colo Colo como a palma de sua mão – como jogador, ele foi revelado no time, pelo qual jogou profissionalmente de 1998/99 e em 2005. Talvez a torcida brasileira se lembre dele, principalmente a do Cruzeiro, onde ele atuou em 2004, mas sem grande destaque.

Foto: todoalbo - jogadores comemorando um gols dos da vitória contra a La "U"

Foto: todoalbo – jogadores comemorando um gols dos da vitória contra a La “U”

Tapia estreou como técnico na vitória sobre o Cobreloa por 2×0, mas seu trabalho só ganhou destaque no triunfo de 3×2 sobre a Universidad de Chile, com direito a gol do contestado Felipe Flores aos 45 minutos do segundo tempo. Os três gols do Colo Colo foram marcados por atletas revelados no clube: Juan Delgado, Esteban Pavez e Felipe Flores. Além disso, outros quatro canteranos estiveram em campo: Gonzalo Fierro, Sebastián Toro, Luis Pavez e Claudio Baeza.

Além de usar os canteranos, Tapia mudou o estilo de jogo do time, implantando um futebol ofensivo, marcação por pressão e toque de bola. Estes fatores levaram a diretoria a renovar seu contrato até junho de 2014, promovendo-o de interino a técnico da equipe. 

Já sabendo quem vai comandar o time em 2014, a diretoria começa a desligar alguns jogadores do atual elenco e estudar aquisições. O atacante Felipe Flores deve ser vendido para o Dinamo Minsk, da Bielorrússia. Em termos de contratações, existem várias especulações, como o volante Ponzio, do River Plate, e o atacante uruguaio Julián Lalinde, do Deportivo Pasto, mas nenhuma certeza.

Esse final de temporada deu esperanças aos torcedores do Colo Colo de um futuro melhor, dentro e fora de campo. Mas ainda é cedo para falar se em 2014 o clube vai voltar a alcançar algum título, o que não acontece desde a conquista do Clausura em 2009.

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Projeto de jornalista, mineiro, 20 anos. Viu que não tinha muito futuro dentro das quatro linhas e resolveu trabalhar dando seus pitacos acompanhando tudo relacionado ao futebol, principalmente quando a pelota rola nas canchas dos nossos vizinhos sul-americanos. Admirador do "Toco y me voy" argentino, também escreve no Sudaca FC e tem Riquelme e Alex como maiores ídolos.