Barca afundando

Barca afundando

  • por Victor Mendes Xavier
  • 6 Anos atrás
Campeão espanhol com o Real Madrid em 2007/2008, Bernd Schuster vive outra realidade com o Málaga na atual temporada (Foto: El Desmarque Málaga)

Campeão espanhol com o Real Madrid em 2007/2008, Bernd Schuster vive outra realidade com o Málaga na atual temporada (Foto: El Desmarque Málaga)

Não foi tão difícil imaginar que a temporada 2013/2014 do Málaga seria totalmente diferente de 2012/2013. Afinal de contas, o clube do Sul da Andaluzia passou por um alto processo de reformulação econômico para se adaptar às normas do Fair Play financeiro da UEFA, que resultou na saída de jogadores importantes do elenco e do treinador Manuel Pellegrini. O choque de realidade foi fincado nesta terça-feira. No jogo de volta da fase 16 avos da Copa do Rei, os blanquiazules empataram por 1×1 contra o Osasuna em Pamplona e, após o empate por 3×3 jogando em La Rosaleda, deram adeus à competição de maneira precoce graças ao critério de gol fora.

Atualmente, a situação do Málaga no Campeonato Espanhol (ainda) não é desesperadora. A equipe está na 12ª colocação com 18 pontos e sem mais uma competição para conciliar durante janeiro (quando tem jogos da Copa durante todo mês) pode concentrar suas atenções somente na Liga. Porém, a tendência é que o momento se torne crítico, sobretudo porque o Málaga de Schuster não inspira confiança. A maior prova da oscilação do time na temporada aconteceu nas últimas duas semanas: a mesma equipe que conseguiu um empate heróico no El Madrigal contra o Villarreal não conseguiu vencer o Athletic Bilbao em casa e saiu de campo vaiada mais uma vez na temporada.

O Málaga está somente a quatro pontos do Rayo Vallecano, primeiro time dentro da zona de rebaixamento. E o calendário a partir de sexta-feira não será nada grato. Primeiro, os andaluzes irão à Comunidade Valenciana enfrentar o perigoso Elche, antes de receber o Atlético de Madrid no primeiro jogo de 2014. Logo em seguida, a equipe viaja à Valencia para enfrentar o Levante, recebe o Valencia em Málaga e encara o Barcelona no Camp Nou, numa partida em que os blaugranas já deverão contar com Lionel Messi. A sequência de fogo pode determinar o andamento da temporada blanquiazul.

Claramente sem opções, Schuster esbarra na indefinição tática. Ele flutuou entre o 4-1-4-1 no início da temporada, o 4-4-2 no meio do primeiro turno e retornou ao 4-2-3-1 de seu antecessor nos últimos jogos. A tentativa de um esquema com dois atacantes para unir Portillo ou Santa Cruz com Juanmi fracassou de maneira retumbante. Pelo menos com três meias bem definidos, o time parece ter dado uma alavancada, ainda que a prova seja nos próximos jogos. O sistema defensivo, capitaneado pelo estabanado Welligton, agora titubeia e colhe fracassos. É verdade que, ainda com Pellegrini, a zaga nunca foi tão confiável, mas na atual temporada os erros individuais são maiores.

Nos vestiários, a hora é de auto-crítica. Após a eliminação na Copa, o treinador Bernd Schuster elogiou a postura de seu time. “Estou contente. A equipe progrediu e mostrou-se competitiva. São coisas do futebol. Fomos eliminados sem perder um dos jogos. Acontece”, disse. Um dos pilares do elenco, o goleiro Walter Caballero foi mais duro em suas afirmações. “O progresso é nítido. Mas temos que ser mais ambiciosos, e não medíocres”, disparou.

O momento do Málaga nos remete ao Villarreal de 2011/2012. Ainda que o Submarino Amarelo tenha iniciado aquela temporada com maiores perspectivas, disputando a Liga dos Campeões da UEFA, não conseguiu sobreviver à perda de Cazorla para o Málaga e de Rossi para o departamento médico. A interminável lesão do ítalo-americano redimensionou a temporada amarilla, que caiu vergonhosamente na fase de grupos da Liga dos Campeões (seis derrotas em seis jogos) e ao final da temporada foi rebaixado à Liga Adelante.

Há uma temporada, o projeto do sheik Abdulla El-Thani viveu seu estopim. O clube foi ao céu ao chegar às quartas de finais Liga dos Campeões e só não avançar de fase por uma obra dos deuses do Borussia Dortmund. Por um triz, o Málaga não alcançou a semifinal da maior competição de clubes do mundo. Hoje, sem perspectiva de melhora, sem Isco, sem Joaquín, sem Saviola, sem Pellegrini, sem Demichelis, sem Toulalan, os andaluzes vivem no purgatório, e podem a qualquer hora adentrar no inferno.

Não é hora de voltar para a segunda divisão. O esforço de reconstrução dos últimos anos, baseado num projeto promissor mas que, na realidade, nunca mostrou sua verdadeira imagem, não pode ser jogado no lixo.

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Jornalista, carioca e apaixonado pela Liga Espanhola desde a época em que Rivaldo, Zidane, Figo e Raúl foram seus professores. Colaborou para o programa Esporte@Globo da Rádio Globo São Paulo falando sobre o futebol do país das touradas. Repórter da Super Rádio Tupi.